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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Passatempo :: "O Amante" (1º livro da Trilogia Este Homem de Jodi Ellen Malpas)

Agora que o Verão parece finalmente estar a dar o ar da sua graça, nós ajudamos os termómetros a subir com o passatempo do mais recente livro erótico publicado em Portugal.
Tentem a vossa sorte e fiquem a conhecer Este Homem :)



A história de Ava e Jesse ainda agora começou e a trilogia de Jodi Ellen Malpas ainda tem muito para nos oferecer.

Acedam aos links e conheçam as nossas opiniões e aproveitem para ganhar o primeiro livro desta saga.
PARTICIPEM!
*
O PASSATEMPO DECORRE ATÉ 13/07/2014 


Para se habilitar ao passatempo, preencha o formulário abaixo e siga as regras dos nossos passatempos: 

ATENÇÃO - REGRAS: 
- O preenchimento do formulário é obrigatório para se habilitar ao passatempo. 
- Podem participar todos os dias - uma vez por dia, aumentando assim as possibilidades de ganhar.
- Só serão aceites participações de fãs e/ou seguidores 
- Só aceitamos participações de residentes em Portugal. 
- Sorteamos o livro no random.org entre todos os participantes. 
- Não nos responsabilizamos por nenhum extravio, neste caso o envio é garantido pela editora. 

NOTA: - Façam partilha do passatempo - SEMPRE PÚBLICA 
- Ou copie o link e partilhe no seu mural de facebook, blogue ou outro local.

Ajuda-nos a divulgar!!!
Um passatempo com apoio:



BOA SORTE!!

Novidades Bertrand - O novo livro de Filipa Fonseca da Silva

Quando foi editado "Os 30 - Não é nada como sonhámos" fiquei curiosa em ler o livro mas como a oportunidade não surgiu, no entanto, tenho estado atenta ao Facebook e ao goodreads da autora
Agora é editado o "Estranho Ano de Vanessa M.", com data de lançamento para 11 de Julho.


Sinopse

Quando entrou no carro naquela tarde de Inverno, Vanessa não sabia que estava a embarcar numa viagem sem retorno. Uma viagem interior, que pôs em causa todas as suas escolhas e, acima de tudo, toda uma vida construída em torno das expectativas e opiniões dos outros. Fluido, divertido e fresco, O Estranho ano de Vanessa M. conduz-nos nessa autodescoberta de 365 dias e faz-nos reflectir sobre o poder que temos de, a qualquer momento, colocar tudo em questão, através de episódios trágicos e cómicos que envolvem uma mãe controladora, uma tia hippie, um casamento entediante, um chefe insuportável e uma amiga que não sabe quando se calar. Porque a busca da felicidade não tem prazo e a chave para abrir essa porta está dentro de nós. 

 Uma nova voz irrompe na cena literária portuguesa, leve, despretensiosa, crua, divertidíssima e incrivelmente humana.

Uma novidade

sexta-feira, 27 de junho de 2014

História de um caracol que descobriu a importância da lentidão, de Luís Sepúlveda - Opinião


Há muito que não pegava num livro do Sepúlveda e francamente já estava meio esquecida da capacidade enorme que o autor tem em fazer-nos sonhar, divagar e até infantilizar.
Se estas fábulas têm o dom de poderem ser prescritas dos 8 aos 80, verdade seja dita, que a ilustração de Paulo Galindro (ilustrador) compõe a obra como um verdadeiro teatro. Daqueles que se fazem com figuras de papel, com os "actores" escondidos por trás, por vezes com os pés de fora... quebrando metade da magia, mas dando outra aura aos professores, pais ou contadores de histórias que estão atrás da "caixa mágica".

Relembrar este tipo de história, quase com uma linha de resumo, intitulada «moral da história» fez-me retornar aos tempos de escola, não meus como aluna, mas como professora estagiária. São tempos mágicos. Trabalhar literatura infantil com a criançada é mágico!

Na voz deste caracol Rebelde e da tartaruga Memória encontra-se uma amizade peculiar, com um ensinamento que durará para a vida destes personagens que personificam muito bem qualquer um de nós.
Todos temos dúvidas, todos buscamos soluções, respostas para as nossas inquietações. É essa parte tão humana, tão nossa que nos faz aproximar destes personagens do prado do País do Dente de Leão ;)

Este livro de Luis Sepúlveda, brilhantemente ilustrado por Paulo Galindro transporta-nos para a luta pela liberdade e o ultrapassar de barreiras que nos são impostas pela nossa suposta condição, cultura, género, religião... seja lá o que for que seria suposto dar-nos qualidade e ferramentas, mas que só parece limitar-nos. É assim que se sente o Caracol que queria um nome e que é baptizado de Rebelde... pensem lá porquê!?

Este texto é transversal e para todas as idades já que também trava uma luta contra preconceitos e dá um alerta para o avanço da sociedade e a usurpação do espaço que a Natureza ocupa... e deve ocupar! Há também uma luta intrínseca e eterna, que é deve ser comum a todos: Quantas vezes ao dizermos "Sim" aos outros, estamos a dizer "Não" a nós mesmos!? É essa barreira que este livro também quer levantar.

Dito desta forma, quase parece uma fábula de auto-ajuda, de desenvolvimento e crescimento pessoal... mas efectivamente todo o bom livro dá-nos sempre ferramentas para crescermos e aprendermos. Todo o bom livro, faz-nos sorrir, mas também nos deixa a pensar.


Divulgar mais ilustrações seria cortar mais de 50% da piada deste livro. Aliás é quase um desafio, um chamamento, olhar a estas ilustrações e criar uma história, uma viagem só nossa.
Boas leituras e divirtam-se com este Rebelde!

Uma leitura com o apoio PORTO EDITORA.

Picnic Literário à moda do Efeito dos Livros... em jeito de despedida!


Era incontornável não referir o artigo publicado no Diário de Notícias, Caderno das Artes, no dia seguinte ao Picnic Literário com esta magnífica foto que nos deu tanto gozo tirar. A ideia de corrermos entre Tertúlias foi do Jorge Amaral, que captou perfeitamente como andávamos pouco depois do início do evento, quando ele e a jornalista Lina Santos chegaram.

FOTO Jorge Amaral, Global Images
Por isso, obrigada a ambos, Lina Santos e Jorge Amaral, o Efeito do Livros fica-vos muito gratos por este reconhecimento. É claro que para a vossa presença acontecesse foi necessário que a Joana Cardoso, da Lift e da organização da FLL, se lembrasse de dar destaque a este evento, que tão falado foi durante a Feira.
Foi um bom momento durante o decorrer da 2ª edição do Picnic Literário e o "estender a manta à literatura" é um excelente mote para futuros eventos. Obrigada!


Claro que, como os entusiastas da fotografia que o Efeito dos Livros tem (Elsa e Paulo) estavam ocupados, tivemos oportunidade de contar com o apoio e os brilhantes cliques dos nossos amigos, David Rosa e Neusa do Vale que já tiveram oportunidade de partilhar nas suas respectivas páginas (e nas quais incentivamos todos a fazer LIKE!) os seus olhares sob o Picnic Literário deste ano.

Álbum David Rosa Photography, aqui
Álbum Neusa do Vale Photography, aqui

As restantes fotos, são da Elsa ou montagens feitas pela Cris. Esperemos que gostem de todas e as procurem nos respectivos álbuns, comentem, partilhem e se quiserem vão nomeando os participantes.

Obrigada a ambos e a todos os que nos enviaram fotografias do evento. O álbum com as fotos encontra-se no nosso Facebook, se bem que pode e vai crescer. Passem por lá e vejam o registo da calorosa, mas animada tarde que passámos na Feira do Livro este ano.

Falha nossa, ficou a faltar a foto da equipa Efeito dos Livros, daquelas para a posteridade e uma ao grupo todo junto. No entanto, a de equipa, o Jorge, a Neusa e o David apanharam-nos no nosso melhor... aos saltos!

Fica uma tentativa de colocar a equipa no seu melhor!!!

Em jeito de conclusão, selamos o compromisso: À terceira é de vez!!! Para o ano lá estaremos e de preferência num dia mais fresco, mas igualmente repleto de sorrisos, boa disposição e conversas animadas sob o efeito dos livros (e comida, sim, comida para ser um picnic digno do nome!)

Um GIGANTE obrigada a todos!
A equipa do Efeito dos Livros

Novidades Topseller :: Jogo Arriscado de Janet Evanovich

Ora aqui está mais uma aventura da Stephanie Plum.
Esta mulher não para!


Sinopse
Depois de um verão fraco a perseguir burlões de baixo nível, Stephanie Plum, a caçadora de recompensas mais sexy de New Jersey, aceita finalmente um trabalho que pode pôr a sua conta bancária em ordem. 

Geoffrey Cubbin tinha sido preso por ter desviado cinco milhões de dólares de um lar de idosos, e aguardava julgamento. Internado de emergência com uma apendicite, desapareceu misteriosamente do hospital. Juntamente com os cinco milhões… 
Agora, Stephanie tem de encontrá-lo e devolvê-lo à justiça. Infelizmente, Cubbin desapareceu sem deixar rasto, e ninguém no hospital parece disposto a colaborar. A nossa heroína vê-se, assim, obrigada a aceitar ajuda da sua excêntrica avó Mazur, e a trabalhar lado a lado com o polícia mais cobiçado da cidade, e seu atual namorado, Joe Morelli. 
Pelo caminho, para conseguir pagar a renda (e enquanto não encontra Cubbin), Stephanie aceita um trabalho secundário como guarda-costas para o seu mentor secreto e antiga paixão, Ranger. 

Não era bem o que Stephanie queria, mas, contas feitas, uma intoxicação alimentar por envenenamento, ameaças escritas e um vestido de dama de honor com excesso de tafetá nunca fizeram mal a ninguém, pois não?

Esta série é composta pelos seguintes livros
 
Apenas tivemos oportunidade de ler o "Sorte Explosiva" mas vejam a nossa opinião.
A série da Stephanie Plum tem a dose ideal de diversão, acção, sarcasmo e intriga.
Não percam a oportunidade de conhecer esta série de Janet Evanovich.

Picnic Literário à moda do Efeito dos Livros...as Tertúlias.


Conforme podem ver na foto em destaque, realizamos seis tertúlias, se bem que verdadeiramente foram cinco, já que a Tertúlia do Tudo e do Nada, com a presença de inúmeros poetas da Associação Portuguesa de Poetas e da blogger Márcia Balsas (Blog PlanetaMarcia) se uniu à Tertúlia Portuguesa, pois assim fazia todo o sentido.
Na Tertúlia Portuguesa contámos com a presença, e acho que podemos dizer isto, do já habitual Miguel Miranda, que nos brindou com a sua presença e convidados, Paulo M. Morais e Cristina Drios para uma agradável conversa em torno de vários autores portugueses e também dos seus livros mais recentes que passo a destacar: Miguel Miranda - "A Fome do Licantropo e outras histórias", uma edição Porto Editora; Paulo M. Morais - "Revolução Paraíso", também Porto Editora e ainda Cristina Drios - "Os Olhos de Tirésias", uma edição Teorema.

Deixo-vos uma foto deste trio de autores portugueses e um livro comestível, como o próprio Miguel o intitulou ;) Bem como uma foto do grupo já completo e com participantes nas tertúlias.



Um grande obrigado ao Miguel Miranda, ao Paulo M. Morais e à Cristina Drios, bem como à Márcia Balsas e à Maria Melo, juntamente com os restante poetas e participantes destas tertúlias. Ficam as ideias já trocadas para a edição do próximo ano. Os inúmeros nomes de mais escritores portugueses e uma "visita" ao colectivo NAU, sem esquecer a Roda dos Livros.


Saltando de Tertúlia em Tertúlia foi mais ou menos o que o fotografo (Jorge Amaral) do Diário de Notícias nos colocou a fazer e foi verdadeiramente o que aconteceu com dois dos elementos da equipa do Efeitos dos Livros, já que uma das metades literárias é entusiasta e larga conhecedora da literatura erótica e de forma alguma a poderíamos deixar de fora da Tertúlia Erótica.

 Assim a Tertúlia Erótica contou com a presença da prata da casa, Elsa Rodrigues, como blogger e apreciadora do género, juntamente com a Isabel Almeida do blog Os Livros Nossos que em conjunto moderaram a pequena mas animada Tertúlia.
Como convidada e em representação da autora S. D Gold, a Tertúlia contou com a presença da Alexandra Louro, da chancela Ideia-Fixa da Alêtheia Editores.

Esta presença deu o mote para falar sobre o mais recente erótico português, "Hoje é melhor do que para sempre" entre outros títulos preferidos pelas participantes.

Certo é que os temas debatidos extrapolaram a literatura e os livros desta temática. Aliás até os poemas mais atrevidos marcaram lugar com a intervenção de um participante da Tertúlia do Tudo e do nada.

No entanto, uma das questões mais debatidas foi o boom de publicações deste género erótico, assim como a necessidade de se manterem anónimos tanto autores como leitores... e o assunto dava para um próximo debate e evento ;)


As Tertúlias foram decorrendo sempre num ambiente calmo e descontraído, aliás isso pode ver-se em diversas fotos, que aproveito já para partilhar, referindo as Tertúlia que estão em falta. Policial, Fantástica e Cinéfila.

  

A Tertúlia Policial contou com a presença do autor português Nuno Nepomuceno (Livro: "O Espião Português) e da blogger Vera Brandão (Blog Menina dos Policiais). O ambiente esteve sempre divertido ou não fosse a Vera uma entusiasta e "especialista" deste género literário. A conversa deambulou pelo que era esperados, os inúmeros autores do género, as adaptações para séries televisivas e filmes. A iniciativa também nos permitiu trocar mais algumas palavras com o autor de "O Espião Português" e percebermos que estas partilhas são sempre importantes e enriquecedoras. Gratos pelo vosso entusiasmo e dedicação.


Se o ambiente estava descontraído por aqui, entre títulos policiais, por entre títulos do fantástico, a autora Rita Vilela e a blogger Sofia Teixeira (Blog BranMorrighan) davam cartas pelo universo mágico e os personagens do fantástico. Ambas com larga experiência neste género literário, uniram perspectivas de escritora e leitora em parceria com os fãs do género. Numa Tertúlia recheada de dinâmicas, ou não fosse a Rita uma dinamizadora nata. Veja mais do trabalho da autora, aqui ou aqui. Muito obrigada a ambas.




Está ainda a faltar a Tertúlia Cinéfila, talvez a Tertúlia mais longa e de onde estava difícil arredar pé. Com a presença do autor e guionista Tiago R. Santos e dos cinéfilos e responsáveis pela página CulturArt esta foi uma Tertúlia bastante concorrida, bastante coesa e onde os temas não se esgotaram e pelo que parecia a conversa poderia ter durado até ser noite. Se em todas as Tertúlias muito se extrapolou para fora dos livros, aqui ultrapassaram-se livros, filmes, autores, polémicas, tendências... enfim, uma Tertúlia recheadas de interesses e interessados. Por aqui ficamos ainda a conhecer Rui Sousa (Espalha Factos) e Pedro Gomes, com quem o nosso Caracol Literário trocou contactos e ideias. A todos quantos os que fizeram parte um enorme obrigado!





Acreditamos que a experiência de ter juntado todas estas pessoas interessadas em livros e em tudo o que os livros nos proporcionam, tenha sido, de facto, marcante. Para nós foi! É claro que ficam sempre inúmeras ideias por concretizar, imensas dúvidas sobre o que poderia ter corrido melhor e uma vontade ainda maior de conseguir participar mais, conversando mais tempo com cada grupo, para "matar" a curiosidade do que foi dito e discutido. Por isso, acho que está mais do que combinado que esta ideia das Tertúlias é para deixar fluir e nos organizarmos para mais.

Mais uma vez ficamos gratas a todos os que marcaram presença. E não podia faltar o agradecimento à Margarida Rodrigues (Blog Tertúlias à Lareira) entusiasta e apoiante desde o início.
Agradecemos aos participantes, que mesmo sendo poucos, completaram muito bem cada Tertúlia onde se inscreveram. Curiosamente a adesão condicionada, principalmente pelo calor, pela horas... ou por outros factores, facilitou que moderadores se juntassem e também conversassem entre si, o que foi extremamente positivo.
Só podemos desejar que num próximo evento voltem a marcar presença!


"Firmin" de Sam Savage - Opinião

                                                     "Firmin" é o verdadeiro rato de biblioteca!
Nascido na Pembroke Books, uma livraria da Boston dos anos 60, Firmin começou cedo nos clássico, ou não tivesse ele nascido em cima de Joyce! Aprendeu a ler devorando, literalmente, páginas e páginas de inúmeros livros. Insaciável, as suas leituras e interesses conferem-lhe um humor e um perfil quase "humano" preso num corpo de ratazana... essa foi a sua tragédia!

"Tornei-me um cidadão bem informado e, quando o jornal mencionava o «o público em geral», sentia uma pontinha de orgulho." (pp.82)

Era assim mesmo que se sentia Firmin. Depois de muitas e muitas páginas devoradas, mesmo que de clássicos amarelados e já quase caídos em desuso, Firmin considerava um ser interessante (à parte do aspecto físico) e cheio de interesses. Era um ser culto, conhecedor de inúmeros autores e seus respectivos períodos literários, era um conhecer de cinema clássico e profundo apaixonado por Fred Astaire e a sua bela Ginger Rogers. Firmin era um frequentador assíduo ;) da livraria e do cine teatro da Scollay Square da velha Boston. 

Firmin não seria propriamente um BIBLIOBÚLICO, pois ele não esqueceu o mundo à sua volta, aliás passou a interpretá-lo melhor. Este rato de biblioteca, ou neste caso de livraria é mais um caso de BIBLIOBULIMIA. Ele era incapaz de parar. A ingestão literária era tão elevada que Firmin não se esqueceu do mundo, esqueceu-se sim do seu lugar típico no mundo. E é isso que é fantástico neste enredo. A autenticidade da paixão pelos livros. A forma enternecedora como é relata essa paixão. O amor inocente e platónico que desenvolve pelas personagens, pelos escritores, pelo livreiro... É a amizade, mas é também a solidão, é a imaginação fértil que o anima, mas a dura realidade que o abate, que o põe em risco.
Ao fim ao cabo, a literatura é capaz de ser um assunto violente e de colocar o leitor em risco de vida... em especial se for uma ratazana ;)

"Quando se tem fome, come-se o que há. O simples acto de mastigar e engolir seja o que for pode não alimentar o corpo, mas alimenta os sonhos. E os sonhos com comida são como os outros sonhos - pode-se viver deles até morrer." (pp.27)

É neste sonho que se alimenta e se firma na BIBLIÓFILO, dos seus observatórios suspensos, o Balão e a Varanda, Firmin apaixona-se por Norman e arrelia-se com algumas manias de outros leitores, como é o caso das dedicatórias, fazendo achar que os livros deveriam ser enterrados com os donos... A educação desta ratazana grotesca (descrição pelo próprio) evoluiu para além da Pembroke Books, estendendo-se às incursões no Rialto Theater, apaixonando-se por filmes antigos entre uma dentada num resto de uma pipoca ou de um rebuçado.

Porém, todo este equilíbrio educacional será posto em causa. "O futuro estava agora envolto numa neblina venenosa".

Sam Savage criou uma fábula muito rica e desenhada para brindar ao leitor apaixonado por livros. Um leitor que se reconheça em certas taras e manias de Firmin, irá apaixonar-se ainda mais por este livro.

Se por acaso e acredito que muito dificilmente não se apaixone por Firmin, apaixone-se e aprecie Sam Savage, em especial com o livro "O Grito da Preguiça", comentado aqui ou o mais recente "As Recordações de Edna", também lido e comentado aqui.


Uma leitura com o apoio PLANETA.

"Victoria" de Knut Hamsun - Opinião

Como eu senti (e questionei!) "Victoria" :
A impossibilidade de amor no romance platónico e imensurável de Johannes por Victoria. E sim, digo dele, porque para mim era amor só com um sentido. Não correspondido. Um amor gozado, um amor menosprezado.
As dúvidas de Victoria, a indecisão, a divisão social, o desprezo, mas ao mesmo tempo o alimentar da amizade, da presença, da amizade... atitudes nem correctas e possível para ele de suportar.
Essencialmente, este curto romance de Hamsun é a história de um não romance, de um desamor, de um desencontro. Da fatalidade do destino reservar uma condição social em lados opostos para estes dois jovens.

Neste primeiro contacto com a escrita do Nobel norueguês do que mais sinto falta são detalhes, são construções mais densas, personagens mais fortes. Talvez erre e interprete erradamente e esteja tudo lá, nas poucas palavras, nas descrições breves, nos diálogos quase telegráficos.
Os desaparecimentos constantes, sejam de Johannes, para se refugiar na escrita ou os dela, para, ora aparecer ou desaparecer da vida dele e a pouca explicação sobre o fenómeno da educação de Johannes e de como surge escritor... não há referências à sua educação...
O amor e a escrita como processo de introspecção, de cura, de delírio, a dor de parto de um livro “nove meses de trabalho (pp.56)”... tudo isso me parece brilhante, mas realmente muito deixado à capacidade de ler nas entrelinhas, ler o que não lá está.

Por exemplo, a personagem do professor é um prenúncio do seu destino!? Até certa parte é Johannes que temos ali? E o delírio total, (páginas 113-115) – o relato do monge Vendt e o homem que se desfigura.

Porém, o que lá está é bom. Sem dúvida. É bem escrito. E mesmo que o livro não tivesse mais nada, valeria apenas por esta passagem, a qual não me inibi de transcrever na integra.

O que é o amor? (pp.31)
“Mas o que era o amor? Um vento que sussurra entre as rosas? Não, uma fosforescência amarelada no sangue. O amor era uma música de um fervor infernal, que pode fazer dançar o coração dos velhos. Era como a margarida que se abre totalmente com o aproximar da noite, era como uma anémona que se fecha ao mais ténue sopro e morre quando é tocada.
O amor era isso.
Podia destruir um homem, reerguê-lo para o destruir de novo. Podia amar-me a mim hoje, a ti amanhã e a ele à noite, de tal modo era inconstante. Mas também podia permanecer solidamente intacto, como um selo lacre inviolável e podia arder inextinguível-mente até à hora da morte, porque era eterno. O que era então o amor?
Oh! O amor é uma noite de verão com estrelas no céu e fragrâncias na terra. Mas porque encoraja o jovem a fazer desvios e porque leva o velho a erguer-se na ponta dos pés no seu quarto solitário? Ah! Porque o amor transforma o coração do homem num jardim de cogumelos, um opulento e vistoso jardim, onde cresce o cogumelo misterioso e audaz.
Não é o amor que incita o monge a entrar de noite nas cercas dos jardins para espiar às janelas as belas adormecidas? Não é ele que enlouquece a monja e faz perder a razão à princesa? Não é ele que faz com que o rei ande com a cabeça rente ao chão, com os cabelos a varrer o pó, ao mesmo tempo que murmura palavras impudicas, ri e põe a língua de fora?
O amor era isso.
Não, não, era uma coisa muito diferente, uma coisa única. Veio à terra numa noite de Primavera, quando um jovem viu dois olhos… dois olhos. Olhou fixamente e viu.
Beijou uma boca e houve um encontro de duas luzes no seu coração, um sol que brilhou dentro de uma estrela. Caiu num abraço e não viu nem sentiu mais nada no mundo.
O amor é a primeira palavra de Deus, o primeiro pensamento que atravessou o seu espírito. Quando ordenou «Que se faça luz!», foi o amor. Tudo o que criara era muito bom e estava contente por tê-lo feito. E o amor foi a origem do mundo e o dominador do mundo, mas todos os seus caminhos estão semeados de flores e de sangue, de flores e de sangue.”


É um amor que sacode o corpo, mas não acode à alma, um coração que se sente incompleto. É a desistência face à fraca tentativa dela.
E nessa conclusão ora idílica ou (quase) nefasta que o livro é brilhante. De resto, tudo o resto está lá para fundamentar esse binómio que é o amor.

São episódios de delírio que não se distinguem da realidade. Escasseia nas poucas referências temporais. Surgem relatos que parecem ideias/cenários para o livro ou para um futuro dele e de Victoria, como se fossem chegar a velhos, juntos...

A escrita de Hamsun relata alterações pelas estações do ano que são breves mas brilhantes, que revelam uma capacidade extraordinária de dizer muito em poucas palavras, é uma capacidade de síntese que abarca um cenário enorme, natural e que engole os personagens.
Uma ligação maior à natureza.
“Existe uma espécie de amor que é muito inebriante.” E talvez o mais inebriante seja mesmo a Natureza.

Uma leitura cheia de arestas. Uma vontade de continuar a ler Hamsun, mas um certo tédio pelo lado banal e previsível destes amores tão fatais.
Fica já no final, outra aresta - A carta final de Victoria é um lamento, é um pedido de perdão por tê-lo praticamente desprezado constantemente? É a amargura de reconhecer que morreu sozinha e sem se realizar amorosamente, mas ao mesmo tempo agradece-lhe o amor que ele sempre lhe teve?!?

Outra dúvida: O pai de Victoria suicida-se depois do futuro genro morrer no (estranho) acidente de caça?!?
... Enfim, talvez o amor, assim descrito e posto de forma tão conturbada, mas simultaneamente tão simples, não seja para ser questionado, seja apenas para ser sentido.

*
Uma edição Cavalo de Ferro

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Novidades Topseller :: "Em Segredo" de Catherine Mckenzie

Que belíssimas novidades para Julho.
Cada mês que começa traz tantas novidades boas quem nem sabemos bem por onde começar.
Esta sinopse lembra-me uma história que um dia me contaram. Estou curiosa.


Sinopse 
 Ao regressar a casa, vindo do trabalho, Jeff Manning é atropelado por um carro e morre. Duas mulheres ficam desfeitas perante a notícia: a sua esposa, Claire, e uma colega de trabalho, Tish. Destroçada com a sua perda, Claire tem sobre os ombros o dever de confortar o filho, e ainda de lidar com os preparativos para o funeral e com a chegada do irmão de Jeff, com quem namorara anos antes. Tish, por seu lado, voluntaria-se para estar presente no velório em nome da empresa, mas apenas ela sabe a dor que realmente sente. 
Contada através das vozes de três pessoas, Jeff, Tish e Claire, a narrativa de Em Segredo explora a complexidade das relações, as repercussões das nossas escolhas individuais e a responsabilidade que temos perante aqueles que amamos.

Uma novidade

Picnic Literário à moda do Efeito dos Livros... em jeito de balanço!

Parece que ainda foi ontem que a azáfama decorria e se alinhavam os últimos preparativos para aquela que (já!) foi a 2ª edição do nosso Picnic Literário.
Uma semana (quase duas!) já decorreu sob aquele que foi o segundo evento organizado pelo Efeito dos Livros.
O 2º Picnic Literário decorreu no feriado do 13 de Junho, com o Sto António a brindar-nos com temperaturas superiores a 30º e até a 35º, deixando muita gente, e a nós também, a temer o calor abrasador que se faria, e fez, sentir! Assim, fugindo do sol abrasador nesta 84ª Edição da Feira do Livro de Lisboa, o picnic refugiou-se nas sombras das muitas árvores que ladeiam o Parque Eduardo VII.

Se em 2013 o desafio foi conseguir, por parte da organização da Feira, a autorização para realizar o evento no espaço central, este ano, os desafiados fomos nós quando nos foi proposto a repetição do picnic.
Ainda hoje parece mentira como após tantas reviravoltas, contratempos e até com os termómetros contra nós, conseguimos organizar um evento que correu tão bem e do qual temos feedbacks positivos.

O desafio desta 2ª edição era inovar e promover outra dinâmica. Assim, a organização em tertúlias temáticas foi o desafio que colocamos a nós mesmas e fracamente foi trabalhoso, mas o resultado esteve diante dos nossos olhos e o feedback que recebemos dos participantes foi toda a compensação de que necessitávamos para acreditar que tínhamos feito um bom trabalho.
Embora o evento realizado em 2013 tenha sido um sucesso (permitam-nos a vaidade!), sabíamos que deveríamos subir a parada, ou não fossemos nós pessoas que gostam de ir sempre mais longe e de testar as suas próprias limitações. E que limitações! Não é fácil, a logística e as exigências de tanta coordenação, entre participantes, moderadores, organização, editoras…


A ideia de organizar os participantes por tertúlias surge da necessidade que ficou do ano passado, de se conseguir que pessoas, mesmo sem se conhecendo, se juntasse e falassem de livros. Julgámos que os temas, os géneros literários fossem um bom motivo para que as pessoas se unissem e conversassem.

Num brainstorming pós jantar familiar, que isto para além de equipa, somos família... e lá surgiram as ideias para organizar as tertúlias. A ideia inicial foi sempre a de unir bloggers e leitores, pois como blog que somos, pensámos num evento entre bloggers. A ideia fazia todo o sentido! Claro que extrapolar e convidar autores fazia ainda mais sentido e enriquecia ainda mais cada tertúlia.
No entanto, gerir toda a mecânica deste evento não foi fácil e a comunicação entre blog, organização da Feira, não é a mais fácil. Envolve toda uma série de condicionalismos e fez-nos pensar no sentido de todo o evento.

Ainda assim, foi bom que tudo tenha ido para a frente e nos proporcionasse a todos uma tarde bastante agradável, apesar de quente! Foi uma excelente oportunidade para conviver e conversar com todos quantos os que fizeram parte desta iniciativa, fossem convidados, fossem participantes.

Aproveitamos para deixar o link para os cartazes e conhecerem os nomes dos que estiveram presentes no evento. Não que vá faltar oportunidade de referi-los a todos num post seguinte sobre as Tertúlias Literárias.


Mosaico de fotos de David Rosa Photography


Mosaico de fotos de Neusa do Vale Photography

Desde já grata aos amigos fotógrafos que nos permitem ver a bons olhos que isto realmente aconteceu ;)

Aguardem agora pelo post seguinte... as tertúlias!

"Alguma esperança & Leite materno" de Edward St Aubyn


Depois do brilhantismo em "Deixa lá + Más novas", a Sextante dá continuidade a este quinteto de histórias em torno da vida da família Melrose.


Bastante aclamado pela crítica, Edward St Aubyn deixa-nos acabrunhados e envoltos num emaranhado filosófico que cria em torno do enredo, dificultando por vezes o ritmo da leitura, mas também, elevando-o!

Leia as primeiras páginas de "Deixa lá", aqui.
E as primeiras de "Alguma esperança", aqui.

*
« Se tens um talento, usa-o. Ou serás infeliz o resto da tua vida.»

 No 3.° romance do quinteto em torno da vida de Patrick Melrose, este começa a deslindar, refletindo sobre o inesperado conselho que o pai em tempos lhe dera, o carácter do homem que por pouco não lhe destruiu a vida. Entretanto, é o convidado relutante e crítico de uma festa que reúne a flor da aristocracia britânica, a nata dos arrivistas e a acerba princesa Margarida. 

 Críticas de imprensa 
«Leite materno é uma obra-prima.» 
Miguel Esteves Cardoso

Uma novidade Sextante Editora

Novidades Topseller :: Dominada de K. Bromberg (Erótico)

Elsa, quando é que vais deixar de ler livros eróticos?
Ah....nunca?!
Depois de ler os dois primeiros volumes da trilogia de J. Kenner, não quero perder a oportunidade de ler a outra autora escolhida pela Topseller para ser editada em Portugal.
(e para quem não sabe, a FNAC oferece o Liberta-me na compra desta novidade!)

Data de lançamento: 3 de Julho

Sinopse
Guiados pelo destino, incitados pelo desejo. Embateram no amor numa corrida sem tréguas. Rylee Thomas sempre teve a sua vida sob controlo. Até conhecer um homem que a deixou completamente rendida. E descobrir como pode ser tão bom deixar-se dominar… 

Num mundo cheio de mulheres fáceis e disponíveis, eu sou um desafio para o soberbo, e incrivelmente belo, Colton Donavan. Um homem habituado a fazer exatamente o que quer em todos os aspetos da sua vida. Ele é o bad boy imprudente que pisa constantemente o risco, dentro e fora da pista de corrida. Colton surgiu na minha vida como um furacão: destruiu a minha sensação de controlo e testou as minhas fraquezas e limites. Ele dilacerou o mundo disciplinado e previsível que eu cuidadosamente reconstruíra. 
E, por tudo isso, eu não posso dar-lhe o que ele quer, e ele não pode oferecer-me aquilo de que preciso. Mas como posso virar-lhe as costas depois de ter descoberto que, por entre o fascínio que o rodeia, ele possui uma alma atormentada e esconde os mais negros segredos?
A nossa química é inegável. A nossa necessidade de controlo é irrefutável. 
Mas quando os nossos mundos colidem, será o desejo o suficiente para nos juntar? 
Ou será que os segredos que guardamos vão acabar por nos afastar?

Uma novidade 

O novo livro de Liliana Lavado - "Encontro em Itália"

Depois de "Inverno de Sombras", Liliana Lavado traz-nos um romance que já está a arrebatar leitores. 


« Excerto »
Sinopse 
"Encontro em Itália" revela a história de dois amigos de infância: Henrique e Sara que pouco têm em comum, para além de uma paixão por livros e uma amizade que ambos já deram como perdida. Após vários anos afastados, ele é agora um estudante finalista de Literatura Inglesa que olha com receio os dias fora das paredes seguras da Universidade e ela uma aspirante a escritora que se esvanece no tumulto de um grupo de amigos problemáticos. 
 Durante uma viagem a Itália, que tem tudo para ser perfeita, vão encontrar um livro misterioso, um gato com um estranho sentido de humor e uma inesperada aventura que os volta a juntar no mesmo caminho. Henrique e Sara podem ter encontrado um no outro o pretexto que tanto procuravam para adiar decisões e contornar o futuro.


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