sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Novidade Edições ASA :: "Mr. Vertigo"


Data de lançamento :: 29 de Agosto

"Tinha doze anos quando caminhei sobre as águas pela primeira vez." 

Assim começa a história de Walter Claireborne Rawley, conhecido em toda a América como o Rapaz Prodígio. Estamos no final dos anos 20, a era de Al Capone, Charles Lindbergh e Babe Ruth. Walter é um órfão resgatado das ruas pelo misterioso Mestre Yehudi, que o alicia com a promessa de o ensinar a voar. Um desafio às leis da Natureza que os coloca numa situação peculiar perante o Homem, Deus e o Universo. Unidos por tão bizarra combinação de espiritualidade e mundanismo, mestre e discípulo percorrerão uma vasta e vibrante América, onde se cruzam com pecadores, ladrões e vilões, desde o Ku Klux Klan do Kansas até à máfia de Chicago. A ascensão de Walt à fama e à fortuna espelha, em última instância, a passagem da América à maioridade; a capacidade de adaptação e resistência de ambos é constantemente posta à prova, numa história que podia ser a de cada um de nós. Num romance que contempla com naturalidade o lado mágico e improvável da vida, é-nos revelado um segredo: voar, afinal, é fácil.

Uma novidade

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Resultado de imagem para estoril um romance de guerra

O «Estoril, um romance de guerra» no Livro do dia TSF

Entramos neste livro, recheado de episódios verdadeiros,que fizeram parte da História da Segunda Grande Guerra e tornaram o Hotel Palácio num dos refúgios da Europa, pela mão de Gabi, uma criança de dez anos que chega sozinha ao Hotel Palácio e ali ficará à espera dos seus pais.

O destino de Gabi foi como o de tantos outros que se refugiram neste cantinho idílico e mais seguro, fugindo às perseguições da Guerra e aos possíveis desfechos mais violentos. Apesar de seguro, não era um ambiente isento de ameaças e a prova disso eram os inúmeros espiões e este livros trá-los para dentro do enredos, cruzando a espionagem com as particularidades de cada história. 

"O rapaz não gostou da resposta por esta ser pouco lógica. 
- Estás a exagerar. O que há de insuportável aqui? Isto é um lugar bonito. 
- É um lugar lindíssimo. Parece-me uma espécie de paraíso, claro e triste. Quando vejo estas pessoas, não sinto indignação, nem ironia, mas uma vaga angústia, a mesma que nos assalta num jardim zoológico perante os sobreviventes de uma espécie em extinção. Vestem-se para jantar como noutros tempos. (...) Esforçam-se por experimentar a esperança, o desespero, o medo, a inveja e a satisfação. Tal como seres vivos. É irreal. Lembra um verdadeiro baile de fantoches, mas é triste."

Em tempos conturbados como os actuais, importa reforçar e relembrar a posição de muitos refugiados e aqui neste «Estoril» encontramos refugiados e exilados, nazis e aliados, judeus e cristãos. Ou seja, tanto as vítimas como os carrascos pautam os episódios que Stankovic escolheu. 

"- O mérito não é meu. Isso é de família. Um envelhece como uma catedral, outro como um chinelo, mas na velhice não é fácil nem para um nem para outro. (...)"

A forma como vamos acompanhando Gabi e as suas amizades e a forma meio inocente como o pequeno se vai criando e formulando as suas ideias é, a meu ver, a parte mais interessante do livro e a ligação ao livro «O principezinho» está bastante bem misturada com os factos que lhe são narrados e que fogem à sua compreensão.  

Os momentos de tensão são equilibrados com os períodos mais documentais e os diálogos ajudam a amenizar o clima do exílio. Cabe realmente ao leitor decidir se lê este livro como um romance meramente ficcionado ou se tem curiosidade por ir descobrir todos os detalhes verdadeiros. De uma forma ou de outra julgo que é um livro capaz de agradar a muitos leitores.

*
Dejan Tiago-Stankovic viu o seu romance premiado na Sérvia, país onde nasceu e para onde tem levado alguns dos autores portugueses, fruto do seu trabalho de tradução e o mesmo tem feito com autores sérvios, traduzindo-os cá. 
*
Book Builders / Letras Errantes, Lda

Novidade Edições ASA :: "O Caçador de Sonhos"


Data de lançamento :: 29 de Agosto

O aventureiro Lord Winter está determinado a encontrar e levar para o seu país uma égua lendária, que se diz estar algures na península árabe. Para tal, promete a um jovem e assustado beduíno que lhe pagará um bilhete para Inglaterra se ele servir de guia na sua busca. A dupla enfrenta as escaldantes areias do deserto numa travessia que encerra inúmeros perigos e que os une numa relação de feroz lealdade e confiança. Mas, escondida sob as vestes humildes do guia, está uma mulher: Zenia Stanhope, filha da extraordinária Rainha do Deserto. Zenia cresceu à sombra da mãe, uma mulher tirânica e egoísta, e não partilha com Lord Winter o gosto pela aventura. O seu único desejo é encontrar o pai em Inglaterra, e deixar para sempre a vida no deserto. Mas uma noite de terror vai unir - e mudar - irremediavelmente as suas vidas. Quando, por fim, Zenia consegue fugir para Inglaterra, espera-a um mundo de elegância e conforto. Para trás fica o lorde solitário que conquistou o seu coração... até ao dia em que também ele regressa e invade o espaço por que ela tanto lutou. Agora, Zenia terá de escolher entre conforto e amor. Terá ela a coragem de cumprir o seu destino?


Uma novidade

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Novidade Nova Delphi :: "A Travessia"


A Travessia é a Síria; é o testemunho sobre como se destrói um país, sobre os seus múltiplos agressores, sobre como se sepulta quem o habita. Empresta voz aos que ficaram, aos que resistem, aos que sobrevivem. E dá-lhes um rosto, um nome ? o perigo de os tornar realmente próximos de cada um de nós.

«Com imagens de selvajaria que fazem de nós monstros com coração de pedra, a máquina global da comunicação social apregoa um bárbaro cinto de transmissão de atualizações que se certifica que cada vítima seja esquecida assim que a seguinte apareça, fazendo crescer uma nauseante familiaridade da magnitude da morte. Consumimos as notícias e de seguida deitamo-las fora com o lixo.
É nisto que os sírios se transformaram em quatro anos.» (do Epílogo)

Samar Yazbek, autora e jornalista Síria, nascida em 1974. Esteve envolvida no Women Initiative Organization, pela defesa dos direitos da mulher e da criança, no Liberties, pela liberdade de expressão jornalística, e na Women of Syria, uma publicação digital feminista.
Voz controversa e opositora ao regime de Bashar al-Assad, integrou os protestos de 2011, razão pela qual foi detida e obrigada a exilar-se em Paris. Da sua obra de ficção destaca-se Cinnamon e The mountain of Lilies (2008) e In Her Mirrors (2010).
Em 2011 publica A Woman in the Crossfire: Diaries of the Syrian Revolution, obra traduzida para vários idiomas e que recebeu o Prémio PEN|Pinter, no Reino Unido, o Prémio PEN|Tucholsky, na Suécia, e o Prémio PEN|Oxfam Nobiv, na Holanda.

Uma novidade

Opinião "O desejo mais escaldante" - 2º Livro da Série S.I.N de J. Kenner

Amigos, irmãos, amantes
Oh meu Deus, tudo isto é errado aos olhos do mundo mas nunca nada pareceu tão certo a Jane e Dallas.


Quem leu o primeiro livro da série sabe, Jane e Dalas só são irmãos porque tiveram o azar de serem adoptados na mesma família. Não há laços de sangue a uni-los, só um passado familiar e um sentimento que ultrapassa o decoro, o bom senso e a auto preservação. Mas tendo em conta tudo o que passaram quando foram raptados na adolescência, a história entre eles continua a ser a pedra de toque para ambos, que os impede de andar à deriva e que os faz voltar a casa.

À semelhança do primeiro, devorei este livro em 2 dias ou menos.
J. Kenner sabe bem como me agradar, em termos de história e "entretenimento".
Quem é que não ficou rendida à série Stark?
Eu não posso dizer nada sobre trilogia Stark International porque ainda não a tenho mas eles bem que aparecem aqui. Adoro como a autora os entrelaça todos :)
Mas voltando à história...

Jane e Dallas estão mais próximos que nunca, pelo menos nos limites das quatro paredes que os rodeiam.
Se por um lado vivem com vontade de se assumirem ao mundo, por outro não querem chocar a família e antagonizar os seus pais.
Além disso há ainda muitos detalhes que não conseguem ultrapassar, além dos ciúmes e dos segredos.
Quem leu o primeiro SABE do que eu estou a falar e não é um detalhe NADA pequenino!

E quando Dallas percebe que alguém que lhes é muito próximo pode ter sido responsável pelo rapto de ambos, tudo ganha novos contornos.
Por mais sinceridade que prometam um ao outro, há segredos que Dallas continua a ocultar para não magoar a mulher que ama e quando a verdade vem à superfície cava um buraco tão grande entre ambos que existe probabilidade de nunca de lá mais saírem.

Uma história desafiante que faz com toda a certeza subir os termómetros este verão. "O Desejo Mais Escaldante" é um segundo capítulo muito completo que nos dá uma visão aprofundada sobre estes dois mas também nos permite expandir o horizonte sobre o que os rodeia e tem sido a sua vida desde o rapto.

Mal posso esperar por ler o terceiro livro, especialmente depois daquele fim.
Será que há ciclos que nunca se vão quebrar?

"O desejo mais escaldante" é uma novidade

Relembro a opinião ao primeiro livro

Novidade Dom Quixote :: "Atos Humanos"


Data de lançamento :: 29 de Agosto

Em 1980, por toda a Coreia do Sul, os estudantes revoltaram-se contra o fecho de universidades e a falta de liberdade de expressão. Porém, na região de Gwangju, a repressão foi tão violenta que a população acabou por se juntar ao protesto, dando origem a um dos piores massacres na história do país. Os mortos e desaparecidos ainda estão, de resto, por contabilizar. Como lidar com a morte de alguém quando o seu corpo não aparece? Esta é a história de Dong-ho, um rapaz que não resistiu a seguir o melhor amigo até à manifestação, mas, quando ouviu os tiros, largou-lhe a mão, procurando-o agora entre os cadáveres de uma morgue improvisada. E é também a história dos que cruzaram o caminho de Dong-ho antes e depois dessa noite infame - os que caíram por terra desarmados e os que foram levados para a prisão e torturados; os que sobreviveram ao terror mas nunca mais conseguiram falar do assunto e os que, tantos anos passados, sabem, tal como Han Kang, que a história pode repetir-se a qualquer momento e que é preciso lembrar os atos brutais de que os humanos são capazes. Este é um romance universal e moderno sobre a batalha que os fracos travam contra os fortes na luta pela justiça.

Uma novidade

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Opinião "A História de uma Serva"


No início do ano disse "a minha leitura de verão será A História de uma serva". Talvez tenha sido influência dos ventos de mudança que ocorrem nos Estados Unidos, talvez seja a maturidade que me faz querer leituras diferentes ou talvez seja a adaptação da história ao pequeno ecrã que me influenciou a incluir este livro mas minhas leituras mais imediatas. Seja qual for a razão, esta é sem dúvida uma leitura que não vou esquecer tão cedo. Talvez por ser tão assustadoramente possível ou talvez porque na plenitude da minha liberdade actual ache abismal o que me é sugerido em comparação com a minha realidade.
A questão é....
Será que é?


No mundo actual há Gileade(s) por esse mundo fora, onde as vestes não são vermelhas mas onde o mundo se rege pela mente do homem, pelas leis de qualquer que seja o deus que se professe e em que a mulher não é mais que um objecto para ser usado e deitado fora quando já não cumpre o propósito que lhe foi atribuído.
Será que caminhamos inevitavelmente para isto, a nível mundial?
Com todo o poder que temos (ou nos é dado a querer que temos) será que estamos a fazer tudo ao nosso alcance para impedir que um dia as mulheres não estejam ainda mais à mercê da vontade dos homens?

Um livro poderoso, uma leitura que aconselho a toda os leitores, femininos ou masculinos.
E depois, VEJAM A SÉRIE!
Está soberba!

Fica o Trailer.

E a autora ficou-me no radar. Vou colocar o nariz nos seus outros livros.

Passatempo Editorial Presença :: "O EFEITO ROSIE"

Por aqui ADORAMOS o livro "O Projeto Rosie" 
Por isso, não podíamos perder a oportunidade de ler e sortear o segundo livro desta hilariante história do Don e da Rosie.


Passatempo termina dia 13/08/17

Para se habilitar ao passatempo, preencha o formulário abaixo e siga as regras dos nossos passatempos:

ATENÇÃO - REGRAS:
- O preenchimento do formulário é obrigatório para se habilitar ao passatempo.
- Podem participar todos os dias, basta voltar a preencher o formulário e partilhar o passatempo nas redes sociais.
- Só serão apuradas participações de fãs e/ou seguidores do Efeito dos Livros
- Ser fã e seguidor, duplica as hipóteses de ganhar.
- Só aceitamos participações de residentes em Portugal.
- Sorteamos os prémios no random.org entre todos as participações.
- Não nos responsabilizamos por nenhum extravio. O envio do prémio será efectuado pela editora.

Uma passatempo em parceria com 

«Caderno de MEMÓRIAS COLONIAIS» de Isabela Figueiredo :: Opinião



"Era África, inflamante, sensual e livre. Sentia-se crescer por debaixo dos pés. tremia. Um coração inchado. Era vermelha. Cheirava a terra molhada, a terra mexida, a terra queimada, e cheirava sempre."

"Nesse momento houve um vácuo de tempo em que não fomos pessoas, não tivemos culpas nem prazeres; nada humano - só nós; senti ao longe o odor da sua carne transpirada, ácida e doce, que era a minha, dos seus ombros e rosto, um abraço que não pudemos desapertar nunca; e ainda não, e em lugar nenhum, nunca, porque não era apenas um abraço, mas uma aliança invisível, muda, que mantínhamos, à qual fui fiel mesmo quando o traí."

«Caderno de MEMÓRIAS COLONIAIS» de Isabela Figueiredo é uma declaração de amor a Moçambique e ao pai. Um paixão e uma admiração quase secretas e caladas. Uma declaração de memórias conturbadas e pesadas, mas escritas de uma forma que fluí no leitor e só apetece agarrar e ler sem parar. O mesmo aconteceu aquando da leitura de «A Gorda» e tenho vontade de dizer que este livro supera o outro, não fosse a estrutura de casa que o outro tem. Este pode ainda ganhar pelos segredos que se revelam e o lado ainda mais cru e desempoeirado. 

Isabela transporta o leitor para onde ela quer e é isso que se torna inesquecível na sua escrita, no seu relato íntimo e sem pudores. Lourenço Marques, o colonialismo e o racismo, as abruptas diferenças, o trabalho e a imagem; as rendas das suas roupas, os cães famintos e os restos que componham as vidas dos pretos; os pretos só por si, renegados para último plano; a metrópole e as políticas que estavam lá longe, tão longe como o horizonte; o 25 de Abril e a inversão da história, a violência e o peso de uma catana; o calor e a terra queimada... tudo isto e muito mais. Tudo cabe na escrita deste Caderno.

"«Os negros mataram, à catanada, o marido e os filhos da Conceição, no Infulene; lembra-te disto, desmembraram-no todo, estava espalhado no milheiral... foi o teu pai que lhe encontrou os bocados...!»"
(...)
Na metrópole não conheciam a catana. Seria necessário descrever as características e potencialidades dessa arma. Só depois contar, 
Largas como as do talho, a maior parte, mas longas, com lâminas largas, ligeiramente curvadas (...) A catana podia transformar qualquer corpo vivo numa massa aleatória e informe de órgãos. Em segundos. Era um instrumento de morte e poder como nenhum outro. (...)"

No Caderno cabe também e não podia faltar a morte, o desterro, o desenraizamento, a solidão, a pobreza, a recriminação e a culpa e tantos outros sentimentos que vão sendo expressados ao longe de pouco mais de duzentas páginas. 

"Um desterrado é também uma estátua de culpa. E a culpa, a culpa, a culpa que deixamos crescer e enrolar-se por dentro de nós como uma trepadeira incolor, ata-nos ao silêncio, à solidão, ao insolúvel desterro."

Nesta trepadeira de memórias que se apoderam desta escrita ficou só a falta uma epígrafe sonora como «A Gorda» tem.

*
Recomendo vivamente a leitura de ambos os livros de Isabela Figueiredo.
Livros Editorial Caminho

Novidade Editorial Presença :: "Vitória - A Jovem Rainha"


Data de lançamento :: 18 de Agosto

Com apenas dezoito anos, Vitória torna-se rainha da mais poderosa nação do mundo. Mas será monarca de pleno direito ou uma marionete nas mãos da mãe e do sinistro Sir John Conroy? Conseguirá esta jovem frágil fazer-se respeitar por homens como o seu tio, o Duque de Cumberland, que consideram as mulheres demasiado histéricas para governarem? 

Todos querem vê-la casada, mas Vitória não tenciona casar por conveniência com o seu primo Alberto, um tímido devorador de livros, que nem sequer sabe dançar. Ela prefere reinar sozinha, apoiada pelo seu Primeiro-Ministro, Lord Melbourne, com idade suficiente para ser seu pai, mas o único que consegue fazê-la rir e que acredita que ela virá a ser uma grande rainha.

Uma novidade


Novidade Edições ASA : "A Mulher Secreta"


Sai dia 29 (site da Leya dia 22)

Sinopse
O que faria se descobrisse que a sua vida não é sua? Louise tem tudo para ser feliz. Gere um café que adora numa ilha dinamarquesa, onde mora com o namorado, Joachim. E Louise é, de facto, feliz. Até ao dia em que um homem entra no café e vira a sua vida do avesso. Trata-se de Edmund, que jura que Louise se chama, na verdade, Helene, e é a sua mulher, desaparecida há três anos. E tem provas... Depressa se torna evidente que Louise não é quem julga ser. É, sim, Helene Söderberg, herdeira de uma vasta fortuna, proprietária de uma grande empresa, mãe de dois filhos pequenos e casada com um marido dedicado. Mas há perguntas que permanecem sem resposta. Porque é que ela não se lembra de nada? Quais são os seus planos para o futuro quando desconhece por completo o passado? Conseguirá recuperar o amor dos seus filhos? E os sonhos que partilhou com Joachim? Obrigada a retomar a sua vida misteriosamente interrompida, Helene é posta à prova de uma maneira tão brutal quanto comovente. Mas no seu coração continua a existir um lugar especial para Louise, a mulher que, por momentos, viveu a vida dos seus sonhos. Um thriller romântico intenso e visceral sobre traição, ganância, laços de família... e um amor avassalador.

Uma novidade

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

«BENJAMIM» de Chico Buarque - Opinião

Resultado de imagem para benjamim chico buarque companhia das letras

Eu sei que Chico Buarque é incontornável no Brasil e não só, mas mesmo da música eu nunca fui muito fã. Sou fã de Caetano, é só o que posso dizer. Caetano me arrepia, Buarque me entedia. Não dá evitar, sou apenas muito fã da música eterna A Banda. Pouco mais. 

Agora com a reedição de «Benjamim», eu tentei. Tentei e li, de fio a pavio, a história meio caótica, meio nostálgica e surreal de Benjamim, Beatriz e Ariela, mas tanto tumulto não me convenceu. 
Ainda irei ver o filme, pois costumo gostar das interpretações de Paulo José e Danton Melo.  

Mas falando de «Benjamim»... Talvez se possa dizer que o livro se alimenta de uma música que Benjamim Zambraia pode ouvir vezes sem conta, uma faixa na qual ele carrega "play" em que parte desejar. Essa repetição é o seu passado, muito ligado ao presente, especialmente depois de avistar Ariel. A narrativa vive de momentos entre passado e presente, entre Beatriz e Ariel e as memórias de um amor intenso e inacabado. 

"Talvez aviste mulheres semelhantes, como sucede nos filmes, onde o herói julga reconhecer a amante do outro lado da rua, por causa do vestido ou dos cabelos, e parte desabalado (...) Mas no passado Benjamim já levou três anos rondando a cidade à procura de uma mulher, e nunca se equivocou. Ele sabe que, com o corpo em movimento, não há duas mulheres que se confundam, nem irmãs nem gêmeas."

A vida de Ariel é igualmente um tumulto e um emaranhado de situações estranhas e complexas que deixam o leitor na dúvida e isso sim cria um certo suspense, Talvez Ariel seja realmente a personagem central, a sua vida e a vida que fica a saber de Beatriz, chegam a parecer uma só, o leitor chega a questionar-se se Benjamim não delira, não se evade ou sonha com um amor que não terminou de viver. 

*

No decurso desta leitura, procurando o filme, cheguei a uma tag #chicobuarqueelivros, deveras curiosa, ou seja, o desafio é sugerir livros conforme uma selecção de música de Buarque. Fica aqui o vídeo do cantinho da Tatiana Feltrin.

Opinião "The Call"

Há minutos que duram uma eternidade, chamadas que nunca devem ser atendidas e partidas que podem nunca ter retorno.


A Irlanda é um país de lendas com fortes raízes na magia. Os Sidhe são um elemento do folclore a que ninguém fica indiferente e de quem toda a gente sabe qualquer coisa. Mas até que ponto esse vago conhecimento sobre as velhas histórias nos seriam úteis se de um momento para o outro se torna-se na nossa realidade?

A Irlanda do Norte é uma fortaleza, ninguém entra, ninguém sai. 
Séculos após a sua reclusão mediante um acordo mal forjado, os Sidhe foram capazes de isolar todo o país que os amaldiçoou. Como tortura e paga pelo mal a que foram sujeitos, "chamam" as crianças irlandesas, o futuro da nação, e destroem-nas física e psicologicamente.

A escola já não serve para aprender matemática ou geografia mas sim técnicas de sobrevivência, a língua do inimigo e todas as skills que permitem a cada criança sobreviver ao Chamado.
Mas no meio de fracos e fortes, encontramos Nessa e desde o primeiro momento, ela é de todos a que tem o maior alvo nas costas.
Nascida numa família que fez os possíveis para a manter afastar do horror do Chamado, Nessa cresceu com poliomielite e as suas pernas não a deixam correr como precisa para salvar a sua própria vida mas é nesse "defeito" que se encontra a maior qualidade na nossa heroína.
Determinada a não vergar perante os que a acham fraca, Nessa encontra todas as maneiras para contornar os obstáculos, até aqueles que o seu coração lhe dá através da amizade e do amor.

Uma grande lição que nos é ensinada até porque todos nós, algum dia, temos a correr pela nossa própria vida.
Uma história repleta de aventura, tensão, amizade, amor, ódio e conhecimentos que levamos daqui e que reencontramos em tantos outros livros. 
Um universo assustadoramente fantástico e que terá sem dúvida a sua continuação.

Até lá, fiquem com um pedaço da minha adolescência e a música que por acaso tocou na rádio no dia em que comecei a ler este livro.


Uma aposta

sábado, 5 de agosto de 2017

Opinião "A Salvo Comigo"

Há sombras do passado que se arrastam connosco para toda a vida. No caso de Anna, as sombras estão em todo o lado e prontas para a atacar.


Conhecemos Anna no seu dia a dia metódico, com as suas rotinas quase obsessivo-compulsivas, quer no trabalho como carteira, quer na vida pessoal.
Manias ou resquícios de um passado conturbado, não importa a razão porque uma coisa é certa, a vida de Anna não foi fácil mas ao fim de tantos anos tinha conseguido dar alguma normalidade aos seus dias.
Isto até que Carla, a mulher que culpa por uma tragédia familiar, volta a entrar em cena, como uma ameaça silenciosa que coloca tudo em risco de ruir.

Testemunha de um acidente em que Carla arruína mais uma vida, Anna não para enquanto não lhe apanha o rasto e a leva à justiça pelos crimes presentes e passados.
Mas será assim tudo como Anna se lembra?
Poderá ela confiar nas suas próprias memórias?
E nos outros...em quem poderá Anna confiar quando neste momento nem ela é de confiança ?


Um thriller psicológico que mexe com a nossa cabeça, que nos faz fazer um double check à nossa memória sobre o que lemos antes. Há momentos em que acabamos por nos perguntar "será que sou eu que não me lembro de ter ler isto ou a personagem é que se está a confundir"?
Não ficamos indiferentes ao presente de Anna mas especialmente ao seu passado, que embora já esteja longe, não a deixa de marcar e afectar no presente.
Somos realmente responsáveis por tudo o que acontece na nossa vida?
Quantos de nós não acabamos por pagar pelos erros dos outros?

E o fim...oh raios, não estava à espera desta. Não do fim exactamente mas de algo que se descobre antes e que coloca imensas coisas em perspectiva.

Uma leitura perfeita para um fim de semana de praia e sol.
Boas leituras.

Uma novidade

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Novidade Coolbooks :: "O Rio de Esmeralda"

A vida como um rio cujas águas se agitam, galgam as margens e quebram rotinas.
O rio de Esmeralda, de José Rodrigues, é o mais recente romance publicado pela Coolbooks e está disponível em todas as livrarias.


“Seremos reféns das nossas memórias?” – a questão serve de ponto de partida ao prefácio assinado por Sara Augusto e à leitura deste romance.

Funcionária bancária, casada, mãe de dois filhos, Esmeralda é dona de uma vida rotineira, semelhante a um rio que corre entre duas margens, com o destino traçado. Um regresso à sua terra natal, no interior Norte, vinte anos depois de ter rumado à “cidade grande” de Lisboa, altera o curso das águas, fá-las galgar as margens e quebrar a rotina.
Esta viagem provoca um encontro com as suas memórias, com uma realidade quase esquecida da qual nunca se afastou verdadeiramente.
Será a vida e a história de Esmeralda tão invulgar para que possamos ignorar que “Todos temos um rio a correr dentro de nós”?

SINOPSE
«O tempo não apaga tudo, sobretudo quando no tudo está incluído um grande amor.»

Esmeralda e António viveram, em jovens, um amor profundo, bruscamente interrompido quando Esmeralda se vê forçada a abandonar a aldeia onde ambos viviam. Os jovens prosseguiram, entretanto, as suas vidas, felizes com o que o destino lhes proporcionou.
Quando ambos estão já na idade madura, a inauguração de um empreendimento turístico na aldeia é o pretexto ideal para o reencontro há muito desejado. Sentimentos há muito esquecidos voltam à
superfície, mais fortes do que nunca, e o que antes era desvio parece ser agora o melhor dos caminhos. Entre a doçura da memória e a realidade do presente, a escolha nem sempre é linear...

Uma novidade 

Opinião "A Mulher Desaparecida"


Uma mulher faz um jantar, a filha tagarela sobre qualquer coisa do seu dia e o marido observa a cena. Um fim do dia normal, em qualquer cidade do mundo.
Mas em Nailsea, nos arredores de Bristol, todos os contornos desse momento mudam quando do lado do fora a cena é observada pela mira de uma arma e de um segundo para o outro uma mulher jaz morta no chão da sua cozinha e o caos reina à sua volta.

Louise Rick não estava nem perto de imaginar que o que começou como um bom dia se iria tornar uma loucura.
No mesmo dia que Eik desaparece de súbito, Louise recebe o contacto da Polícia Inglesa a informar que ele se encontra detido por invasão de propriedade privada numa qualquer vilazeca inglesa.
Que loucura passou pela cabeça de Eik?
Que segredos esconde o colega e amante de Louise?
Que lados negros da sua pessoa Louise irá descobrir ao longo deste novo capítulo?

Quando se desloca a Bristol para trazer um Eik perdido de perguntas e dor, Louise percebe que não foi um acto de loucura que tomou conta de Eik mas sim a necessidade de encerrar um assunto que o atormenta há muitos anos.
A mulher morta em Nailsea é nada mais, nada menos que a namorada que supostamente desapareceu/ morreu no barco onde passeavam no Mediterrâneo.
Interessante...
A história sobre o passado e as razões que a tornaram um alvo vão sendo descobertas camada a camada e garanto-vos que o tema, ui o tema, toca na ferida de muita gente.
Mas será que descobrir o passado é suficiente para apaziguar Eik?
E Louise, conseguirá encarar a verdade e voltar a aceitar Eik no seu dia a dia?

Quando iniciei este livro estava completamente alheia ao facto de este ser uma continuação dos anteriores, pelo menos no que toca à permanência de Louise Rick como investigadora dos casos.
Sou uma naba!
Isto nunca me tinha acontecido e embora cada livro tenha uma história/caso isolado do anterior, a investigadora principal, a sua equipa e as suas vidas vão desenvolvendo à medida que o livro avança. Parece que tenho um buraco na história de Louise visto que não li "O Trilho da Morte".
Não sejam nabos como eu, leiam tudo seguido e pela ordem certa.
Vão ficar agarrados como eu fiquei desde o primeiro.

Boas leituras
Uma aposta

Relembro a opinião ao primeiro livro "As Raparigas Esquecidas"

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Opinião "Reencontro com o Amor"

Podemos mudar de carro, de emprego, de cidade e até de ideias mas será que conseguimos mudar o que sentimos por alguém por mais kms e anos que coloquemos entre nós?
"Reencontro com o Amor" é uma história divertida, honesta, que toca em todos os que deixaram escapar alguém e que foram demasiado parvos para o perceber ou até remediar.


Ruby faz a sua vida em Nova Iorque, isto é, se pudermos chamar aos seus dias de workaholic uma vida. 
Dedicada e habituada a dar o litro, Ruby faz tudo para ser bem sucedida na sua carreira na área de marketing, mesmo que isso implique aniquilar por completo a sua vida pessoal, familiar e social.
Por isso, quando a irmã decide levar os seus planos de casamento de sonho para a frente, Ruby vê-se obrigada a viajar para Inglaterra para uns quantos dias de privação laboral, obrigação familiar e contracção cardiovascular, pois nada podia ser pior do que voltar voltar ver o ex namorado com quem nunca mais falou desde que se separaram.
E sabem aquele momento em que encontramos um ex namorado e pensamos "onde raio tinha eu a cabeça para ter namorado este tipo"?
Pois bem, Ruby questiona-se mais "porque é que já não namoro com este deus grego bem sucedido e simpático?"

10 anos volvidos desde a sua ruptura, Ethan cresceu, tornou-se um empresário de sucesso e continua a ser estrondosamente giro. 
Realmente Ruby tem azar! :)
Porque é que Ethan não podia ser como os ex das outras e estar a ficar careca?
Ou será que é bem feito por ter deixado escapar uma monumental oportunidade para ser feliz? 
O que aconteceu para afastar este casal que tinha tudo para dar carro?

Numa narrativa alternada entre o presente e o passado, vamos avançado na semana de casamento entre de irmã de Ruby e o melhor amigo de Ethan. E se quando a família se junta em casamentos e funerais há sempre histórias hilariantes para contar e mal entendidos para resolver, garanto-vos que só pelas personagens secundárias deste livro ficamos rendidas à história de "Reencontro com o amor".
Mas depois o meu coraçãozinho dado a amores perdidos e reencontrados sucumbe por completo à história de amor destes dois e da dinâmica espectacular que se perdeu porque foram cabeçudos e nunca falaram do que os perturbava. Não é esse um dos maiores problemas da vida a dois, a falta de diálogo? 

Cinematograficamente arrebatador, "Reencontro com o Amor" é uma leitura que nos deixa com um sorriso nos lábios e com o pensamento que nunca é tarde para dar uma reviravolta à nossa vida.


New york had lied to me, I needed the truth
Oh, I need somebody, needed someone I could trust
I don't gamble, but if I did I would bet on us

Uma novidade

Opinião "Antes de Ires"

Quando foi a última vez que te foi dada uma segunda oportunidade?


Conhecemos Zoe no presente. Casada, profissionalmente bem sucedida, atrasada para o trabalho e com um humor pré-café. Quem não se revê neste estado matinal?
Agora imaginem que hoje, quando saíram de casa stressados e a bufar com a vossa cada metade ou os miúdos, é o último dia que os vêem com vida.
Duro? Custou imaginar nunca mais ver as pessoas que amam? 
Agora lembrem-se da última coisa que disseram?
Arrependem-se de alguma palavra, gesto ou olhar?
Zoe arrepende-se e não há maneira nenhuma de voltar atrás e dizer ao marido Ed o quanto ela o ama.
Ou há??


É-lhe dada, como que por magia, a oportunidade de corrigir os erros do passado que levaram até aquele fatídico desfecho. Quando dizem "vive cada dia como se fosse o ultimo" esquecem-se de nos dizer que só se vive uma vez e que segundas oportunidades não aparecem muitas vezes na vida.
Mas quando aparecem, o que fazemos com elas? Que mudanças podemos fazer que alterem completamente o rumo de nossa vida? 
E quem nos garante que o efeito a longo prazo será melhor e não um completo desastre?

Que livro espectacular. Só não o devorei mais rápido porque o dia a dia se mete no meio.
Uma óptima estreia para Clare Swatman que me lembrou de títulos como "A mulher do viajante do tempo", "O efeito borboleta" e "Um dia". Dei comigo a pensar que este "Antes de Ires" tem aquele feeling de "isto ficava espectacular em filme".

Que mais posso dizer?
Uma óptima leitura para as férias. Não é completamente leve mas garanto-vos que vos faz um pouco para dentro, para trás e para a frente.
Boas leituras.

Até lá deixo a playlist da Zoe e do Ed 
AQUI

Só uma perguntinha....que música tocaria no vosso funeral?



Uma novidade

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Resultado Passatempo Especial "DOMINA"


Foi um passatempo rápido mas recheado de participações.

Das 1657 participações damos os parabéns ao nº 917.
CLARA TORRES!
Parabéns, vais receber um exemplar do "DOMINA".

O envio do prémio será efectuado pela Editorial Presença.

Resultado Passatempos de Verão

Boa gente, boa gente...
Espero que este seja o vosso dia de sorte. 
Parabéns aos vencedores!


Com 1773 participações, damos os parabéns ao nº 347, 
Elisa Esteves.
Parabéns!

Com 1583 participações, damos os parabéns ao nº 1134, Ângela costa Pereira
Parabéns!

Com 2137 participações, damos os parabéns ao nº 814, 
Tânia Costa.
Parabéns!

Com participações 1479, damos os parabéns ao nº 197, 
Nélia Rosa.
Parabéns!

Com participações 1759, damos os parabéns ao nº 1378 , 
Aureni Oliveira.
Parabéns!

Com participações 1702, damos os parabéns ao nº 317 , 
Neusa Santos.
Parabéns!

Com participações 2072, damos os parabéns ao nº 1279 , 
Rui Alves.
Parabéns!

Com participações 1472, damos os parabéns ao nº 617 , 
Maria Helena Costa.
Parabéns!

Com participações 1827, damos os parabéns ao nº 1674 , 
Mariana Trindade.
Parabéns!

Com participações 1902, damos os parabéns ao nº 135 , 
José Santos Serras
Parabéns!


segunda-feira, 31 de julho de 2017

«Uma conspiração de estúpidos» de John Kennedy Toole :: Opinião


"Por vezes, a Natureza cria um louco, 
mas um peralvilho é sempre obra do homem."


«Uma conspiração de estúpidos» ou a fatídica saga de Ignatius Reilly; uma personagem peculiar de traço caricaturial com um rabisco de racismo aqui, um toque de misoginia ali e um traço de misantropia acolá. Não sem esquecer inúmeras linhas de inteligência acima da média e um humor digno de medalhar. Reilly é ao mesmo tempo superficial e asqueroso e ao mesmo tempo um tipo com quem me sentaria a trocar umas ideias sobre teorias da conspiração e alguma psicologia de trazer por casa. Hilariante!? Sim, sem dúvida. E é isso que a narrativa de John Kennedy Toole dá ao leitor, um texto brilhante, recheados de personagens uma mais sui generis que a outra, uma trama non sense e um final expectável, mas tudo ardilosamente montado que mantêm o leitor agarrado e às constantes gargalhadas.

"(...) Mas a incapacidade de contactar com a realidade é a característica de quase toda a «arte» americana. Qualquer semelhança entre a arte americana e a natureza americana é pura coincidência, mas isso acontece apenas porque a nação, no seu conjunto, não tem contacto com a realidade. Esta é apenas uma das razões pelas quais sempre me vi obrigado a viver nas franjas da sociedade, confinado ao limbo reservado aos que conhecem a realidade quando a têm diante dos olhos."

Ignatius é isolado e radical nas suas ideia, mas é aparentemente inocente, no entanto toda a trama que se desenrola à sua volta, altera-se com a entrada no mercado de trabalho, fruto da insistência da mãe, que tem dificuldades em sustentá-lo. Ignacius, com muita relutância, desprende-se da sua inócua e repetitiva realidade para entrar em contacto com a dura realidade laboral e com os vícios da sociedade que despreza, e aí começa realmente a aventura desta persona non grata.

"Muito obrigado - respondeu Ignatius com ar condescendente. - Mas não poderia trabalhar aqui. Esta garagem é muito húmida e eu sou muito dado a maleitas respiratórias, para além de várias outras.
- Você não trabalharia aqui. Seria vendedor.
- O quê? - berrou Ignacius. - Lá fora, à chuva e à neve, durante todo o dia?
- Aqui não neva.
- Já tem nevado, embora seja raro. E, provavelmente, nevaria outra vez assim que eu saísse com um desses carrinhos. Talvez fossem encontrar-me nalguma sarjeta, com pingentes de gelo a saírem de todos os meus orifícios e gatos vadios a andarem por cima de mim para aproveitarem o calor do meu último sopro. Não, obrigado, senhor. Tenho de me ir embora. Parece-me que tenho um compromisso qualquer."

Os planos de Ignacius vão sendo relatados para confronto ou corroboração da implacável Myrna, a mulher que resolveria tudo com mais sexo para toda a gente. Uma manifestante incorrigível que é uma influência nas convicções inabaláveis do nosso proletário. Outra influência é o agente Mancuso, um policia azarado e vítima de coação, que no meio da sua vulnerabilidade se aproxima dos amigos da mãe de Ignacius. Com eles, uma panóplia de personagens, desde a equipa de Levy Pants ou o staaf explorado do bar de alterne Night of Joy. Todos juntos são um punhado de estúpidos e opinadores desta conspiração.

"Quase todos terão oportunidade de governar o mundo. Não vejo por que razão não deva dar-se oportunidade a essa gente. Decerto já viveram tempo suficiente abaixo de cão. A escalada para o poder será sempre, de certo modo, uma parte do movimento global no sentido das oportunidades, da justiça e da igualdade para todos. (Por exemplo, já viram algum travesti no senado? Não! Há muito tempo que essa gente não tem representantes. A sua situação é uma desgraça nacional, colectiva.)
A degenerescência, em vez de assinalar a derrocada da sociedade, como acontecia no passado, assinalará a paz num mundo conturbado. Temos de encontrar novas soluções para novos problemas."