sexta-feira, 25 de maio de 2018

«Aqui estou» de Jonatham Safran Foer :: Opinião


Aqui estou! Estou aqui! 
As mesmas duas palavras. Sentidos tão opostos.
Aqui estou, aceita, sacrifica. 
Estou aqui, afirma-se, destaca-se.

O novo romance de Foer, após onze anos de interregno, acerta em cheio no leitor e pede-lhe que se renda. Que aceite as atitudes, os sentimentos, as emoções, as decisões e as peripécias da família Bloch face a todas as necessidades da vida familiar, por vezes irreconciliáveis com as exigências do mundo actual.

"A parte de dentro da vida tornou-se muito mais pequena do que a de fora, o que criou uma cavidade, um vazio. Por isso o bar mitzvá parecia tão importante: era o último fio de um laço prestes a romper-se. (...)
O rabi entrelaçou os dedos, mesmo como um rabi.
- Há um provérbio hassídico que diz: «Quando corremos atrás da felicidade, fugimos da satisfação.»"

Talvez a família Bloch corresse atrás do barulho do tempo. Daquele zumbido de fundo, banda sonora de uma grande parte da vida em que ainda: pai, mãe e filhos convivem em puro ambiente de partilha.
Julia, Jacob, Sam, Max, Benjy e Argus, o cão; compõem uma família prestes a atingir duas décadas de história, mas a história deles tem ligações mais ancestrais, o judaísmo e a luta em Israel são personagens maiores que determinam tradição, conceito de família e noção de lar. E é essa vida de fora que tanto povoa a de dentro, que criou um fosso entre todos eles e os demais familiares que os rodeiam. Talvez se brinque às aparências, cumprindo rituais e forçando ligações e assim se vá jogando com sentimentos, numa constante ocultação do ressentimento e das necessidades tão próprias de cada um.

"Tudo era outra coisa sublimada: a proximidade doméstica tornara-se distância íntima, a distância íntima tornara-se vergonha, a vergonha tornara-se resignação, o ressentimento tornara-se auto-defesa. Julia pensara várias vezes que, se ao menos conseguissem seguir o fio até à origem da ocultação, poderiam chegar a encontrar a abertura."

Encontrar a abertura dar-lhe-à abertura para superar o que os separa? Serão os danos, entre familiares, recuperáveis com o passar dos anos? Ou apenas se aprende a esconder melhor o que nos incomoda? E por quanto tempo se aguenta esse esconde-esconde? E os outros, notarão?

Foer diz-nos que sim. Os filhos reparam, a família desconfia e os casais sabem que algo não está bem, mas avançam. «T-B-I-S-T-O-P-A-S-A-R-A-» é o nome de um dos capítulos deste romance, em jeito de prenúncio ou de aviso. Existem várias formas se superação, talvez só seja preciso encontrar o tempo certo para cada um.

"Tentava não repara nas vidas deles, mas era impossível ignorar a quantidade de vezes que o pai adormecia a ver a ausência de notícias, como a mãe se retirava para ir podar as árvores dos modelos arquitectónicos, como o pai agora se servia de sobremesa todas as noites, como a mãe dizia ao Argus que «precisava de espaço» quando ele a lambia, como o pai mudara a palavra-passe do iPad, (...) o fim do contacto visual."

É nessa ausência de contacto visual que deixamos de ver o outro e também de olhar para nós mesmos. Jacob e Julia são personagens interessantes, com complexos e medos transversais a todos nós. Ela com a necessidade de obter nos filhos um escudo, uma desculpa que a tudo dá justificação. Ele com a necessidade de ter e dar atenção, criou laços diferentes, mais flexíveis, mas nem por isso mais íntimos. Ambos se chocam e sentem ciúmes, girando em torno de dois grandes temas: os filhos e o facto de serem judeus, talvez para camuflar o desconforto da vida íntima.

"Ficou à porta até ouvir Benjy respirar fundo. Jacob era um homem que recusava o conforto, mas permanecia à porta quando outros teriam partido há muito. Ficava sempre à porta de casa até muito depois de o carro que levava os miúdos à escola ter partido. tal como ficava à janela até a roda traseira da bicicleta de Sam desaparecer na esquina. Tal como ficava a ver-se a si mesmo desaparecer."

"As armas enterradas na terra de Jacob e Julia não eram tão inofensivas como isso (...)
Os rituais domésticos estavam suficientemente enraizados para lhes permitir evitarem-se de forma fácil e discreta. (...) Ela dava o pequeno-almoço aos miúdos, ele tomava duche (...), ela levava os miúdos até ao carro e ia até à rua Newark para ver se vinham carros a descer o monte, ele fazia marcha-atrás."

Duas décadas de feridas demasiado rombas para matar, mas suficientes para equacionar a inautenticidade da vida e representar o espectáculo do divórcio. Nas entrelinhas resta-lhes compreender o barulho do tempo de cada um. 

"Demorou algum tempo (...) a perceber do que é que ele estava a falar. O frigorífico estava a ser arranjado, por isso faltava, na cozinha, aquele zumbido omnipresente e quase imperceptível. (...) Esse era o barulho do tempo dele.
O meu pai ouvia ataques.
Julia ouvia as vozes dos miúdos.
Eu ouvia silêncios.
Sam ouvia traições e o som de produtos da Aplle a ligar.
Max ouvia os ganidos de Argus.
Benjy era o único suficientemente jovem para ouvir a casa."

Encarar diferenças, limitações, profundidade das atitudes, necessidade de diversão, de espaço, de conforto ou de um abraço pode diminuir o desgaste próprio da vida e equilibrar melhor a rotina dos dias. «Aqui estou» tem alusões à Bíblia e à Tora, fala do luta dos Judeus, chama à atenção para a guerra eterna em Israel, satiriza e discute a causa, mas acima de tudo é um livro sobre o íntimo de cada um e a compaixão necessária para que a resignação não supere a vida.



quarta-feira, 23 de maio de 2018

«Ala feminina» de Vanessa Ribeiro Rodrigues :: Opinião


Estou fã dos livros das Edições Desassossego!

Este destacou-se mais pelo cariz feminino e os casos de vida. Em tempos tive ideia de fazer voluntariado para a alfabetização nas prisões, mas a idade foi um factor determinante e isso não aconteceu, mas fiquei sempre atenta. Como a série portuguesa «Dentro», no entanto há muito que não lia nada sobre o tema. Aconteceu agora e foi uma boa leitura, a deste trabalho de intervenção e sensibilização da jornalista Vanessa Rodrigues para reflectirmos sobre a condição humana e a fronteira estabelecida pelas prisões. Esta peça quebrara parte da fronteira entre nós (fora) e os outros (dentro).

"O testemunho é seco, curto, frontal, dissecado. Não pestaneja, como se tivesse repetido esta ladainha tantas vezes que parece que já sai desta forma automática, sem rodeios. E Catarina fala lacónica, sem desenvolver a história. Para ela, aquela não é a sua história. Economiza as palavras, como se desconhecesse a própria narrativa. Ou a quisesse esquecer."

Os testemunhos são realmente secos ou parcos em detalhes, as narrativas espelham a "vida descontinuada" e interrompida, efeito talvez menos nefasto do encarceramento. A falta de esperança, a solidão, o desapego, a ausência de perspectivas e a dificuldade de retornar à vida activa, serão efeitos bem mais nefastos nas vidas destas mulheres presas. A resistência que a vida da prisão lhes pede e algumas oportunidades que existem lá dentro, serão outra sentença, uma mais catártica, que se espera que dê frutos e as endurece para uma outra vida que não aquela que as levou até ali. Algumas mais do que uma vez. 

"Às vezes ouve-se um berro. É Rose de novo. Rose presente nesta história, impondo-se sem querer participar. Tem voz grave. Só o som está autorizado a sair a sair destes muros. Há árvores com raízes de fora, a querer sair da terra. Vejo um prédio praticamente sem pintura (...) As paredes terão sido brancas? Amarelo-claro? Beges? Já mal se percebe a qual pantone de tinta pertence aquela parede. O pantone da erosão."

A erosão maior lá dentro, talvez seja a da solidão, corroendo-lhes os sentimentos e as relações. Os filhos são as maiores preocupações; os que nascem lá dentro ou aqueles que ficam cá fora. Em ambos os casos são igualmente privados pelo encarceramento das mães. 

"Os filhos podem ser verbos na vida de homens e mulheres porque são sempre o futuro. Porque a vida ali dentro deixa um rasto de saudade permanente, nunca mitigado pelas visitas, tudo é sempre pouco."

Mesmo nesse pouco, dado pelas visitas ou conseguido pelo trabalho dentro da prisão, estas mulheres tentam levar a sua vida de acordo com a sua pena. Algumas têm recaídas. A droga é uma das maiores causadoras. Mas a família, a sociedade, o trabalho, as dificuldades ou o desejo de facilidades também se relacionam com os desvios que as levam a este caminho a que é preciso dar voz, conforme Vanessa Rodrigues afirma diversas vezes. 

Algo que ganha uma voz maior que todas, é o tempo. O tempo na cadeia parece ser medido de outra forma, é o que relatam as mulheres deste livro. A reclusão aguça a forma como se sente a passagem do tempo. Essa é outra coisa à qual a jornalista quer dar voz. Há a urgência de se ocupar!

"Lina está há dois anos e meio em Tires. A maioria das reclusas prefere cumprir pena a trabalhar, por causa dessa unidade universal quasi-invisível, a grandeza física que se mede com base na duração de fenómenos periódicos: o tempo. (...) é reflectir sobre o tempo, a cadência dele e a forma como ele fala connosco. (...) trabalhar é uma espécie de ilusionismo para o real (...) E, com o corpo cansado a saudade espanta."

Ao longo destas mais de 250 páginas somos confrontadas com testemunhos que denunciam um nó que se reflecte nos olhos. Nós que o cérebro tenta deslindar nessa solidão e nesse tempo que será sempre demasiado mesmo quando ocupado. É esse o ensinamento maior. Isso e uma frase de Eduardo Galeano que a autora cita:
«Assobia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.» 


Uma edição da
Resultado de imagem para Edições Desassossego logo


terça-feira, 22 de maio de 2018

«A cidade e as serras» de Eça de Queiroz - Opinião

As cidades e as serras que visitei, nos inícios de Maio, tiveram todo um outro encanto, quando acompanhadas pelas palavras de Eça de Queiroz.


"Com que brilho e inspiração copiosa a compusera o divino Artista que faz as serras, e que tanto as cuidou, e tão ricamente as dotou, neste seu Portugal bem-amado! A grandeza igualava a graça. Para os vales, poderosamente cavados, desviam bandos de arvoredos, tão copados e redondos, de um verde tão moço, que eram musgo macio onde apetecia cair e rolar. Dos pendores, sobranceiros ao carreiro fragoso, largas ramarias estendiam o seu toldo amável, a que o esvoaçar leve dos pássaros sacudia a fragrância. Através de muros seculares, que sustêm as terras liados pelas heras, rompiam grossas raízes coleantes a que mais hera se enroscava."

Esvoaçava pouco, Jacinto, liado nos afazeres citadinos e nos demais inventos da época, que todos chegavam e inundavam Paris. Entediado e aprisionado, Jacinto não encontrava civilização que lhe trouxesse alegrias de viver; nem as festas ou mulheres, nem modas ou inventos, nem sequer a agenda cheia, tudo o cansa e enfada. Até a vasta biblioteca.

"Com os morangos novos, apareceu um instrumentozinho astuto, para lhes arrancar os pés, delicadamente. Depois recebemos outros, prodigioso, de prata e cristal, para remexer freneticamente as saladas; e, na primeira vez que o experimentei, todo o vinagre esparrinhou sobre os olhos do meu Príncipe, que fugiu aos uivos! Mas ele teimava... Nos actos mais elementares, para aliviar ou apressar o esforço, se socorria Jacinto da dinâmica. E agora era por intervenção de uma máquina que abotoava as ceroulas."

Zé Fernandes, o amigo vindo das serras, testemunha a passagem do tempo pelo seu Príncipe, Jacinto, e o lento enfado com a Paris que lhe engole o apetite pela vida. É ele que narra e nos mostra a transformação de Jacinto em Jacinto de Tormes, um citadino convertido aos prazeres das serras, abraçando com ânsia a Natureza, absorvendo dela energia e vitalidade como há muito não sentia. 

"Jacinto já não corcovava. Sobre a sua arrefecida palidez de supercivilizado, o ar montesino, ou a vida mais verdadeira, espalhara um rubor trigueiro e quente de sangue renovado que o virilizava soberbamente. Dos olhos, que na cidade andavam sempre tão crepusculares e desviados do Mundo, saltava agora um brilho de meio-dia, resoluto e largo, contente em se embeber na beleza das coisas. Até o bigode se lhe encrespara. E já não deslizava a mão desencantada sobre a face - mas batia com ela triunfalmente na coxa. Que sei? Era um Jacinto novíssimo. E quase me assustava (...).
E ali estava...
- Para todo o Verão?
- Não! Mas um mês... Dois meses! Enquanto houver chouriços, e a água da fonte, bebida pela telha ou numa folha de couve, me souber tão divinamente!"


«A cidade e as serras» de Eça de Queiroz é a última obra do autor e marca uma viragem na sua escrita, já que muitos estudiosos da obra queirosiana apontam Jacinto de Tormes como um reflexo do próprio Eça e das suas crenças e transformações.


Foto: Miradouro das Portas de Ródão
Cris Rodrigues, Maio'18



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Opinião "Como Parar o Tempo"

"- O meu nome é Tom Hazard...

O nome em si contém demasiado. Contém todo a gente que me tratou por esse nome e toda a gente de quem alguma vez o escondi. Contém a minha mãe, Rose, Hendrich e Marion. Mas não é uma âncora. Porque uma âncora fixa-nos a um lugar e eu ainda não me fixei. Irei continuar a navegar pela vida eternamente a sentir-me assim? Um barco tem de acabar por parar. Tem de chegar a um porto, uma doca, um destino, conhecido ou desconhecido. Tem de chegar a algum lado e parar lá, senão, para que serve o barco? Já fui tantas pessoas diferentes, desempenhei tantos papéis diferentes na minha vida. Eu não sou uma pessoa. Sou uma multidão num só corpo.

Fui pessoas que odiava e pessoas que admirava. Fui empolgante, aborrecido, feliz e infinitamente triste. Estive do lado certo e errado da História.

Em suma, perdi-me."

Desde que li a sinopse de "Como parar o tempo" sabia que eventualmente teria de o ler. Havia qualquer coisa na história que me chamava.
Embora só tenha lido um livro do Matt Haig e nem sequer era ficção, houve qualquer coisa na escrita dele que ficou e me fez estar atenta às coisas que foram sendo publicadas.
"Como parar o tempo" só está na estante desde o mês de Fevereiro mas acabei por atropelar não sei quantas leituras para colocar este nos lugares prioritários.
Contudo, "Como parar o tempo" não me deu aquela vontade louca de que o mundo parasse à minha volta para que tivesse oportunidade de devorar o meu livro.

Conhecemos Tom Hazard com a sua aparência de 40 anos e a real idade de 439 anos. Não, Tom não descobriu o elixir da vida eterna, nem é imortal. 
A patologia, benção ou maldição de Tom desenvolveu-se por volta da puberdade e enquanto a idade passa para todos as outras pessoas, para quem sofre anageria, o ritmo de envelhecimento é bastaaaaaaante lento. Se um ano humano equivale a 7 anos caninos, 15 anos humanos não chegam para dar um ar adulto a um "jovem" com anageria. 
Um perigo para si mesmo mas acima de tudo para os que mais ama, 
Tom carrega o fardo da culpa, do luto, do conhecimento e dos séculos de história que viveu. Nem os muitos anos que já viveu apagam os momentos mais trágicos que lhe levaram a mãe, a mulher que mais amou e a filha de ambos.
A única esperança de redenção é conseguir encontrar a filha que anda em parte incerta e a quem a genética também passou a perna. Marion tem a mesma patologia que o pai.

Até aqui tudo bem. Até aqui tudo óptimo, especialmente quando se mistura pequenos vislumbres de Shakespeare no Globe ou numa taberna duvidosa, de F. Scott Fitzegerald a virar copos nos anos 20 em Paris ou do quanto uma cidade como Londres mudou ao longo das épocas.
É Tom que não me arrebata, quem não me prende à trama. Mais que a luta interna com a culpa e com o luto pela mulher, é a sua placidez com a vida, tendo ele tanta para viver, que mais me aborreceu. O tempo que vive afastado do mundo ou completamente camuflado no meio de uma cidade no século XXI faz-me pensar "porque raio queremos todos viver mais tempo do que aquele a que estamos destinados?" ou pior ainda "será isto o que nos aconteceria se nos fosse dada a oportunidade de prolongar a nossa estadia no mundo dos vivos?". 

Bem...talvez seja só eu que ando do contra com quase todos os livros que ando a ler.
Talvez esta não fosse a altura ideal para ler este livro, talvez fosse preciso lê-lo em dias de sol e não de chuva, talvez....talvez eu estivesse com as expectativas altas e o que me foi entregue ficou aquém do que eu queria encontrar.
Ser leitor é difícil mas ser escritor não deve ser mesmo nada fácil.

Creio que esta ideia no cinema, com os toques majestosos da passagem do tempo e a presença espectacular do Benedict Cumberbatch é bem capaz de me deixar finalmente tão maravilhada com achei que ia ficar ou talvez, como devia ter ficado.
Não se fiquem pela minha pobre opinião. O Goodreads está cheio de boas reviews e por isso mesmo, deixo-vos aqui uma frase que me agradou bastante.

"A minha cabeça apressa-se a tentar perceber. Isto acontece tantas vezes assim na minha vida. Passa-se tanto tempo a esperar por uma coisa - uma pessoa, um sentimento, uma informação -, que não se consegue absorvê-la quando surge à nossa frente. O buraco está tão habituado a ser um buraco, que não sabe como há de fechar-se."

Vá, agora vou ser o grumpy cat para outro lado.
E possivelmente dar a mão à palmatória e comprar o livro mais recente do autor "Os Humanos".
Até lá ficam com uma música que embalou a leitura deste livro.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Opinião "A rapariga que li no metro"

"...cada livro é um retrato e tem pelo menos dois rostos.
- Dois...
- Sim. O rosto daquele....ou daquela, no seu caso...que o dá. E o rosto daquela ou daquele que o recebe"


Quando peguei neste livro esperava algo completamente diferente, algo mais superficial, mais romance simplista, mais mastiga e deita fora.
Foi com surpresa que me vi enredada na existência de Juliette, na curta viagem de metro que faz parte da sua rotina e que num dia de impulso muda por completo a sua vida.
Que vida em modo autómato levava Juliette, sempre carregada com os seus livros mas a observar outros que à sua volta liam.
O que fazem os livros pelas outras pessoas?
Será que significam para os outros o mesmo que para nós?
Dizer que um livro pode mudar a nossa vida não é uma afirmação feita de ânimo leve em "A rapariga que lia no metro". 

Com Juliette perdemos-nos na divagação pelos mundos possíveis e imaginários que os livros encerram. Inclusive, até ela se perde um pouco no seu discurso especialmente enquanto o seu rumo é incerto.
Como o que esperava foi totalmente diferente do que encontrei posso dizer que esta história remete-me para aqueles momentos em que ficamos a olhar perdidos para os livros que nos rodeiam, quer a recordar as boas viagens que fizemos juntos quer somente a sorrir perante a sensação de prazer e paz que é tocar em livros.

Acho que, à semelhança do voluntariado altruísta literário que encontramos neste livro, vou sugerir a leitura deste título à minha metade literária. Ela encontrará neste livro um sem fim de sugestões de leitura, mais uns quantos para somar à lista que cresce quase ao mesmo ritmo que a estante vai ficando sem espaço.

Vou só fechar com esta frase que me fez parar a meio da leitura, ficar em suspenso com o livro aberto numa carruagem de comboio apinhada de gente.

"- Também estive coberta de pó - afirmou. - Acumulou-se sem que o sentisse, percebe?"

pequenas frases que fazem tanto sentido mesmo quando podem dizer mais do que uma coisa. Assim como o livro é um retrato com dois rostos, também o sentido de uma frase para quem escreve e para quem lê podem ser diferentes.

"A Rapariga que lia no metro" é uma aposta

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Novidades Caminho :: Maio


Era uma vez um homem que vivia numa casa muito, muito alta, tão alta que quase tocava o céu. Como ele era carteiro, as pessoas diziam que, muito provavelmente, morava numa casa assim para poder entregar cartas aos anjos! Mas, na verdade, esta era uma casa de família. Ora, o senhor carteiro, que era de quem eu estava a falar, tinha um problema: falava, frequentemente, a rimar e, por isso, adquirira a alcunha de Senhor Rimas. No início, as pessoas da aldeia de Não-Sei-Onde-Moras achavam-lhe muita graça, mas, depois, tornou-se aborrecido ter de ouvir a toda a hora e a todo o instante aquelas falas rimadas. Tal era o desespero da aldeia que decidiram os habitantes marcar um encontro na praça para discutirem o assunto. Então, ao saber disto, e vendo o desconforto que provocava nos seus amigos e nos seus colegas de trabalho, o Senhor Rimas decidiu abandonar a aldeia…


Toda a gente foi apanhada de surpresa, pelo que ninguém tentou impedir o inesperado assassinato do mais conhecido e traduzido escritor das ilhas, breves momentos antes do início da cerimónia de apresentação do que acabou por ser a sua última obra. E, no entanto, nesse dia o vasto auditório transbordava de uma festiva multidão de fãs e outros curiosos, todos impacientes ante a expectativa de ter um autógrafo no já muito badalado livro que se preparavam para adquirir. De modo que a ninguém terá passado pela cabeça que um evento daquela natureza, sempre aguardado com geral e grande ansiedade, poderia vir a ter um desfecho tão inesperado quanto brutal, especialmente tendo em conta a qualidade das pessoas envolvidas na tragédia.

Novidades

Novidade Porto Editora :: "Os altos e baixos do meu coração"

 Depois do sucesso de O coração de Simon contra o mundo, cuja adaptação ao grande ecrã estreia em junho no nosso país, a Porto Editora publica, no dia 17 de maio, o segundo romance de Becky Albertalli, Os altos e baixos do meu coração.


Molly é uma adolescente que, apesar de se ter apaixonado platonicamente dezenas de vezes, nunca arriscou uma relação amorosa: quem não arrisca também não sofre. No entanto, quando a sua irmã gémea encontra o seu primeiro grande amor, Molly não suporta a ideia de ficar sozinha… e decide aventurar-se. Mas a vida é cheia de surpresas e acaba por ter de escolher entre dois rapazes completamente diferentes, percorrendo uma verdadeira montanha-russa emocional.

Uma novidade

Opinião "Todos Devemos Ser Feministas"


Faz algum tempo lembro-me de estar a falar com a minha metade literária sobre livros e ela mencionou um nome que me soou completamente desconhecido: Chimamanda Ngozi Adichie.
Ela tinha lido “Meio Sol Amarelo” e eu fiquei com a pulga atrás da orelha quando me deparei com uma TED Talk no qual a autora fala sobre o tema abordado neste livro.
Na realidade, são poucas as diferenças entre o texto e a TED Talk que incluo neste post.
Ri-me e revi-me em alguns comentários, e embora haja um foco especial sobre o seu país natal, há coisas que são comuns a muitas mulheres em todo o mundo.
Creio que toda a devia ler e pensar mais sobre este tema. Acima de tudo, creio que existem muitas mulheres que em vez de olhar de lado, deviam dar mais a mão, ajuda e compreende as mulheres que as rodeiam.
Uma leitura a não perder. Sim, realmente…Todos devemos ser feministas.
O livro inclui ainda um pequeno conto que faz parte da coletânea “A Coisa à Volta do Teu Pescoço”. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ainda falta mas fica a nota!

Depois d’A Verdade Sobre o Caso de Harry Quebert, O Desaparecimento de Stephanie Mailer, o novo livro de Joël Dicker chega a 7 de julho

(capa original)

Na noite de 30 de Julho de 1994 a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher. Só pára quando encontra o seu cadáver em frente à casa do presidente da câmara. Lá dentro, toda a família está morta.

A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso.

Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com o inesperado: o assassino não é quem eles pensam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado.

Dias depois, Stephanie desaparece.

Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e empurrando-o sem travão possível até ao inesperado e inesquecível desenlace.

O que aconteceu a Stephanie Mailer?

E, sobretudo, o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

O thriller mais poderoso dos últimos anos, uma obra que não dá tréguas, tão sofisticada e viciante quanto A verdade sobre o caso Harry Quebert.

Novidades Edições ASA :: Maio


Sinopse 
Quatro amigas encontram-se num jardim em Brooklyn, Nova Iorque. São mães há pouco tempo e debatem-se com as exigências das suas novas vidas. Colette é escritora e sonha em dedicar mais tempo à família. Nell é especialista em cibersegurança e quer fugir a um passado sombrio. Francie pretende ser mãe a tempo inteiro e, assim, expiar segredos antigos. E Winnie, atriz famosa… 

Winnie quer apenas o filho de volta. 

É que alguém aproveitou a única noite em que as amigas saíram sem as crianças para raptar o pequeno Midas. E agora que a investigação policial parece ter chegado a um impasse, Nell, Colette e Francie unem-se, determinadas a encontrá-lo… mesmo que tenham de agir a coberto das sombras. 
Colette está a escrever um livro que lhe dá acesso a ficheiros policiais confidenciais. 
Nell utiliza os seus dons de hacker para invadir sites privados. 
Francie assiste a um talk-show sensacionalista que ninguém admite ver mas que segue obsessivamente o caso e transforma o rumo das vidas de todas. 
E há ainda um pai. Um enigmático e afetuoso pai…


Sinopse
A SOMBRA 
Dinheiro, poder e beleza… Samuel Gerard tem tudo. Tem também segredos monstruosos. Se, por um lado, percorreu um longo e árduo caminho para chegar onde chegou, por outro, ninguém imagina que transporta no corpo as cicatrizes de um passado que jamais conseguirá esquecer. Embora viva determinado a ter uma existência austera, dentro de si ardem – impetuosas – as chamas de paixão… 

A ESTRELA 
Bonita e de coração puro, Leda Etoile entra na vida de Samuel para nunca mais sair. Contratada para ser sua datilógrafa, depressa se rende às emoções que a invadem quando está perto dele. Mas Samuel é uma alma torturada que não aprendeu a amar. Conseguirá ela aquilo que mais ninguém se atreve sequer a tentar? 

NUNCA UM HOMEM E UMA MULHER FORAM CONSUMIDOS POR UMA PAIXÃO ASSIM. 
Se entregar o coração, Samuel arrisca tudo aquilo em que acredita. Se ceder ao desejo, Leda abre a porta a um mundo de intriga e vingança. 
Se se renderem ao amor, irão descobrir que é o sentimento mais perigoso do mundo


Sinopse
Será possível cometer o crime perfeito? Poderá um homicídio ser executado com tanta perícia que seja impossível de resolver, até pelo mais astuto dos investigadores? Nesta coletânea singular, os mestres do policial Margery Allingham, Anthony Berkeley, Freeman Wills Crofts, Ronald Knox, Dorothy L. Sayers e Russell Thorndike vão tentar fazer isso mesmo: descrever o “seu” crime perfeito… capaz até de iludir o superintendente Cornish da Scotland Yard. Ele, por sua vez, irá dar o seu parecer quanto à genialidade (ou não!) dos cenários propostos… E Agatha Christie, a Rainha do Crime, é claro, não podia ficar de fora… é da sua autoria um ensaio sobre o mistério – real e nunca resolvido – dos Envenenamentos de Croydon. Escrita por algumas das mentes da ficção policial mais criativas do século XX, Seis Crimes (Im)perfeitos é a antologia mais que perfeita para os aficionados do crime… do crime perfeito, pois claro! 


Alex Taylor acorda sobressaltada. Está imobilizada e presa à mesa de um bloco operatório. Não faz ideia do que lhe aconteceu. Não imagina o que a espera. 
De repente, apercebe-se de que não está sozinha. Na sala, encontra-se também um homem. Mas não se trata de um médico. É, sim, alguém que não só não a liberta como a obriga a fazer uma escolha inimaginável. 
Quando Alex recupera os sentidos, tudo não parece passar de um pesadelo medonho. Um pesadelo que está longe de acabar pois não há quaisquer indícios do que aconteceu, e ninguém acredita nela. Mas Alex é incapaz de esquecer. Ostracizada pelos colegas, pela família e pelo namorado, Alex pergunta-se se não estará a ficar doida. 
…até que aparece uma segunda vítima… 

Não Adormeças é um thriller tão arrepiante que não o vai conseguir pousar. Tão aterrador que não vai falar noutra coisa.

Novidades

Opinião "A Vida de uma Porquinha-da-Índia no Escritório"

Ando realmente com a minhas opiniões todas atrasadas. Faz já imenso tempo que li a história da porquinha mas uma parte de mim andava a pensar seriamente no que dizer. Creio que finalmente consegui transmitir o quanto a história me fez pensar e olhar para a minha vida de porquinha no escritório, sim porque como ela, também eu sinto que por vezes ando numa rodinha sem sair do mesmo sítio.


A história da Porquinha é composta por pequenos POST-ITS com eventos rotineiros do dia a dia num escritório que mais parece um labirinto, onde uma mão cheia de personagens fingem trabalhar, inclusive a Porquinha. Ela é a única Porquinha-da-Índia, os outros, da recepção à chefia são humanos.
O dia a dia passa entre tarefas adiadas, pesquisas diversas na internet e dúvidas sobre o que está a fazer ali ou que irá fazer no futuro, quer pessoal como profissionalmente.
Embora não tenha ficado rendida à escrita da autora, fui levada por uma série de tempo crucial na vida da nossa Porquinha e é curioso como acabei por me identificar em algumas coisas com a nossa personagem principal e tantas das coisas que fazia, principalmente o triste encolher de ombros perante as coisas que estavam fora do seu controlo.

Oh Porquinha, Porquinha....quantos de nós andamos neste labirinto entre o trabalho e casa, entre a rotina e a falta de força para mudar, entre as coisas que nos irritam e as que evitamos para não nos chatearmos mais? Quantos de nós?

Querem um conselho?
Acham que andam feito Porquinhos no labirinto do vosso trabalho? Precisam de uma mudança?
 Conhecem alguém que precise de abrir a pestana ao se rever num roedor peludo e protelador?
Então "A Vida de uma Porquinha-da-Índia no Escritório" é um livro que tanto vos pode roubar gargalhadas como vos fazer pensar.


Agora, vá....
Podem ir à vossa vida!

Um livro