quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Balanceando entre os livros lidos... 2016

2016... esse ano híbrido, atípico, revolto, confuso...

Tenho cerca de (à vontade!!!) 20 livros aos quais devo um texto, desses 20, talvez uns 5 por terminar, com 2 deles a pesarem-me, pois não vejo forma de os terminar.
Quando comecei este registo achava que 2016 tinha sido um dos anos mais fracos em termos de livros lidos, mas fazendo este pseudo balanço vejo que foi um ano com boas descobertas e a confirmação da importância do conto. E afinal não foram assim tão poucos, eu é que tenho a mania de ver tudo enviesado!!!
Conto cerca de 50 lidos e comentados. Faltam os outros, o que estão na foto que encerra o balanço.
Ou seja, li então cerca de 70 livros. Está na média!

Sendo assim descobri:

- Desmobilizados de Phil Klay - http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/02/desmobilizados-de-phil-klay-opiniao.html
Não sendo um livro nada fácilé um livro que nos leva à desfragmentação sentida pelos operacionais. Um livro que é o rescaldo da loucura da guerra.
"O gatilho estava ali, a pedir que eu o apertasse. Não há muitas ocasiões na vida em que tudo se resume a um «carrego neste botão?»"

- «Oculta» que veio afirmar Faciolince como um autor a seguir e por falar em seguir «Somos o esquecimento que seremos» está na lista para 2017.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/02/oculta-de-hector-abad-faciolince-opiniao.html
Um livro sobre a Colômbia rural, mas mais ainda sobre o regresso à terra, às origens e o peso, a marca que é a família.
"La Oculta faz sonhar (...)
(...) às vezes apodreço de frio e de nostalgia por não estar lá, em La Oculta. O Jon ensinou-me o significado da palavra nostalgia. Nostos, em grego, disse-me ele, quer dizer «regresso», e algia, «dor», e tal como mialgia é a dor dos músculos, a nostalgia é a dor do regresso.

- A amiga genial
Em 2016 foi o ano da Ferrantomania, febre esse que não me pegou. Li o 1º volume e por aí fiquei.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/02/a-amiga-genial-elena-ferrante-opiniao.html

- «Romance» de Hélder Macedo, numa tentativa de conhecer mais um autor português.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/romance-de-helder-macedo-opiniao.html
Julgo correr o risco de não voltar a este autor. Apesar da beleza da escrita, o fio condutor é muito ténue e perde-se a história no meio de tanto disse que não disse, ama que não ama...
"um poema de silêncio
um romance que fosse
o que nele não fosse escrito
um olhar a olhar um olhar
a olhar em direcções opostas"

- «O primeiro muçulmano» lido a par com os volumes de Marek Halter, numa senda de conhecer melhor o Islão e os seus fundamentos.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/o-primeiro-muculmano-de-lesley-hazleton.html
e os volumes de Marek Halter:
Khadija & Fatima: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/as-mulheres-do-islao-trilogia-de-marek.html
Ficam-me duas grandes frases:
"Se o homem fosse um rio, a mulher seria a ponte."
"As palavras são pássaros - disse-lhe. Se sabes abrir-lhes a gaiola, descobrem sempre para onde devem ir. E podes confiar nelas: conhecem os melhores ninhos."

2016 trouxe vários novos autores portugueses que descobri com imensas vontade e dos quais pretendo ler outros livros. É preciso salientar que talvez um deles tenha sido o (meu) livro do ano, a saber: «Impunidade» de Hélder Gomes Cancela.

- http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/impunidade-de-h-g-cancela-opiniao.html
"Aquilo éramos nós, sem espaço para dúvidas. Cada um sozinho diante do outro como se permanecesse imóvel perante si mesmo. Não no reflexo de um espelho, susceptível de produzir um mínimo de identidade (...) continuava a ser eu. Continuava a ser ela (...) Com a extensão da posse e da privação, distinta na carne, no género, na vontade."

- Nuno Costa Santos - http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/ceu-nublado-com-boas-abertas-de-nuno.html

- Isabel Rio Novo - http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/o-rio-do-esquecimento-de-isabel-rio.html

- Patrícia Muller, com «Uma senhora nunca», de TOP!
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/uma-senhora-nunca-de-patricia-muller.html

Descobri ainda a escrita de Ana Cristina Silva e Lara Morgado, mas que não me conquistaram na totalidade:

- A noite não é eterna: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/04/na-romenia-de-ceausescu-sob-alcada.html
- As cores de branca: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/05/as-cores-de-branca-de-lara-morgado.html

Foi também ano de regressar a Afonso Cruz, num mini romance delicioso e num outro, todo ele musicado e que me conquistou, pois parece que os livros do Afonso chegam sempre quando mais me são precisos.
- Vamos comprar um poeta: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/05/vamos-comprar-um-poeta-de-afonso-cruz.html
- Nem todas as baleias voam: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/11/nem-todas-as-baleias-voam-de-afonso.html

Falando em regressos, 2016 foi também o ano de Possidónio Cachapa com a publicação de «Eu sou a árvore» que volta com o universo particular do autor de «Materna Doçura», mantendo tudo o que me agarrou à sua escrita.
- http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/eu-sou-arvore-de-possidonio-cachapa.html
"As árvores sabem uma coisa que os homens negam. Que um segredo sobre o fim de tudo é, na verdade, apenas o começa de outra coisa qualquer.
(...) da forma como confundiam o tamanho das suas sombras com a dos próprios corpos.
(...)
Concluíam que os homens ora se vêem sementes muito ao fundo da terra ora carvalhos milenares acima da florestas."

Regressou também, Cristina Drios, com um romance arrebatador e digno de toda a adoração possível.
- Adoração: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/10/a-adoracao-de-cristina-drios-opiniao.html

E ainda, o caríssimo Carlos Campaniço que com muito humor nos brindou com Dom Rufia e suas aventuras:
- «As viúvas de Dom Rufia» http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/as-viuvas-de-dom-rufia-de-carlos.html

Seguindo uma sugestão li «Regresso a Mandalay» que não me conquistou minimamente:
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/regresso-mandalay-de-rosanna-ley-opiniao.html
Acho que o interesse que alguns livros podiam ter perdem-se sempre para enredos amorosos já banais.

Um livro surpresa e sensação foi «A Resistência» do brasileiro Fulks que arrecadou prémios e destaques e de quem espero vir a ter a possibilidade de ler mais.
Um livro que é um hino à resiliência e à resistência, nem que seja a de continuar pensando!
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/03/a-resistencia-de-julian-fuks-opiniao.html

Num dia muito especial abracei «Seda» como se algo deliciado e ingénuo me pousasse entre as mãos. O resultado foi uma paixão assolapada por um pequeno livro, meio triste, meio longuínquo, carregado de amor e sensibilidade.
- «Seda» de Baricco: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/04/seda-de-alessandro-baricco-opiniao.html

Também em 2016 e muito fruto das temáticas que estão na ordem do dia, cheguei até à autora senegalesa, Fatou Diome que nos dá um olhar diferente e que pondera ambos os lados do Atlântico.
- «O ventre do Atlântico»: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/04/o-ventre-do-atlantico-de-fatou-diome.html

Sempre em busca de conhecer novos autores, mas também de seguir recomendações da comunidade de leitores, li alguns autores que não me arrebataram, tal como foi o caso de Meg Wolitzer de quem muito falam a propósito de «Os Interessantes». Li «A Mulher» e não fiquei fã.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/04/a-mulher-de-meg-wolitzer-opiniao.html
Já o mesmo não se passou com Henrique Vila-Matas, não fiquei fã, mas fiquei curiosa q.b. para voltar aos seus livros. Dele escolhi ler « A Viagem Vertical», por ir de viagem e querer levar um autor até então desconhecido. Revelou-se uma boa introspecção.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/a-viagem-vertical-de-henrique-vila.html

Outra novidade foi o livro «A factura» de Jonas Karlsson. que nos coloca a pensar nos nosso valor e que "factura" temos de pagar perante a felicidade que experimentamos. Foi uma boa experiência: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/a-factura-de-jonas-karlsson-opiniao.html

Também na corrida para os melhores livros lidos em 2016 tem que constar José Ovejero e a sua invenção em torno de Samuel.
«A invenção do amor» é um livro obrigatório!
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/05/a-invencao-do-amor-de-jose-ovejero.html

Nos lugares de topo está também o romance meio nonsense do francês Olivier Bourdeaut que me colocou a ouvir, quase diariamente, Bojangles na voz de Nina Simone.
Haja só um deus que dance comigo todos os dias ;)))
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/05/a-espera-de-bojangles-de-olivier.html

Para não lhe perder o jeito, de vez em quando lá leio um policial ou um thriller, mas há muito que não leio nenhum que me arrepie e me arranque alguns esgares de nojo ou surpresa.
- A saga de Arlidge continua: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/04/a-vinganca-serve-se-quente-de-m-j.html

Na tal corrida dos óscares literários terá também de integrar mais este autor colombiano, Juan Gabriel Vásquez de quem li dois livros e estou em pulgas para ler o recentemente publicado (Fev'17)
- «As reputações»: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/as-reputacoes-de-juan-gabriel-vasquez.html
"(...) a humilhação, toda a humilhação, precisa de uma testemunha. Não existe sem ela: ninguém se humilha sozinho, a humilhação a sós, não é humilhação."
«O barulho das coisas ao cair» é um dos que está à espera que eu lhe pegue e escreva.

Não sei se já tinha a minha quota parte de autores holandeses, mas neste ano paguei essa factura, li dois livros de Herman Koch e que bem que me souberam lidos os dois quase de empreitada. A voltar, decididamente!
- «O Jantar» http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/11/o-jantar-de-herman-koch-opiniao.html
- Casa de férias com piscina» - http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/casa-de-ferias-com-piscina-de-herman.html

A minha saga com latinos nunca tem fim e no catálogo da Quetzal descobri um autor que me era totalmente desconhecido e nas descrições da terra longínqua da Patagónia e afins descobri afinidades com o destino de férias que iria ter em breve. As descrições rudes, sós e silenciosas da Terra do Fogo tinham algo em comum com a Terra do Gelo. Li «Para lá da Terra do Fogo» de Eduardo Belgrano Rawson enquanto palmilhava a Islândia. Ficar-me-à para sempre.
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/para-la-da-terra-do-fogo-de-eduardo.html

Por falar em regressos, este foi o ano de continuar a saga dos Baltimor ou melhor dizendo regressar a Joel Dicker.
- «O livro dos Baltimore» - http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/o-livro-dos-baltimore-de-joel-dicker.html

Julgo que em 2016 firmei o gosto por contos e esses pautaram essencialmente a segunda metade do ano. Nessa categoria Lucia Berlin está entre os favoritos com a sua colectânea «Manual para mulheres da limpeza». Brilhante!
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/07/manual-para-mulheres-de-limpeza-de.html
"Que outras coisas perdi? Quantas vezes na minha vida terei estado sentada no alpendre das traseiras, não no da frente? O que teria sido dito que não consegui ouvir? Que amor podia ter havido que eu não senti?
São perguntas vãs. (...)"

Outra surpresa foi o pequeno livro «Quero ser absurdamente feliz» que me arrancou gargalhadas enormes e que era, exactamente, o que eu precisava quando me cruzei com este livro.
- http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/10/quero-ser-absurdamente-feliz-de-isabel.html
"Tirei uma alface aterrorizada e consumi-a, sacrificando também alguma fatias de pão proibido e um pedaço de queijo completamente vetado." ;)))

Tenho uma tendência para ler livros focados na família e este romance de John Fante não foi excepção. Voltei ao autor de «A confraria do vinho» e em boa hora aconteceu.
- «Cheio de vida» - http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/10/cheio-de-vida-de-john-fante-opiniao.html

Mantendo as sugestões de alguns amigos leitores que aprecio, li, ou regressei a Juan José Millás e descobri um fio louco que conduz o leitor, fazendo-o atravessar os vários livros do autor. Desta feita li: «Desde a sombra»: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/11/desde-sombra-de-juan-jose-millas-opiniao.html
"(...)
- As pessoas - respondeu, visivelmente incomodado com a ironia do apresentador - já eu conhecia. Ia a Marte para não ter de aturá-las.
- É pouco sociável?
- Digamos que sou esquisito.
- Esquisito em que sentido?
- No sentido de ser uma boa pessoa. Eu sou uma boa pessoa, nunca fiz mal a ninguém, e isso afastou-me do mundo."

Na mesma senda, descobri Juan Marsé que com a divagação em torno da memória não me convenceu com o seu mais recente romance:
- «Essa puta tão distinta»: http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2016/12/essa-puta-tao-distinta-de-juan-marse.html

Por último e de forma alguma menos importante, antes pelo contrário, está o brilhante romance, m tanto platónico, meio erótico, dividido e divagante de Paulo Varela Gomes, «hotel»
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2017/01/hotel-de-paulo-varela-gomes-opiniao.html

"O observador começa por ser confrontado com uma porta muito velha, perfurada por dois orifícios, através dos quais só uma pessoa de cada vez pode aceder à vista, uma função privada característica do voyeurismo. (...) os lábios do seu sexo estão mesmo em frente da abertura da parede. Todo o dispositivo está construído de modo rudimentar, mas a figura poderia ser interpretada como vítima de um crime..."

Descubro ainda, na Roda dos Livros que li mais alguns livros que publiquei só lá.
São eles:
- Sete Anos bons - https://rodadoslivros.wordpress.com/2017/01/27/sete-anos-bons-de-etgar-keret-opiniao/
- Uma dor tão desigual - https://rodadoslivros.wordpress.com/2017/01/17/uma-dor-tao-desigual-opiniao/
- A vida amorosa de Nathaniel P. (que não me conquistou!!!) - https://rodadoslivros.wordpress.com/2016/03/19/a-vida-amorosa-de-nathaniel-p-de-adelle-waldman-opiniao/
- «Nós os dois» lido a meias com os poemas de Carlos Drummond de Andrade - https://rodadoslivros.wordpress.com/2016/03/16/nos-os-dois-de-andy-jones-opiniao/
- «O coro dos defuntos» de António Tavares, de quem também tenho lido um outro de contos e que também ficou me ficou por escrever.
https://rodadoslivros.wordpress.com/2016/01/23/o-coro-dos-defuntos-de-antonio-tavares-opiniao/

Outro livro fabuloso, «A árvore das palavras» de Teolinda Gersão: https://rodadoslivros.wordpress.com/2016/02/02/a-arvore-das-palavras-de-teolinda-gersao-opiniao/
“Frases muito livres, por vezes quase obsessivas, que pareciam terminar mas voltavam, iguais a si próprias ou escondidas em variações como atrás de máscaras.”
E ainda o fabuloso regresso de Valter Hugo Mae com o seu «Homens imprudentemente poéticos» que, como não podia deixar de ser, está entre os melhores livros que li este ano transacto.
https://rodadoslivros.wordpress.com/2016/12/17/homens-imprudentemente-poeticos-de-valter-hugo-mae-opiniao/

Para, verdadeiramente e de vez, terminar este balanço, é preciso assinalar a minha presença no Deus me Livro que muito bem me fez, pena este ano híbrido que não me deixou colaborar mais e melhor. De lá, retiro ainda mais três boas leituras, entre outros que já foram anteriormente destacados. Estavam a faltar:
- «Macaco Infinito» estreando-me na prosa de Jorge Marmelo - http://deusmelivro.com/mil-folhas/macaco-infinito-manuel-jorge-marmelo-23-9-2016/
- «Cinco esquinas», em mais um regresso, desta vez ao Nobel Varas Llosa - http://deusmelivro.com/mil-folhas/cinco-esquinas-mario-vargas-llosa-16-7-2016/
- «Mulher de Porto Pim» também para me estrear na escrita de Tabucchi - http://deusmelivro.com/mil-folhas/mulher-de-porto-pim-antonio-tabucchi-13-7-2016/


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