segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Novidade Companhia das Letras :: "MEIO HOMEM METADE BALEIA"

Num mundo em que a desumanização parece irreversível, um muro divide os homens.


Jonas e a sua jovem filha Aliss são conduzidos ao longo do imenso muro por um homem chamado Servantes. A missão é levar água aos menos favorecidos, talvez electricidade. Funcionário de uma organização internacional, Jonas debate-se com o ritmo hesitante da missão. O longo muro, o clima e a distância alimentam dúvidas sobre o significado de civilização, mas Jonas vai avançando, confortado pela pequena coragem das rotinas repetidas.

Enquanto isto, a filha torna-se mulher, devagar, tumultuosamente.

Aos desamparados, no entanto, não chegou ainda a água.

Uma desconstrução dos lugares confortáveis do Ocidente, Meio homem metade baleia é uma narrativa notável que convida a uma poderosa e necessária reflexão.

O que diz a imprensa:

«Uma poética que arrisca alimentar e transcender o esquema das oposições, num exercício invulgar, notável e vertiginoso, que conduz  a literatura para um lugar novo. Há-de marcar a poesia do nosso tempo pela sua originalidade, pela sua contundência, pela qualidade, pela novidade.» 
José Tolentino Mendonça, a propósito de História do Século Vinte

«Um primeiro livro que já impõe o nome do autor: História do Século Vinte, de José Gardeazabal.» Nuno Júdice 

«O que mais surpreende nesta História do Século Vinte, brilhante livro de estreia, distinguido com o Prémio INCM/Vasco Graça Moura, é a escala e o fôlego do seu projeto literário.» 
José Mário Silva, Expresso

«Uma escrita impulsiva e livre, cara a cara com os factos.» 
Jornal de Letras

 Uma novidade

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Opinião "Só nós dois"

Mantendo a tradição, o primeiro livro do ano foi o mais recente romance de Nicholas Sparks.


Vou começar por explicar que percebi mal sinopse. Ou melhor, o resumo na contracapa do livro levou-me a pensar algo completamente diferente da realidade.
Não sei se isto pode ser considerado spoiler ou não mas eu honestamente pensava que "Só nós dois" se tratava da jornada de Russell Green, um homem que ao perder a esposa se vê a braços com a dor do luto, a responsabilidade de educar a filha e levar para a frente o seu recente negócio por conta própria para assim ter dinheiro para colocar comida na mesa.
Fui só eu que percebi isso da sinopse?
Eu confesso que andei ali de pé atrás à espera que um dia a mãe saísse e algo de trágico acontecesse mas a história tomou um rumo completamente diferente, um que é muito mais comum do que o esperado.

Russell sempre foi um romântico, um homem de gestos grandiosos e de "viveram felizes para sempre". Teve paixões, teve amores mas foi em Vivian que encontrou a mulher da sua vida, aquela que lhe enchia as medidas, aquela que lhe deu a volta à cabeça. Casaram, tiveram uma filha e à semelhança de milhões de casais, ela ficou em casa a tomar conta da filha nos primeiros anos e ele trabalhava para sustentar a família. Até aqui, tudo normal. Cada casal tem a sua dinâmica. Mas nada se mantém inalterado porque nenhum ser humano é uma pedra que se mantém imóvel e imutável.

Os problemas no trabalho, a responsabilidade de educar uma criança, a falta de comunicação, a frustração, o conflito e a falta de realização pessoal, são alguns dos explosivos que minam um casamento e o de Vivian e Russ foi se tornando num campo de batalha. 
É compassadamente que acompanhamos as mudanças na vida de Russ, desde o declínio na sua relação com a mulher, até à separação que os deixa em lugares diferentes.
Mas o mais importante deste livro, embora não se possa deixar de lado um evento marcante que é uma separação, é mesmo a relação que Russ constrói com a filha.
Primeiro impingida, porque Vivian não queria que a filha fosse acompanhada por estranhos (vulgo ama ou infantário) e depois como ar que respira quando já não consegue estar em casa sem que a sua menina esteja consigo.

É enternecedor ler um livro nesta perspectiva, uma que tantas vezes falta na vida de tanta gente.
Quantos homens podem dizer que ficam sozinhos com os filhos? Quantas homens sabem tratar de tudo na vida de uma filha? Quantas de nós somos responsáveis pelo alheamento que tantos pais demonstram pelo dia a dia dos filhos porque teimamos em sermos nós a tratar de tudo?
Xi...nem vou entrar por aqui.

O que quero dizer é que gostei muito de ler este livro. É bom ler um romance cujo o principal foco não é um casal. Na realidade, embora a relação de Russ com a filha seja a peça central da história, são as outras peçinhas que encaixam à volta que me conquistaram. Principalmente a da sua família, ESPECIALMENTE a da sua irmã e o laço que partilhava com ela.

Entre momentos de lágrima no canto do olho aos outros em que me apeteceu espetar dois tabefes na mulher dele (e por vezes nele), "Só nós dois" prova que o Tio Nicholas sabe o que o seu público quer e uma vez mais presenteia-nos com um romance que nos faz sorrir, adorar personagens e expressar uma panóplia vasta de sentimentos em quase 600 páginas.

Ainda bem que decidi criar esta tradição, caso contrário deixaria passar para a estante da mãe algumas histórias deste autor sem nunca as ficar a conhecer.

Querem uma boa prenda para o dia do pai? 
Esta é uma delas.

Deixo-vos com a música escrita para o livro


Uma aposta

Novidade Marcador :: "Os Viajantes"

Este é o livro sequela de Os Passageiros do Tempo. 
Quem é que ficou rendido à história de Etta e Carter?


Etta Spencer não sabia que era uma viajante até ao dia em que emergiu a quilómetros e a anos da sua casa. Agora que lhe roubaram o objeto poderoso que era a sua única esperança de salvar a mãe, Etta encontra-se presa mais uma vez, longe do seu tempo e de Nicholas, corsário do século XVIII por quem se apaixonou.

Quando se vê no coração do inimigo, promete terminar o que começou e destruí-lo de uma vez por todas. Mas é surpreendida com uma revelação bombástica sobre quem é o seu pai. De repente, questionando tudo pelo que lutou, Etta tem de escolher um caminho que poderá transformar o seu futuro.

Uma novidade



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Novidade Alma dos Livros :: "Água Profundas"

Debaixo de água, o corpo ficou imóvel. À superfície, o pesadelo estava a começar.


Debaixo de água, o corpo afundou-se rapidamente. Ali permaneceu, imóvel e imperturbável durante muitos anos, mas, lá em cima, fora de água, o pesadelo estava apenas a começar.
Quando a detetive Erika Foster recebe uma denúncia anónima informando que uma prova fundamental relacionada com um caso de narcóticos estava escondida numa pedreira abandonada nos arredores de Londres, ela manda investigar a pista. No espesso lodo das águas encontram as drogas que procuravam, mas também os restos mortais de uma criança pequena. O esqueleto é rapidamente identificado como Jessica Collins, a menina de sete anos que fizera as manchetes das notícias vinte e seis anos antes.

Ao mesmo tempo que tenta juntar provas novas à investigação, Erika depara-se com uma família que guarda muitos segredos, uma detetive atormentada pelo fracasso e a morte misteriosa de um homem que vivia junto à pedreira. 

Será o assassino alguém dos elementos mais próximos da menina? Há quem não deseje ver o caso resolvido. E tudo fará para impedir Erika de descobrir a verdade

Uma novidade


Primeiros livros da Série

Novidade Topseller :: "Verão em Edenbrooke"

À venda a 22 de janeiro!


Romance e aventura numa história encantadora, ao estilo de Jane Austen.

Marianne Daventry seria capaz de tudo para escapar ao tédio de viver em Bath e às investidas amorosas de um pretendente indesejado. Por isso, quando a sua irmã gémea, Cecily, a convida para passar o verão com ela em Edenbrooke, a maravilhosa propriedade rural de uns amigos da família, ela nem hesita em aceitar.

Parte assim para a casa de campo, pensando que poderá finalmente relaxar enquanto a irmã tenta conquistar Philip, o encantador herdeiro da propriedade. Mas rapidamente descobre que até os melhores planos podem correr mal.

Desde ser vítima de um assalto terrível até ter de ignorar sentimentos indesejados que começa a sentir pelo anfitrião da casa, Marianne vê-se enredada numa grande aventura, repleta de romance e intriga, que a deixará completamente desorientada.

Conseguirá Marianne conter o seu coração, ou irá um estranho arrebatá-lo irremediavelmente?

«Uma belíssima história de amor que irá aquecer o coração do leitor.»
Publishers Weekly

«Um romance de estreia delicioso e arrebatador.»  
Publishers Weekly

Uma novidade

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Opinião "A Coroa" - Último livro d'A Seleção


Depois de devorar de rajada cada um dos livros correspondentes à Seleção do Principe Maxon, não foi de ânimo leve que fiquei a conhecer a continuação da história, 20 anos depois com a sua filha Eadlyn. A miúda não me entrou nos estreitos! Vocês leram a minha opinião ao "A Herdeira". Eu tentei ver o ponto de vista dela mas como disse, fiquei com mixed feelings. Honestamente, não diria que ela tinha sido produto da união de Maxon e América.
E depois, os miúdos que foram selecionados para o seu processo de seleção simplesmente não me ficavam na memória. No entanto, o final do quarto livro deixou-me bastante curiosa para saber o que se passava a seguir, quer devido a eventos com a família real, quer para saber quem é que no final a Princesa iria escolher para estar ao seu lado quando assumisse o seu papel de Rainha. 

Dividida entre o trabalho que dá assumir o lugar do pai e a necessidade de restaurar a confiança do povo na realeza, Eadlyn tem ainda de tomar uma decisão sobre quem sairá vencedor e dono do seu coração, corpo e alma no final da seleção. Pressionada para acelerar o processo, as dúvidas são muitas mas as reviravoltas, umas mais esperadas que outras, acabam por colocar em movimento um desfecho que nos faz sorrir e pensar que afinal havia maneira de salvar a miúda que fiquei a conhecer no livro anterior.

"Amor. Tal como as roupas, tinha percebido que se tratava de algo que não servia exatamente da mesma maneira a duas pessoas diferentes. Ainda não sabia o que essa palavra significava para mim, mas sentia que, mais cedo ou mais tarde, ficaria totalmente definida. Tudo o que restava era saber se eu poderia ficar satisfeita com a definição."

Definitivamente este "A Coroa" foi mais ao meu gosto e embora tenha ali uma ou outra coisa que me fez revirar os olhos, tenho de admitir que gostei bastante do final. Posso até dizer que assim "sim, esta princesa/futura rainha é filha da mãe" e do pai também.
Por vezes é muito difícil ler uma continuação de uma história que gostámos muito e que por nós tinha terminado lá atrás, no terceiro livro. Temos receio que não façam jus à personagem que tanto adorámos, que a história que se segue seja sem sentido ou só para "encher chouriços". Curiosamente acho que foi importante rever as personagens d'A Seleção e conhece-las no seu papel adulto. Acima de tudo foi bom ficar a conhecer os filhos de Maxon e America, assim como dos outros. 

Continuo a dizer que isto dava uma série muito fixe mas com tantas que existem por aí, será que vingava?
Eu cá posso dizer que adorei ler A Seleção.
E continuo a dizer que é ao início era a versão palaciana do Hunger Games :P

Relembro a opinião aos restantes livros da série

"A Herdeira"

Uma aposta

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

"Pecados Santos" o NOVO livro de Nuno Nepomuceno

Quem tem estado atento aos livros do Nuno Nepomuceno?
Nós! Desde o primeiro :)
O que nos espera neste "Pecados Santos"?


Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu.

O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio.

Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se.

Estarão ou não estes acontecimentos relacionados?

Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados?

As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado?

Data de publicação - 19 de Janeiro

SESSÃO de LANÇAMENTO
 FNAC C.C. Colombo
24 de janeiro, pelas 19h00

Uma novidade

Opinião a outros títulos do Nuno Nepomuceno

Novidade Bertrand :: "Não é bem Namorar"


Jessica, empregada de mesa e mãe solteira, é uma mulher prática e cautelosa. O seu foco é o filho e não quer namorados. A menos que fosse um homem rico, que pudesse dar estabilidade e conforto à família. 
Quando lhe aparece Jack Morrison, um bonitão de cair para o lado mas que parece andar sempre falido, Jessica resiste. 

Na verdade, herdeiro de um hotel de luxo, Morrison está habituado a que se aproveitem de si. Por isso esconde a sua identidade e oferece-se para ajudar Jessie a encontrar um namorado rico.
Mas será que esta brincadeira parva o vai fazer perder a mulher que ama?

Uma novidade

Novidade Topseller :: "Quase Adulta"

À venda a 22 de janeiro!


A perfeição é entediante; o interessante é o caminho até lá se chegar.
Quando lhe perguntam quem é, Andrea Bern tem a resposta na ponta da língua: ela é designer, nova-iorquina, amiga, filha e irmã.
Mas, nas entrelinhas, percebe-se a sua verdadeira natureza: ela é quase quarentona, quase artista, quase à deriva, quase adulta. À sua volta, as pessoas arquitetam a vida tal qual os padrões que as revistas e as séries de TV populares comandam.
Mas há muito que Andrea deixou de perseguir esse sonho e de ter expetativas irreais sobre a sua vida. Contudo, quando a sua sobrinha nasce com uma doença incurável, Andrea e a família têm que rever prioridades.
Pela primeira vez, ela é forçada a fazer algo impensável: a preocupar-se com os outros.


Ideal para fãs de O Diário de Bridget Jones e O Sexo e a Cidade.

Selecionado para várias listas de melhor livro do mês, incluindo as revistas Elle e Vogue UK, o jornal Chicago Tribune, o site Book Riot e a Amazon

Uma novidade

Opinião "Amor com travo agridoce"

Quando li a sinopse de "Amor com travo agridoce" pensei "opah isto vai dar pano para mangas".
Uma amante de lingerie e entusiasta boleira embeiça-se por um top Chef de cozinha com fama de rufia.
Que mais posso dizer? 
Estavam ali todos os ingredientes para uma suculenta sobremesa, daquelas de lamber colher, dedos e prato. Mas à semelhança do que já me aconteceu tantas vezes, faltou fermento ou aquele ingrediente chave que torna o bom em extraordinário


  Conhecemos Daisy no dia a dia entre casa, cuja a renda luta por pagar, e a loja de lingerie vintage na qual trabalha. O seu grande sonho era conseguir publicar o livro que passou os últimos dois anos a preparar mas o vasto conhecimento sobre lingerie não vai fazer de Daisy uma autora publicada. No entanto, a sua "Big break" é capaz de estar para breve, ou assim prevê o seu agente literário que a manda, à semelhança do que deve acontecer com muita gente que leva o seu projecto ao mundo editorial, apimentar um pouco as coisas, criar uma história que incorpore os seus conhecimentos, as suas paixões e um ingrediente secreto.
Por entre bolos e ideias, Daisy decide ser arisca e aceitar um convite que não lhe era destinado, colocando no seu caminho o conhecido e controverso Michael Amiel, um cozinheiro francês que tem tanto de interessante como de cliché.
Entre uma carreira que já teve melhores dias, uma mudança para a capital inglesa e uma namorada que o leva a tribunal, Amiel tem as mãos cheias e parece resolver isso com confusão e copos, chegando até a ser salvo por Daisy numa ou outra ocasião.

E é num momento espontâneo entre ambos que a grande ideia surge na cabeça de Daisy e Lucy Lovecake começa a ganhar forma. Uma personagem bem feminina que dá concelhos sobre encontros, lingerie e receitas mas que até à data de lançamento terá de se manter secreta. E uma vez colocado o bolo no forno, não se pode espreitar ou tudo corre o risco de ruir.
Poderá o segredo do seu projecto, concorrente (de certo modo) com o de Amiel, arruinar as possibilidades entre eles?
Estará Daisy preparada para açambarcar todas as atenções que inevitavelmente o seu livro lhe trará?
Haverá volta a dar uma vez que o mal esteja feito?
Ficará a sobremesa empapada ou seca, sem graça?

Como disse, "Amor com travo agridoce" tinha todos os ingredientes para ser super saboroso. A personagem amorosa, o bad boy com um lado soft (e que sabe cozinhar!), a sedução pelo estômago, a possibilidade de descrições entre rendas e sedas sensuais, a competição pelo coração de Daisy, a melhor amiga que ajuda e precisa ser ajudada, o ex ranhoso, epah....TANTA COISA.
Mas...por mais que tenha gostado do fim e de dois ou três pontos, não fiquei inteiramente satisfeita.
Será que estou a ficar menos susceptível a romances? 
Acho que os policiais e thrillers estão a conseguir virar-me o miolo.

Isto também resultava muito bem como uma daquelas comédias românticas com um chef giro e uma cakemaker com um toquezinho pin-up.

"Amor com travo agridoce" é uma aposta

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Opinião "Uma Vida Alemã"


Quantos de nós, impávidos e serenos, não passamos todos os dias ao lado de coisas que requerem a nossa máxima atenção e compreensão. 

Uma pessoa está a ser maltratada na rua!! 
"Ui passa ao lado que isto não é nada contigo." 

Explode uma bomba em Times Square!!
"Xixa...enquanto for lá e não aqui, estamos bem, não é?" 

Com isto dos mísseis pode rebentar a terceira guerra mundial!!
"Ai que chatice, aquele Trump só faz trampa. Olha será que hoje a telenovela dá à mesma hora de ontem?"

Parece-vos familiar? Somos nós. Eu, tu, a tua prima, o teu irmão, o teu vizinho, a dona do café, a senhora à tua frente no comboio, o homem que vê uma série sossegadinho no metro, a rapariga que fala melhor sobre os últimos 5 livros que leu do que sobre o estado em que o mundo está. O mundo vive em ciclo vicioso e nós estamos nesta roda de rato de onde dificilmente conseguimos escapar.
Brunhilde era um rato na roda Terceiro Reich e nada fez contra o horror que foi aquele período da história. Na realidade, ao longo seu relato bastante honesto e real, ficamos com a impressão que além de não saber o que se passava, não parece sentir culpa pelo sucedido. 
Será que alguma vez encolheu os ombros ao sabor do pensamento "eles dão as ordens, eu só estou a fazer o meu trabalho" enquanto se levantava para ir buscar mais um cafézinho. Soa semelhante? Ahh pois, fazemos o mesmo, certo? Seguimos a nossa vida enquanto o mundo à nossa volta vai afundando lentamente. 
Ler o relato da ascensão pessoal de Brunhilde Pomsel de miúda sem graça a secretária de um dos grandes nomes do partido nazi é agoniante, à falta de melhor palavra. Damos por nós a pensar "Como será que esta senhora não via o que acontecia à sua volta" mas depois há que ver até que ponto faríamos diferente. Na realidade, ela acusa-nos de isso mesmo. 
É uma pena que o ser humano aprenda tão pouco com os seus erros e este livro pretende ser exactamente isso, um aviso para o futuro (ou o presente).

Será que mesmo depois da leitura deste livro, poderei eu olhar para os meus erros e aprender com eles? Será que perante atrocidades, sejam elas quais forem, eu vou virar as costas e fingir que não é nada comigo?
Só o tempo o dirá! Bem, o tempo e a consciência.

Para todos os "interessados" nesta época em especifico, acho que este é um relato interessante, um "olhar por dentro" e que ficará bastante completo com o visionamento do documentário com o mesmo nome.

"Uma vida alemã" é uma aposta

domingo, 7 de janeiro de 2018

Opinião "O Homem de Giz"

A 16 de Janeiro nas livrarias.

Pequenas figurinhas desenhadas no chão e nas paredes. A principio, inofensivas e divertidas mas com o passar do tempo tornam-se sinal de agoiro e perseguição. Onde nos levam os pequenos homens de giz? A um grande livro para começar 2018. 

Conhecemos Eddie no presente, a tentar explicar onde é que tudo começou e a olhar em volta para o que ele é hoje. Na casa dos quarenta, a viver na mesma casa e cidade que o viu crescer, Eddie ainda partilha, de vez em quando, uma cerveja com amigos de infância que são mais um hábito que uma ligação. O passado em comum é pesado e os acontecimentos que datam de 1986 nunca foram esquecidos.
Não querendo estragar a história ao revelar demasiado, posso dizer o seguinte:

A camada de inocência que nos protege do mundo vai ficando mais fina a cada ano que passa, a cada dor que sentimos, a cada segredo que guardamos e a cada amigo que perdemos.
No verão de 1986, Eddie Munster, Gav Gordo, Hoppo, Metal Mickey e Nicky vão sentir o que resta do seu véu inocente desaparecer a cada traço de giz que encontram.  Quando confrontados com a morte chocante de um membro da comunidade,  que verdades serão reveladas? Que segredos esconde este grupo?
O que poderá voltar agora para os atormentar?


E mais não digo!!
Posso é dizer que ADOREI ESTE LIVRO!
 Acima de tudo gostei do modo como a narrativa, contada entre 1986 e 2016, nos deixa em suspenso e a criar conjeturas sobre o que realmente se passou. Quem morreu? Quem foi o culpado? Que segredos escondem Eddie e os amigos? Que verdades permanecem perdidas no tempo?

Acreditem quando vos digo que por vezes é muito complicado escrever sobre um livro que gostamos.  Não consegui escrever nada durante uma semana inteira. Nem uma única linha.
Ainda estou a pensar no final.
A pensar em como esta história toda surgiu na cabeça da autora porque alguém ofereceu à filha um balde com pau de giz :)
Ahh a inpiração. 
Como é que dizia Picasso?
"A inspiração existe mas tem de te encontrar a trabalhar".
E que belo trabalho foi este "O Homem de Giz".

Uma aposta