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sábado, 30 de abril de 2016

«A Vingança serve-se quente» de M. J. Arlidge - Opinião


"- O maço de cigarros tinha algo a envolvê-lo, algo que derreteu com o calor e que se fundiu para sempre com ele. Penso que se terá tratado de um elástico. É um truque comum entre incendiários."

É exactamente assim que eles estarão, fundidos. Ambos unidos pela falta de amor e de compreensão, mas também pela sede de vingança e de mostrar ao mundo, o que o mundo deles não lhes ofereceu. 

Arlidge traz-nos neste seu quarto thriller policial violentos incêndios que unem a história de várias famílias que se vêm dilaceradas perante a violência que alastra por toda a cidade. Uma onda de crimes que Helen Grace e a sua equipa não entendem e que não parece ter justificação ou ligação aparente. 

É entre duas noites gélidas que voltamos a Helen e Charlie, as inspectoras a que Arlidge já nos acostumou, e às suas dúvidas pessoais e profissionais. Porém, saboreamos pouco dessas vidas e da suposta calmia que lhes pauta os dias, já que seis violentos incêndios deflagraram em menos de 24h. 
Southampton estava a arder!!!

Este novo enredo traz-nos inúmeras novas personagens que serão o centro das atenções da Unidade de Incidentes Graves, conferindo a velocidade, o horror e a violência a que o autor já nos habituou. Ainda assim, Helen e Charlie têm as suas vidas a decorrer e talvez a irem por caminhos que menos apreciam, vontades contra as quais têm de combater. Ainda assim, senti, ao longo de todo o livro, que se abordou pouco, ou menos, destas duas vidas e talvez fosse delas que eu mais quisesse saber.

"Ali sentada, emoldurada pela enorme janela panorâmica e a ver a sua silhueta no escuro, Helen era a própria imagem da solidão silenciosa."

Julgo que há muita desta solidão silenciosa a pairar sobre todo o ruído que há neste enredo até se chegar às conclusões finais. A solidão e a falta de amor são gritantes e abordadas de forma bastante incisiva, demonstrando a vulnerabilidade e as brechas enormes que abre nas personalidades de cada um, tanto mais jovens como adultos já "feitos". 

O autor traz inúmeros temas e flagelos sociais para dentro deste livro, tornando-o muito actual e muito real face a alguns dos problemas que as famílias aqui retratadas enfrentam. Os lares destroçados, fruto de coisas tão diversas como: desemprego, divórcio, famílias monoparentais, violência doméstica ou abusos infantis, são algumas das preocupações que tornam o livro angustiante e capaz de se aproximar em muito à realidade, talvez cumpra até um papel social, alertando para o desespero que se esconde atrás de acções poucos claras e que os demais julgam e repreendem. 

Convêm ainda referir que Emilia Garanita continua activa e boa saúde e claro, a dar as habituais dores de cabeça à inspectora-chefe, mas até ela esteve um pouco mais apagada nesta acção. A dada altura julguei que uma nova reportagem e a sede algo sumarento e tóxico que a fizesse subir na carreira, fosse colocar a descoberto Helen Grace. Eu queria que os seus segredos mais obscuros fossem revelados ao público em geral, devido aos riscos que decidiu correr e já sem Jack, pensei que fosse neste volume que se desmoronassem, mas ainda não. Há segredos que continuarão guardados e novos que se revelam aos olhos do leitor. 

Quem sabe se com a vinda do autor a Portugal chegam novidade; desta vez entre Grace e Gardam. Será ele, que em posição superior e de domínio virá a exorcizar os traumas e a solidão dela!?
Que se abram novas hostilidades.


Uma leitura com o apoio TOPSELLER




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