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quarta-feira, 29 de março de 2017

Novidade Teorema :: "Hoje Vai Ser Diferente"

Hoje vai ser diferente! - pensa Eleanor. 
E, de facto, vai… mas não da maneira que ela imagina. 



A vida de Eleanor Flood é um caos. Mas ela está decidida a mudar. Hoje vai ser diferente, acredita. Hoje vai tomar duche e vestir roupa elegante. Vai à aula de ioga depois de deixar o filho, Timby, na escola. Vai almoçar com uma amiga. Não vai dizer asneiras. Vai tomar a iniciativa na cama com o marido, Joe. Mas antes de conseguir pôr em prática o seu plano, a realidade obriga-a a travar… a fundo.

Pois hoje é o dia em que Timby decide fingir-se doente para ficar com a mãe. É também o dia em que Joe resolve gozar uns dias de férias mas se esquece de avisar Eleanor. E quando parece impossível as coisas piorarem, um antigo colega desencanta uma relíquia do passado, obrigando-a confrontar-se com velhos segredos de família e uma irmã desaparecida.

Introspetivo, trágico e cómico, Hoje Vai Ser Diferente marca o tão-aguardado regresso de Maria Semple após o sucesso de Até Ao Fim do Mundo.

Uma novidade

Novidade Minotauro :: "A última paragem"

A Última Paragem é a mais recente livro infantil de Matt de la Peña, ilustrado por Christian Robinson. 
Galardoado com a medalha Newbery e livro de honra Caldecott, esta obra acaba de chegar a Portugal pela chancela Minotauro, do Grupo Almedina. 


A mensagem é clara: ensinar aos mais jovens a importância de valores como a solidariedade, esperança e gratidão.
A mais recente obra de Matt de la Peña, ilustrada por Christian Robinson, é um livro emotivo e estimulante que já ganhou o prémio Newbery no ano de 2015 – o segundo livro ilustrado a ganhar este prestigiado prémio como melhor livro infantil em geral. A Última Paragem conta a história de um rapaz afro-americano chamado Alex que, após ir à igreja todos os domingos, apanha o autocarro com a sua avó e atravessam a cidade rumo à Sopa dos Pobres, onde são voluntários. No entanto, no dia em que decorre a ação, ele faz muitas perguntas à sua avó: porque não têm um carro como o seu amigo Bernardo? Porque não tem um iPod como os outros meninos no autocarro? Porque têm sempre de descer na parte mais suja da cidade? Todas estas questões são clarificadas pelas respostas animadoras da avó, que o ajuda a ver a beleza e a diversão daquela rotina e do mundo à sua volta.
Esta viagem, cheia de energia, caraterística de uma cidade movimentada, dá relevo a um olhar maravilhoso, que só pode ser partilhado entre avós e netos, ganhando vida através da escrita vibrante do escritor hispânico Matt de la Peña, autor de cinco livros juvenis muito populares: Ball don’t lie, Mexican WhiteBoy, We were here, I will save you e The Living. La Peña é também autor do premiado livro ilustrado A Nation’s Hope: The Story of Boxing Legend Joe Louis (ilustrado por Kadir Nelson). Christian Robinson é ilustrador e já colaborou com a Pixar Animation Studios e a Sesame Street Workshop.


Uma novidade

Novidade Topseller :: "As Assistentes"

Uma divertida história sobre a «geração à rasca» no ambiente de O Diabo Veste Prada.


Tina Fontana, 30 anos, licenciada. Vive em Nova Iorque e trabalha numa grande multinacional. Todos acham que tem um emprego invejável: é assistente de um dos homens mais poderosos do país. Mas após seis anos a cumprir todas as regras e a satisfazer os mais bizarros pedidos do chefe, ela continua a ser uma mera assistente.

Endividada até à ponta dos cabelos, Tina mal consegue sobreviver. Por isso, quando tem a oportunidade de fazer algum dinheiro da empresa cair acidentalmente na sua conta, ela é incapaz de se conter.
Quando a fraude é descoberta, Tina só tem uma solução: continuar a desviar dinheiro para comprar o silêncio da sua (nada discreta) chantagista. Mas as coisas rapidamente fogem de controlo. Muitas das suas colegas fartas das condições de trabalho — e falidas — pedem-lhe ajuda.

Tina torna-se, sem querer, uma espécie de Robin Hood dos tempos modernos. E se antes sentia que estava a quebrar as regras, agora é uma questão de justiça. Mas todas as ações têm consequências e Tina Fontana não está preparada para o que lhe irá acontecer.

Uma novidade

Novidade Porto Editora :: "Receitas Saudáveis para toda a Família"

A revolução saudável de  Jamie Oliver em receitas para toda a família 
Novo livro do chef mais famoso do mundo.
Eu adoro vê-lo a cozinhar mas como ele não vem cá a casa fazer o jantar, tenho de ser eu a seguir as suas receitas.


A partir de dia 3 de abril, não há desculpa para que as refeições em família não sejam deliciosas e também saudáveis: chega a todas as livrarias o novo livro de Jamie Oliver, Receitas Saudáveis para toda a Família. Pequeno-almoço, sopas, massas e risotos, úteis refeições rápidas (que se preparam em menos de 25 minutos), clássicos saudáveis e soluções para confecionar com antecedência e congelar são apenas algumas das sugestões partilhadas pelo chef mais famoso do mundo. Seguindo a filosofia e conceitos que expôs em Receitas Saudáveis (livro que contou com a colaboração de uma equipa de médicos e especialistas em nutrição), as propostas de Jamie Oliver são deliciosas, nutricionalmente equilibradas e criadas para terem um impacto positivo na saúde.  Um livro perfeito para transformar os momentos familiares à mesa e contribuir para uma vida mais feliz e saudável. 


JAMIE APRESENTA O LIVRO 

A palavra «família» tem um significado diferente para cada um de nós, quando falamos de comida. Para mim, está associada a comida aconchegante, reconfortante e feita para ser partilhada, o que muitas vezes significa que é também comida que não nos faz tão bem. Mas não neste livro! Aqui incentivamo-lo a apreciar boa comida que o alimenta todos os dias, quer a deguste sozinho, com a família ou os amigos. Encontrará neste livro informação nutricional em todas as receitas; procurei também incluir, para todos os almoços e jantares, pelo menos duas porções de fruta e legumes por prato.  Cada receita foi criada com a intenção clara de a tornar saudável e este livro é complementado com um último capítulo sobre saúde e bem-estar, para lhe dar a si e à sua família tudo aquilo de que precisam para se sentirem em plena forma e terem uma vida mais feliz e mais saudável. 

Uma novidade

Novidade Bertrand :: "O Rapaz Perverso"

O cadáver de uma mãe. Dois meninos suspeitos. Um crime surpreendente e grotesco e a extraordinária capacidade de um homem para superar a sua história.


Na manhã de segunda-feira, 8 de julho de 1895, Robert Coombes, de 13 anos, e o irmão Nattie, de 12, saem da sua casa térrea em Londres para irem ver um jogo de cricket. O pai tinha ido para o mar na sexta-feira anterior, disseram os rapazes aos vizinhos, e a mãe estava de visita a familiares em Liverpool. Ao longo dos dez dias seguintes, Robert e Nattie gastam dinheiro de maneira extravagante, empenhando os valores dos pais para irem ao teatro e à praia. Mas quando o sol incide em toda a sua força sobre a casa dos Coombes, um estranho cheiro começa a emanar dela. 

Quando a polícia é finalmente chamada a investigar, a descoberta que faz lança a imprensa num frenesim de horror e alarmismo, e Robert e Nattie são arrastados para um julgamento que ficará célebre por lembrar a intriga das histórias «de faca e alguidar» que Robert adorava ler. Um crime fascinante - não apenas um exame meticuloso de um caso chocante e como também um hino à capacidade extraordinária de um homem de ultrapassar o seu passado.

Uma novidade
Data de lançamento: 21 de Abril

terça-feira, 28 de março de 2017

Novidade Marcador :: "O Ano da Dançarina" de Carla M. Soares


No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política. 

No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista. 

Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas. Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal.

Uma novidade

Novidade Suma de Letras :: "A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes que Não Terás Outra"

Wow que título grande e que grande verdade :)


Camille tem tudo e parece estar feliz. Então, por que sente a felicidade escorregar-lhe por entre os dedos? Quando Claude, rotinólogo, se oferece para a ajudar, ela não hesita. 

Através de experiências surpreendentes e incríveis, Camille vai, passo a passo, transformando sua vida e começa a conquistar seus sonhos.

Um romance enternecedor e autêntico sobre a capacidade de nos reinventarmos.

Uma novidade


segunda-feira, 27 de março de 2017

«A Serpente do Essex» de Sarah Perry :: Opinião


A livraria Waterstones elegeu «A Serpente do Essex» de Sarah Perry como o livro do ano 2016., distinção essa que já anteriormente nos tinha brindado com o fabuloso «Stoner». Se com Willians nos apaixonamos pelo apático mas resiliente professor, aqui apaixonamo-nos por Cora Seaborne e os seus amigos, desde o cirurgião Luke Garrett, à sua apaixonada Martha ou ao desafiante pároco de Aldwinter, Will Ransome. Neste livro de Sarah Perry não são só as personagens que marcam o leitor, também os temas são historicamente marcantes e interessantes. Em boa hora a Minotauro renasceu e começou, precisamente, a sua colecção de ficção com este título. 

A escrita de Perry destaca-se por se embrenhar num ambiente escurecido e misterioso ou não fôssemos nós, atrás de Cora, em busca do tal ser mítico e tenebroso que habita as águas do Blackwater. 

"Era uma sensação esgotante, como se um órgão vital tivesse sido partilhado com o homem que morrera e estivesse a atrofiar-se por falta de uso. 
(...)
Ele era tão sombrio que quando as tentativas dela de aliviar o ambiente o faziam sorrir ela se sentia como uma imperatriz á cabeça de um exército (...)"

Esta é talvez a primeira grande descrição para nos deixarmos levar pela personalidade férrea de Cora, que após a morte do marido ganha uma nova perspectiva da vida, uma liberdade que ela julga ser-lhe essencial para uma segunda vida, uma vida efectiva. Em busca dessa segunda vida surge a vontade de encontra a serpente que aterroriza os habitantes de Aldwinter e nessas incursões conhece e trava uma amizade peculiar com Will. É desde o primeiro instante que se cruzam que a força que ambos possuem os coloca em quizília. A mulher informada e curiosa, solta de amarras religiosas choca com o lado temerário, mas igualmente bem alimentado intelecto do reverendo. 

"Estou convencido que é possível dar carne e osso aos nossos terrores, em especial quando voltamos as costas a Deus - consciente do olhar de Cora, divertido mas não condescendente, escondeu-se por trás do vapor da sua chávena de café. 
- E pensa que ele está louco, que não há nenhum fundo de verdade no que diz?
A compaixão de Cora pelo velho não conseguiu acalmar nem um bocadinho a sua curiosidade. No fundo estava perante uma espécie de prova!"

É a serpente que até certo ponto faz mover cada peça deste enredo, no entanto, a dupla de cirurgiões, Luke e George fazem avanços médicos que dão outra camada ao livro, tal como as preocupações sociais, relacionadas com as habitações dos mais pobres, para as quais Martha pretende angariar interessados e investidores a fim de melhorar as condições dos imigrantes, dos pobres e dos trabalhadores que habitam os bairros operários e degradados de Londres. Estes detalhes históricos dão outro ambiente ao livro e mantêm o leitor empolgado. 

Outra dimensão do livro é a epistolar. A troca de cartas, uma constante da época, dá outro lado, mais pessoal e único, de cada personagem, especialmente de Cora, Will e Luke, permitindo ao leitor ganhar outra proximidade com cada história. Existem cartas de amizade, de amor, de partilha de conhecimentos ou até de inocência como é o caso das de Francis, o filho de Cora, uma criança também ela com traços especiais. As inquietudes, as crenças, as doenças, os costumes, as discrepâncias citadinas para campo, tudo isso completa este livro e dá-lhe a aura histórica do final do século XIX, combinando passagens muito bem descritas com uma acção mais pausada e que decorre ao longo de um ano. 

"Mais tarde Will recordaria um momento imóvel, como na chapa de um fotógrafo: a mulher a cair, Banks a mover-se na direcção dela, e ele próprio, inútil, na boca a imundície adocicada que lhe chegava da maré que subia no estuário. Depois a imagem fragmentou-se e, de repente, de uma forma que nunca seria capaz de explicar, estavam todos nas salinas, junto aos ossos negros do Leviatã, a olhar com terror e piedade para aquilo que o mar trouxera."

Em suma, é um livro com contornos mitológicos, com aspiração a romance histórico, com traços de suspense e muito amor para distribuir, contudo muito desse amor se perde, daí que uma das frases que maior sentido faz, é: "Se o amor fosse um arqueiro, alguém lhe tinha arrancado os olhos e deixara-o à solta a atirar às cegas, sem nunca acertar no alvo.", pois é disso que este livro se alimenta. 

Novidade Topseller :: "O Segredo Mais Sombrio" - Nova série de J. Kenner

Ambos se desejam, mas um passado secreto poderá separá-los ou uni-los para sempre.


Memórias de um passado secreto afastaram-nos, mas uma atração incontrolável voltou a uni-los.

O Rei do Sexo. Era assim que Dallas Sykes gostava de ser conhecido, e fazia de tudo para manter a reputação de que na cama ninguém era melhor do que ele — uma reputação que levou anos a construir e que servia para ocultar um grande segredo.

Jane Sykes, sua irmã de criação, com quem não partilhava qualquer laço de sangue, conhecia Dallas demasiado bem para saber que a vida luxuriosa que este levava não passava de um subterfúgio.

Jane e Dallas apaixonaram-se na adolescência e juntos foram vítimas de um terrível sequestro, um crime que jamais esqueceriam. Pensaram que conseguiriam seguir em frente se se afastassem, mas, 17 anos depois, a atração que sentem um pelo outro ainda é demasiado forte.
Ambos tentam desesperadamente manter o controlo, mas conseguirão evitar ceder ao incontrolável desejo que arde entre os dois?

Uma novidade

Novidade Bertrand :: "A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado"


É este o grande aviso às personagens deste livro, o primeiro de uma série de Mitologias em que Gonçalo M. Tavares recoloca o humano e a história numa dimensão mitológica, que distorce para mostrar melhor e que, recorrendo ao universo narrativo da oralidade e do fantástico, explora brilhantemente aquilo que é a natureza humana

Uma novidade

Novidade Editorial Presença :: "Deixa-me ir"

Gayle Forman, um nome que apita sempre no meu radar literário :)


Maribeth Klein é mãe de gémeos e editora de uma revista de moda. Conciliar essas duas facetas da vida tem sido um desafio quase impossível e Maribeth sente-se esgotada. A azáfama do dia a dia, cada vez mais intensa, não a deixa parar um segundo, nem para perceber que acaba de ter um ataque cardíaco. 

Durante a recuperação, dispondo finalmente de algum tempo para pensar, Maribeth decide fazer as malas e partir. Longe das obrigações familiares e apoiada por novas amizades, pode por fim lidar com os problemas que a atormentam há muito e enveredar por uma jornada de descoberta que lhe permitirá perceber o que é realmente importante.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«O humor e a clarividência característicos desta autora bestseller internacional marcam a sua estreia na ficção para adultos, revelando que por vezes é preciso afastarmo -nos de casa para compreendermos o seu verdadeiro valor.» 
Goodreads

«Esta história surpreendente, escrita com uma enorme sensibilidade, dá vida às fantasias secretas de muitas mães excessivamente sobrecarregadas.» 
People Magazine


Uma novidade

Para mais informações visitem o site Editorial Presença

terça-feira, 21 de março de 2017

“O retorno” de Dulce Maria Cardoso :: Opinião



Li este livro em 2015 enquanto visitava Munique e me desloquei ao campo de concentração de Dachau. Foi interessante, e não deixa de ser bizarro, a ligação entre algumas coisas que li, vi e senti, tanto ao ler o livro, como ao visitar o campo. A memória realmente deve ser alimentada para que determinados eventos, que marcaram toxicamente a história de um país, não se percam na fraca e limitada memória colectiva das gerações vindouras. 

"Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida, um império derrotado e humilhado, um império de que ninguém queria saber."

«O Retorno» de Dulce Maria Cardoso regressa aos tempos da descolonização quando chegam a Lisboa cerca de meio milhão de pessoas, a precisar de alojamento, trabalho, comida e integração numa sociedade diferente daquela que deixaram nas ex-colónias. Neste caso em particular, Angola, de onde Rui e a família saíram. Rui, de quinze anos, é o narrador deste retorno, com ele e pelos seus olhos assistimos a esta situação que se degradava de dia para dia, enquanto o processo revolucionário tentava ganhar o seu lugar. 

"A culpada de a mãe ser assim é esta terra. Sempre houve duas terras para a mãe, esta que a adoeceu e a metrópole, onde tudo é diferente e onde a mãe também era diferente. O pai nunca fala da metrópole, a mãe tem duas terras mas o pai não. Um homem pertence ao sítio que lhe dá de comer a não ser que tenho um coração ingrato (...)"

O regresso é pautado por sentimentos de desconfiança, mas de esperança, de humilhação, mas de saudades. Há amor de diversas formas, um amor à terra que os viu crescer, um outro que os liga a uma terra que os acolhe, o amor entre irmãos... há tantas formas de amor, como de revolta num livro terno, mas duro, divertido, mas também recheado de episódios negros desta nossa história tão recente. 

"(...) mas o João Comunista não é comunista, chamam-lhe assim por estar sempre a dizer que o império era uma vergonha, que devíamos ter vergonha por termos subjugado inocentes durante tantos séculos. Já houve macas enormes à conta disso, (...), o Sr. Serpa só gritava, que os de cá digam isso é uma coisa mas você devia ter juízo e vergonha nessa cara."

"(...) os que lá trabalhavam para o estado não estão nos hotéis, têm a vida arranjada, foram colocados nalgum sítio ou reformaram-se, alguns até têm trabalho e reforma. São recompensados como se tivessem estado no inferno enquanto nós somos tratados como se tivéssemos de ser castigados."

O hotel que os recebe e a respectiva directora sofrem transformações que acompanham o mesmo tipo de mudanças que estão a acontecer com as famílias acolhidas. A revolução não se faz só na rua, as atitudes e as opiniões reaccionárias estão ali e talvez ali sejam tão ou mais precisas, de modo a devolver dignidade e esperança aqueles que ali estão. Estão, mas estão como se estivessem sem chão e tecto, sentem-se injuriados e sem perspectivas e isso a autora consegue muito bem relatar pelas constante acção atrás de acção e simultânea reacção. 

"Mas o que fazem é gastarem horas a lembrar-se do que perderam, se me ponho a pensar no que lá ficou dou um tiro na cabeça, acho que já ouvi cada um deles nesta conversa pelo menos uma vez.
Os homens também querem arranjar trabalho para mostrar aos mangonheiros da metrópole de que massa os retornados são feitos, se conseguimos construir terras como as que fomos obrigados a deixar também conseguimos mudar o atraso de vida que a metrópole é."

O relato de Dulce Maria Cardoso é bastante sentido, diria assim, com muita coisa preto no branco, tipicamente como se vê com os olhos dos nossos 15 ou 16 anos, com as ideias a fervilharem e a pedirem conselhos, mas a quererem toda a liberdade que com essa idade se anseia, isto tudo junto com o clima de instabilidade e transformação social e uma série de ideais que aparecem em conversas que deixam dúvidas e das quais também se fazem piadas.

O conteúdo é assim bastante rico e abre espaço para inúmeras reflexões, tanto para quem viveu esse período do Verão Quente de 75, como retornado ou não ou quem, como eu, apenas o estudou nos manuais na escola. É igualmente interessante ler este livro e ver a série portuguesa "E depois do adeus" que a RTP passou, julgo, que entre o final de 2014 e o início de 2015. 



"Las coas que se mueren
no de deben tocar." 
Dulce María Loynaz
*
"Faz do sol uma advertência, os povos devem saber que são mortais.
Inscrição no monumento comemorativo da memória judaica
Dachau, 2015 


«Cartas Vermelhas» de Ana Cristina Silva :: Opinião


Carol, nascida em Cabo Verde, forma a sua identidade política, de ideais comunistas, enquanto estuda e vive a sua juventude em Lisboa, algum tempo depois já mãe, vê-se obrigada a deixar a filha num colégio russo para levar a cabo as suas missões partidárias. Os anos decorrem, os amores chegam e partem e a militância comanda-lhe os sonhos e a vida. Agora é tempo de reencontro, mas já passaram mais de 20 anos.

"O meu propósito não era modificar o passado, tão-pouco configurá-lo numa versão benigna, favorecendo-me através da descrição das circunstâncias que limitaram as minhas escolhas. No fundo, apenas desejava que reconhecesses como eu fora arrojada nesse tempo em que imaginava um novo mundo onde a felicidade dos homens viesse a ser saciada."

"Só a paixão detém poderes para anular as distâncias. Só esse estado fulminante faz com que o amor se perca de toda a racionalidade."

Sem modificações ou versão benigna, viajamos com Carol pelo seu passado, relatado através da sua memória, não para trazer de volta os anos que se perderam entre mãe e filha, mas para relatar o que foi a sua vida nos cerca de 20 anos de ausência na vida uma da outra. Desde a infância em Cabo Verde, até aos anos em Lisboa, e às missões pelo estrangeiro, tudo vai sendo relatado ao longe de capítulos que demonstram a escrita cuidada e equilibrada de Ana Cristina Silva. 

"O povo de Cabo Verde não era formado por gente, mas por silhuetas famintas que se moviam lentamente. Mas os miseráveis da Cidade da Praia (...) em vez de chorarem lágrimas crepusculares, quando a luminosidade do dia declinava, preferiam entoar cânticos festivos na praia, ao som de tambores."

Do amor a um povo e a uma cultura que sempre desinquietou Carol, rapidamente passamos à admiração pelas palavras visionárias que a fizeram abraçar a causa comunista. E também abrir espaço a novas aventuras e amores que a consumiam com o fogo da paixão, mas também a lucidez de uma mulher que se desejava independente.

"O discurso dele ia ao encontro do que sempre procurara em Cabo Verde e nunca descobrira. A justiça da doutrina inspirava-a. Ele não se exprimia como quem dá lições, mas como um verdadeiro visionário."

"Aquele beijo constituiu para Carol a verdadeira origem da autoconsciência do seu poder de mulher. Apesar da inexperiência, intuíra que, como em certos livros, no amor há sempre um que ama e outro que é amado..."

Avançamos enredo adentro com as várias identidades que Carol assumiu, mas aceitamos desde logo que a política e as suas aventuras e desventuras são o foco central do livro, as paixões, os homens, os amigos, os militantes, os destinos, são meros veículos para conhecermos esta mulher que agora se apresenta, por via da ficção, à filha Helena. A narrativa espelha uma certa angústia e um tom distante, mas, a meu ver, em busca de reconhecimento pelo percurso que traçou. 

"Ao relembrar o que aconteceu, puxa-se o fio de um novelo cuidadosamente enrolado. Um romance favorece uma história coerente, conseguindo atenuar a incongruência de certas acções, abrindo caminho para escolhas plausíveis que ficam bem numa narrativa, mas que na vida real revelam consequências devastadoras. Se confiarmos no texto, fico mais parecida com uma criatura mais fiável e corajosa."

Novidade "Canção Doce"

A Alfaguara vai editar dia 19 de Abril, o romance “Canção doce”, de Leila Slimani, vencedora do prémio Goncourt em 2016.


Trata-se da história perturbadora de uma jovem família que vê os seus dois filhos perderem a vida às mãos de uma ama que parecia perfeita.
Este é um romance-reflexão sobre a sociedade de hoje, que levanta vários dilemas sobre a nova dinâmica das famílias numa sociedade moderna.

Leila Slimani é uma das mais jovens laureadas de sempre, e a 12ª mulher a receber o prémio em mais de 100 anos da sua história.

“Canção doce” foi ainda finalista de importantes prémios literários, como Prix Renaudot, Femina, Prix de Flore, Prix Interallié.

A autora, jornalista franco-marroquina, rapidamente se transformou num nome de referência nas letras francesas, com histórias provocadoras, que incitam à reflexão sobre a vida contemporânea.

Uma novidade com data de lançamento para Abril, ao abrigo da

segunda-feira, 20 de março de 2017

Passatempo "Estilo de Vida - A Dieta que Resulta"

"Segunda começo a fazer dieta!" 
:) 
Para que a dieta comece à segunda, continue na terça, se prolongue à quarta, se mantenha firme à quinta e em todos os outros dias da semana.


Passatempo termina dia 26/03/17

Para se habilitar ao passatempo, preencha o formulário abaixo e siga as regras dos nossos passatempos:

ATENÇÃO - REGRAS:
- O preenchimento do formulário é obrigatório para se habilitar ao passatempo.
- Podem participar todos os dias, basta voltar a preencher o formulário e partilhar o passatempo nas redes sociais.
- Só serão apuradas participações de fãs e/ou seguidores do Efeito dos Livros
- Só serão apuradas participações de fãs ou seguidores da Página Alma dos Livros
- Ser fã e seguidor, duplica as hipóteses de ganhar.
- Só aceitamos participações de residentes em Portugal.
- Sorteamos os prémios no random.org entre todos as participações.
- Não nos responsabilizamos por nenhum extravio. O envio do prémio será efectuado pela editora.

Um passatempo com o apoio:

BOA SORTE!

Passatempo Planeta :: "Sinto a tua falta"

Ah romances...
precisamos sempre de mais um para a nossa estante.
E este nasce em Florença :) oh alegria!


Passatempo termina dia 26/03/17

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Passatempo "Portugal - A História de uma Nação"

E porque nem só de romances e ficção vive um leitor, é sempre bom diversificar as leituras e, acima de tudo, aproveitar para conhecer um pouco mais sobre a nossa própria cultura.
"Portugal - A História de uma Nação" é uma óptima novidade Alma dos Livros e vocês podem ter a oportunidade de ganhar um dos dois exemplares que temos a passatempo.


Passatempo termina dia 26/03/17

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Passatempo Editorial Presença :: "Antes de vos deixar"

Por aqui somos fãs dos livros que se tornam filmes e não podíamos deixar passar este em branco.
Vai ser a nossa sessão de cinema desta semana. Ok, este e mais um ou dois.

Aproveitem para ir ao cinema e já agora, para ler o livro.


Passatempo termina dia 26/03/17

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sexta-feira, 17 de março de 2017

Opinião "10 Segredos para ser seduzida por um Lorde"

Lady Sarah MacLean, curvo-me perante a sua capacidade estonteante dar vida a tão magnificas personagens.
Estou complemente rendida a esta série.
Posso ler mais um?


Quem leu "9 regras a quebrar para o conquistar" ficou com toda a certeza de olho nos irmãos de Gabriel, o seu gémeo Nicholas e a recém descoberta meia irmã italiana, Juliana.
Garanto-vos que se ficaram de olhos neles, ficaram muito bem. 
Este segundo livro sobe a parada para níveis altíssimos, só consigo imaginar o que poderá acontecer com Juliana.
Mas voltando ao Nicholas...

Votado por uma revista feminina como um dos solteiros mais desejados do Reino, Lorde Nicholas St John sente-se o alvo das atenções de todas as jovens solteiras e suas respectivas mães desde que o artigo se espalhou.
Lá porque o irmão sucumbiu, e muito bem, aos encantos de Callie e à teia intrincada do amor e do matrimonio, não quer dizer que ele deseje seguir o mesmo caminho.
Na realidade qualquer distracção é bem vinda quando o homem habituado a ser caçador se começa a sentir perseguido. 
E é numa missão, no qual os seus dotes de batedor são precisos, que Nick encontra alguém que lhe vai encher as medidas e fazer transbordar o copo.

Lady Isabel sempre teve de se orientar sozinha. Filha de um conde que amava mais a boa vida que as responsabilidades para com a família e os seus deveres, Isabel ficou desde nova responsável pelo futuro Conde Reddich, a casa, as finanças e todos os "inquilinos" que Townsen Park começou a albergar.
Determinada a não permitir que outras mulheres sejam vistas como mercadoria numa qualquer troca comercial pelos seus pais ou maridos, Isabel faz da sua casa um santuário, onde toda a gente tem um lugar e um propósito e onde ela arranja forças para continuar, mesmo quando já não há nada que a ajude.
A entrada de Nick pode ser uma bênção ou uma maldição.
Por mais caída em desgraça que Isabel esteja, será ela capaz de pedir ajuda e aceitar a mão que Nicholas lhe estende?
Será Nicholas capaz de ganhar a confiança de Isabel sem ocultar o motivo porque se encontra no Yorkshire?
Haverá volta a dar uma vez descoberta a verdade? Poderá algum deles alguma vez voltar a acreditar no amor?

Numa hilariante troca de galhardetes, estes dois testas duras vão degladiar entre si até derrubaram os muros que ambos construíram em seu redor. É uma história linda de ser ler, onde rapidamente estamos presos às personagens, quer pela sua irreverência, quer pelos sentimentos sinceros que nos transmitem.
A história de Nick e Isabel, o amansar destas duas feras, vem envolta em valores mais altos.  A responsabilidade perante a família, a luta pela sobrevivência, a interajuda de quem compreende o outro, a peso do passado no nosso dia a dia...oh pah, podia ficar aqui o dia todo.
O quanto me ri com este livro! Espectacular!
É muito interessante ver um livro deste género que foge ao clássico "ele é o infame libertino, ela a casta menina de bem que vai ser corrompida por ele mas que na realidade já tinha em si uma chama à espera de ser ateada". Por mais que já me tenha divertido a ler estas histórias, a minha preferência por uns romances históricos hot já pede uma história que fuja ao típico, ou então, que tenha personagens que nos roubem o coração à primeira aparição.
Como foi o caso de Nicholas (no primeiro livro) e de Lady Isabel, no telhado....
Não liguem, depois vão entende.
Agora...
que venha Juliana. 
Acho que vou ter de encaixar a outra série da Sarah na minha lista de leituras. Ainda só li um :D

A série "Love by numbers" é uma aposta

Relembro a opinião ao primeiro livro da série

Novidade Saída de Emergência :: "Perdição em Roma"


Uma história arrebatadora e bela de um confronto milenar que poderá condenar dois amantes para a eternidade. Raven e a sua irmã, Cara, estão à mercê de inimigos que se movem no submundo de Florença e que as mantém como reféns e oferenda de paz à temida Cúria de Roma. Sem certezas de que William sobreviveu ao golpe que destruiu o seu domínio, Raven está determinada a proteger a sua irmã a todo o custo, mesmo que isso implique desafiar Borek, o líder dos inimigos de William. 

Num esforço para manter Raven longe dos seus rivais, William decide entregar-se ao Romano, o misterioso e perigoso rei do submundo italiano. Mas o Romano revela-se como alguém totalmente inesperado… Alianças e rivalidades irão ser feitas e quebrar-se enquanto William luta para salvar a mulher que ama e o seu reino, sem iniciar uma guerra civil. Conseguirão os amantes permanecer juntos, contra todas as expectativas?

Relembramos os outros 
Para mais informações visitem o site

quarta-feira, 15 de março de 2017

Novidade Guerra & Paz :: "ESTILO DE VIDA - A DIETA QUE RESULTA"


Sem glúten, sem lactose e sem organismos geneticamente modificados, mais do que uma dieta, este é um estilo de vida. Esta é a solução para quem está farto de dietas restritivas e de exercícios desgastantes, que não consegue manter durante muito tempo, e que põem em causa a sua saúde e o seu bem­-estar.

Para ser fit para toda a vida, os autores conceberam e tes­taram um programa alimentar saudável e de fácil manuten­ção e um plano de treino de força de alta intensidade para ser feito em movimentos lentos.

O objectivo é perder massa gorda, melhorar a sua saúde e a sua auto-estima e, o mais importante, manter os resultados!

Este plano é personalizável: pode adaptá-lo às suas neces­sidades e objectivos. E, para tornar a mudança mais fácil, ain­da lhe apresentamos 30 receitas simples e deliciosas!

Uma novidade

Novidade Suma de Letras :: "Desaparecidos"

Ninguém mente. 
Ninguém diz a verdade. 
Todos têm segredos.


Greta acorda e percebe que Alex e Smilla ainda não voltaram. Saíram do barco para um passeio na ilha no meio do lago Maran, enquanto ela permaneceu a bordo, a descansar. Vai para terra procurá-los, mas rapidamente percebe que eles não estão na pequena ilha. Desapareceram. 
O marido e filha desapareceram. Mas ela não é casada e nunca teve filhos….

Uma novidade

Novidade Topseller :: "Os Pecados de Lorde Cameron"



Data de lançamento - 20 de Março

Lorde Cameron é um homem de gostos simples… 
E de prazeres complexos.

Cameron Mackenzie é um afamado libertino com apenas dois interesses na vida: cavalos e mulheres — e se estas forem casadas, melhor ainda!

Ainsley Douglas é uma mulher com a missão de salvar a Rainha de Inglaterra de um escândalo, resgatando as suas cartas comprometedoras — mesmo que para isso tenha de se infiltrar nos aposentos privados de um homem de reputação duvidosa.

O problema é que, ao apanhá-la em flagrante, Lorde Cameron não quer saber das explicações de Ainsley para tal ousadia. O único interesse dele é tê-la finalmente à sua mercê, agora que ela está viúva e novamente disponível.

Todavia, este jogo de sedução acarreta também os seus perigos. Apesar de tudo, Lorde Cameron Mackenzie é um homem com um passado conturbado e razões para não confiar em nenhuma mulher…

Conseguirá Ainsley convencê-lo a quebrar as suas próprias regras?

Uma novidade

terça-feira, 14 de março de 2017

«A mulher que prendeu a chuva» de Teolinda Gersão :: Opinião



Originalmente publicado em 2007, «A mulher que prendeu a chuva» reúne quatorze contos de Teolinda Gersão, arrecadando dois prémios: Prémio Máxima de Literatura e Prémio Fundação Inês de Castro. O mesmo livro entrou também no Plano Nacional de Leitura. 

A propósito da participação da autora no Clube de Leitura do Lumiar, decidi revisitar este livro na sua 6ª edição que é de 2016, ano em que o li e mais precisamente no Verão, talvez por isso, o primeiro conto a que me atirei foi precisamente o último, «O Verão das teorias» para o qual o sub-título: reunionite aguda acentaria como uma luva, já que aqueles dois tios impuseram as reuniões como uma dinâmica familiar que aquelas crianças jamais iriam esquecer. É um conto delicioso e cheio de episódios caricatos, repletos de inocência e de magia que só os Verões em família podem ter... numa certa idade. 

"E a tia Serafina, que arrumava o armário, sabíamos que tinha um namorado que lhe escrevia cartas e ia aparecer no final do Verão para a pedir em casamento.
Pedir a mão, ouvíamos dizer. Ela podia mandar-lhe a mão, dentro de uma carta. Uma mão pintada, ou recortada, num papel. Nós sabíamos desenhar uma mão assim."

Depois de ter começado pelo fim, voltei ao primeiro conto e fiquei conquistada pela preocupação daquela mulher que não sabia em que língua deveria comunicar com o marido morto. É uma ideia brilhante, aliás todo o conto nos submerge numa metáfora muito interessante. 

"Não sabia onde estava e recordava-me só vagamente do meu nome. Mas não me esquecera o teu. Nem o facto de que estavas morto."

Não continuei o livro pela sua ordem e fui ler o conto que dá título à colectânea, maravilhando-me com a estória dentro da estória que fez ainda mais sentido quando entrei de seguida no conto "Se por acaso ouvires esta mensagem" e fiquei a pensar na ligação entre ambos os contos pela frase: "

Há palavras que uma vez ouvidas, nos mudam para sempre. Devias saber isso, afinal não eras tu mesmo que o dizia? É isso que eu pretendo, falando: mudar-te. Se me ouvires não poderás continuar como és, alguma coisa em ti se transforma e te coloca em movimento. Mesmo que apenas dês, na minha direcção, o menor dos teus passos."

Este foi um dos contos favoritos, mas também aqueles que falam de cidades que conheço e outrora visitei, tendo a Teolinda a capacidade de me colocar lá de volta, a locais que se fechar os olhos, revejo e reencontro, como as cores do Outono nas tonalidade do Tiergarten. 

"A vertigem do tempo. Um lugar reflectia outros lugares, os rostos outros rostos. Caminhavam ao acaso, deixando-se levar pelo que acontecia, porque eram os choques casuais com a banalidade que de repente se revelavam portadores de sentido, como iluminações momentâneas."

E se não é isto a essência de tantas viagens, o que é?

*
Agora é tempo de me lançar a mais outros quatorze contos, desta vez reunidos no livro «Prantos, amores e outros desvarios», uma edição Porto Editora.

Novidade Esfera dos Livros :: "A Verdade sobre a Mentira"


Mentimos por hábito ou para nos protegermos? Para ficarmos bem vistos e impressionarmos os que nos rodeiam? Ou para obter uma vantagem adicional? Mentimos por nos sentirmos inseguros, porque temos uma autoestima baixa, por humanidade? Ou mentimos para esconder algo que fizemos de errado? Para manipular os outros? Quando olhamos à nossa volta apercebemo-nos de que é quase impossível excluir a mentira da nossa vida. Todos os dias dizemos «pequenas» mentiras, que utilizamos de forma quase inconsciente mas que afetam a nossa vida e a dos outros. «Estamos quase a chegar» - e sabemos que ainda demoramos mais 20 minutos. «Esqueci-se de comprar bolachas» - e até comprámos, mas é o que dizemos ao nosso filho quando ele nos pede bolachas mesmo antes do jantar. «Não recebi esse e-mail» - e, na verdade, recebemos mas é o que respondemos ao nosso chefe quando nos pergunta se uma tarefa já está feita.

A psicóloga María Jesús Álava Reyes, autora do bestseller A Inutilidade do Sofrimento, ensina-nos a detetar as nossas próprias mentiras e as dos outros, a perceber se existe uma relação direta entre mentira e a personalidade que leve determinadas pessoas a mentir mais do que outras, quais os erros a evitar para não cairmos nas mentiras alheias ou se temos consciência das nossas próprias mentiras.

Um livro essencial para levarmos uma vida mais verdadeira, porque há mentiras no amor, no trabalho, nas relações de amizade ou na política que causam problemas emocionais e que escondem segredos que convém muitas vezes descobrir.

Uma novidade

«YORO» de Marina Perezagua :: Opinião


«YORO» de Marina Perezagua é inquietante, visceral, duro, apaixonante, vibrante, desconcertante, anguloso, (digo eu) inovador, resiliente, descritivo, ritmado, fascinante, onírico, labiríntico, visual. contemporâneo, sofredor, real e altamente inclassificável, entre o horror do que descreve e a beleza da escrita. 

É também bastante difícil de dosear a leitura, já que é extremamente viciante toda a relação descrita, ficando o leitor no meio de sensações e sentimentos complexos, dúbios, duros, violentos, mas a curiosidade é constantemente aguçada e não queremos parar. O crime é confessado logo ao início e toda a sua defesa, toda a carta, é um relato de nove meses, que são anos, anos de vida sofrida, entre horrores diversos e uma busca incessante. 

"O problema é essa superioridade que qualquer rótulo parece ter pelo simples facto de ter sido aceite como tal, de ter sido impresso. É isso que, às vezes, me parece a nossa vida em sociedade, tudo consiste numas quantas pessoas se porem de acordo e estarem dispostas a pagar pelas letras que formam o nome do seu colectivo numa t-shirt ou num boné, 
As possibilidade do indivíduo, do solitário, são ínfimas, porque representarmo-nos a nós mesmos fica muito caro. Hoje falam de minorias. Mas eu rio-me da exclusão das minorias. A verdadeira marginalidade é a que sente quem não tem acesso sequer a um grupo minoritário. O mundo é feito de grandes minorias, mas durante muito tempo, eu estive radicalmente só."

É nessa solidão que vamos conhecendo H.; H. de Hiroxima. Mais tarde conhecemos Jim e também Yoro, mas no intermédio, nas entrelinhas, nos vários meses de espera, que são efectivamente anos, tudo se doseia neste testamento de horrores que é a carta de H. ao seu carrasco, a quem a condena. No entanto, esta longa missiva pretende angariar admiradores ou talvez entendedores, para a sua causa, para a sua dor, a sua busca interminável e a cura das suas falhas. 

"É uma espera necessária, porque aquilo que o senhor vai saber antes de acabar de me ler é tão difícil de explicar que não conseguiria compreendê-lo se eu não fosse doseando a informação que, gota a gota, se irá sedimentando na sua consciência até à estalactite do seu significado rasgar esse momento em que uma pessoa entende o que só com o sedimento do tempo se pode entender."

Não podemos negar que H. nos avisa para a dificuldade do que vai pautar as páginas do seu último relato, no entanto, o tempo não é o suficiente para sedimentar um lugar de espectador para o leitor neste palco de horrores espalhados pelos mais variados cantos do mundo.

"A enfermeira desatou a chorar sem saber o que fazer com aquela meia sem perna, não se atrevia a deitá-la fora, a deixá-la de lado, pois certamente, tal como eu, continuava a ver a perna lá dentro. 
De novo, a presença da ausência enchia tudo ao ponto de fazer de todos nós uns seres inúteis que nos dedicávamos a cuidar do que já tinha deixado de existir."

Esta história é sem dúvida a de coisas que existem, mas estão despedaçadas, ou de cacos que tentam encontrar o pedaço que lhes falta, se é que ainda têm a possibilidade de se unirem para formar um todo. «Yoro» é uma narrativa fragmentada, como uma colecção que foi perdendo peças, umas fruto da confusão do tempo, outras furtadas pela ganância alheia e no final, há uma coleccionadora peculiar que deseja reunir todas essas peças, nem que seja para obter um fim de vida mais pacífico e completo. 

"Mas olhava para o chão, o tempo todo para o chão. Tentei justificar isso e, para o tomar como sintoma da sua alegria, pensei que olhar para baixo é o contrário da tristeza. Olhar para baixo - dizia a mim mesma para me convencer - é festejar a última pegada, o presente mais presente, o rebento da erva que há dois passos estava debaixo da terra. 
Uma pessoa olha para o céu e não vê nenhum nascimento. Vê despertares. Mas isso é outra coisa. O sol que volta a surgir é um idoso que nasceu há milhões de anos. Para ver os nascimentos, temos de nos centrar no pequeno, muitas vezes no chão, no aparecimento de um cogumelo, num formigueiro, na fenda por onde a borboleta rompe o casulo. Pensava que ele poderia ver tudo isso, e que se alegraria com cada parto. (...)"

Este registo meio onírico, criando um registo peculiar e traçado por alguma loucura mantêm-se ao longo de todo o romance e confere-lhe uma lucidez muito própria, fazendo com que as divagações de H. sejam questões para o leitor se debater e que ficam a ressoar, nomeadamente a da importância de mantermos acesa a chama da loucura. 

"A isso respondo-lhe que é verdade, que hoje, nos dias em que escrevo este testemunho, sou muito velha, mas, como a minha cabeça parou durante muitos anos, como teve um descanso e adormeceu na sua loucura, não está tão desgastada como outras da minha idade, como a sua, que certamente nunca adormeceu no sonho da reparadora insanidade, porque os loucos quando deixam de raciocinar, deixam de produzir, soltam-se da corrupta engrenagem social..."

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Um livro ELSINORE.