quinta-feira, 26 de abril de 2018

«A Cécula Adormecida» de Nuno Nepomuceno - Opinião



Depois de ter lido «Pecados Santos», não resisti a vir descobrir mais da história do Professor Catalão, bem como o thriller religioso que se sustenta na religião muçulmana. E agora, com ambos os livros lidos, a expectativa é ainda maior para um thriller que se alimente dos pecados do cristianismo.  

Aqui, se o terror está no meio de nós, o abandono e a descrença também. Uns, vítimas da guerra e dos flagelos humanitários que deflagram nos seus países de origem; outros, vítimas do desenraizamento ou da descrença total num sistema no qual, não acreditam ou sequer se identificam. São todos vítimas. E quando existem vítimas, pairam sempre à sua volta bandos de corvos: almas negras e manipuladoras, aproveitando-se da fragilidade e da estranheza de chegar a um país com tantas diferenças. É nessa fraqueza, no medo e na desconfiança, com que a fé os assinalada, que se instalam preconceitos em ambos os lados. Preconceitos alimentados pelo desconhecimento, mas também por muita informação enviesada e viciada. 

"Um sentimento de angústia e desamparo apoderou-se-lhes do coração. Há muito que se encontravam à deriva, exaustos, deixados perdidos nas águas turvas do mar, entregues a um arbítrio que não compreendiam. Era de noite. A escuridão envolvia-os. E eles não mais acreditavam.
Haviam abandonado tudo. (...)"

«A Célula Adormecida» de Nuno Nepomuceno explica, detalhadamente, muitos desses engodos e dá imensas informações, tanto para quem quer saber mais sobre a religião muçulmana, como para quem só quer estar mais esclarecido face à actualidade: Síria - Islão - DAESH/ISIS. Pelo meio, um enredo muito bem conseguido, constantemente em aceleração e claro, oportunamente actual.
Nepomuceno é capaz de informar, fazer rir, criar momentos de tensão, construir personagens credíveis e de quem queremos saber mais e tudo isto em capítulos curtos, viciando o leitor, sempre à espera do detalhe seguinte, da revelação determinante. Por vezes, provoca certas distracções intencionais, com momentos de romance ou quezílias familiares, que tão bem compõem o ramalhete.

O que também compõe muito bem este livro são as "visitas" a Istambul, uma das cidades que mais gosteis de conhecer. A descrição do professor a contemplar o estreito do Bósforo na colina que alberga a imponente Mesquita Süleymaniye levou-me de volta a essa cidade cheia de contrastes, onde navegar nas margens do Bósforo nos dá bem a dimensão tríptica da cidade.

*

terça-feira, 24 de abril de 2018

«Cuba Libre, desejo de liberdade» de Tânia Ganho - Opinião



«Cuba Libre, desejo de liberdade», diz-nos logo desde bem cedo que estamos na presença de uma mulher aprisionada. A ilha da Madeira rodeia de água, a família de tradições e costumes, Lisboa de pessoas por todos os lados e o namorado, enfadonho e estável, cansa-a com a rotina e acena-lhe com casamento, filhos e uma vivenda, como o melhor que o futuro tem para lhes oferecer. 

"(...) cada vez mais me convenço de que os meus sentidos se bloqueiam na presença de grandes aglomerados de gente e eu fico como que a nadar num aquário de água turva, onde está tudo desfocado."

Mas conseguirá Clara fazer por ser e sentir-se livre?

Tânia Ganho vai oscilando os períodos da narrativa entre a ilha da Madeira, a Lisboa movimentada e umas férias em Cuba. E em cada capítulo chega-nos uma Clara que tanto foge da Natureza abrupta como a aprecia; uma mulher preparada para abraçar a capital cosmopolita, mas que a esmaga e sufoca, quando sonha com Cuba, não pelo que lá viu, mas pelo que lá viveu. Conheceu Len, uma mulher igualmente aprisionada, mas que a fez sentir ela mesma numa época em que as dúvidas já a assombravam.

"O problema é que eu não sabia ter o coração vazio e tinha sempre de encaixar alguém dentro dele, à força, a golpes de martelo."

Também à força de golpes duros sobre si mesma e de algum tempo passado a navegar ao sabor das paixões momentâneas e infrutíferas, Clara foi vivendo e experimentando para se descobrir e conhecer, mas ela era abrupta como a ilha, com os sentimentos a bombar, a pique, num coração que só precisava de se sossegar e conhecer. 

"Só vejo um horizonte enorme, vastíssimo, (...). Nas ilhas, o perímetro da vida é reduzido (...) A Madeira é agreste e eu sou como ela, de arestas espetadas onde as pessoas tropeçam e se magoam. Não tenho paisagens de areia fina, não sou suave, nem macia, nem balsâmica. Sou dura e pedregosa, vulcânica e traiçoeira, e devia ter um cartaz a avisar: Perigo-Falésia."

Apesar de muito bem escrito e caracterizado, este «Cuba Libre» não fala só da mulher e da sua eterna condição de procura e de descoberta. Fala também de um tempo de mudança, de acontecimentos políticos e sociais, que vão desde o estado do país, à música ou aos destinos de férias. É um livro rico em conteúdos que pautaram a viragem para o século XXI e os seus primeiros anos. E isso, tão depressa parece ter sido ontem, como ter acontecido há uma eternidade. 

"(...) morreu Álvaro Cunhal, um homem de convicções casmurras, mas com um fibra que já não se encontra nos tempos que correm. (...), seguiram-se-lhe o «companheiro» Vasco Gonçalves, um dos capitães de Abril, e o Eugénio de Andrade, que escreveu que «passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos» e me fez sentir como um «fruto sem sabor, que vai caindo ao chão apodrecido».



Novidades Livros de Ontem :: "TAMBÉM HÁ ABUTRES A PLANAR NO PARAÍSO"

"Quanto mais escrevemos, gesto puro de solidão e egoísmo, mais vezes atingimos a profundeza do ser. E pensamos, sempre, no que somos e fomos, no que estamos para ser. O mundo é uma cápsula fechada para si, como um umbigo que se mostra para atingir o clímax social e transbordar de arrogância para uma plateia vazia. Estamos a ser excessivamente egoístas e individualistas. Estamos a mostrar indignação de cadeirão, aconchegados, à distância, em zonas de conforto, gritando alto pela janela fora, julgando a indiferença dos outros, desdenhando a sua existência, mas invocando a supremacia da própria existência. No fundo, o que somos, o que cada um é, um projeto de cinza, um quarto compacto, um vazio, um final que nos avisa, aproveitasses enquanto era tempo. Agora, o infinito deixou de ter resposta."

A Livros de Ontem convida-o/a a participar na publicação desta obra
através da pré-compra do livro.

Nome impresso nos agradecimentos. 
Ofertas únicas e exclusivas.
1ª edição limitada a 200 exemplares.
Todos os exemplares são numerados e assinados.
Preço promocional de 12€ (desconto de 2€ sobre PVP.)

Mais informações no site

Novidade Parsifal :: "DE VOLTA (aos contos)"

 Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLB
Grande Prémio de Literatura dst


«FILOMENA MARONA BEJA PROVA QUE AS PALAVRAS CERTAS VALEM MAIS DO QUE MIL IMAGENS.» 
SÉRGIO LUÍS DE CARVALHO

Nesta obra, Filomena Marona Beja regressa a um campo da criação de que gosta particularmente. Uma prática literária que sempre acompanhou o seu trabalho de ficção.

De Volta (aos Contos) abrange alguns dos temas centrais e das inquietações dos nossos dias, como o papel da mulher («Eram todos homens com jeito»), o racismo («O tronco do plátano») ou os traumas de guerra (como em «De volta à ilha»), sem esquecer a cultura e a tradição de um Portugal salazarista («O casal do lagar velho») ou de um país em crise (retratado em «Embarque», «Ó da barca» ou «Fim de tarde»).

Empreendendo uma viagem pelo passado e pelo presente, pelas acções e pelas emoções de cada um de nós, De Volta (aos Contos) constitui não apenas a imagem de um país em crise, mas também, e sobretudo, o retrato de uma sociedade que insiste em acreditar. Ao mesmo tempo que comprova a mestria da autora na difícil arte de narrar com precisão.

Uma novidade

segunda-feira, 23 de abril de 2018

«Tudo é possível» de Elizabeth Strout :: Opinião



"«Pois é», (...) O que Annie não disse foi que havia muitas maneiras de não saber as coisas; a sua própria experiência ao longo dos anos espalhava-se agora no seu colo como uma peça tricotada, com fios de cores diferentes - alguns escuros - entrelaçados."

Entrelaçadas são as histórias que compõem este «Tudo é possível» e que eu gosto acho que dá continuidade ao livro «O meu nome Lucy Barton». Voltamos a encontrar Lucy e o leque de personagens que habitam na vida uns dos outros. A solidão, o modo imperfeito de amar, a rendição e a generosidade, voltam para tentar explicar acções, pois até não fazer nada é em si mesmo uma decisão e um acto.

"Parecia que, quanto mais envelhecia - e estava velho -, mais consciência tinha de que não conseguia compreender a disputa confusa entre o bem e o mal, e que talvez as pessoas não estivessem destinadas a compreender as coisas desta vida."

Parece-me que nos livros de Strout se procura esta compreensão, dificilmente atingida e tão frágil, no entanto a escrita da autora tem ainda a capacidade de nos encher os olhos com metáforas que nos deixam a pensar na vida como ela é, onde tudo é possível, bom ou mau, maioritariamente mau, mas onde mesmo os corações mais fortemente despedaçados conseguem remendar-se e seguir adiante. 

A família é o centro da narrativa, aliás, o centro de todas as narrativas que compõem este livro e que se entrelaçam e terminam as histórias umas das outras, tal como acontece com as pessoas, quando se cruzam e se intrometem na vida alheia ou, por cumplicidade, se completam. As vidas completam-se quando se enchem de pessoas, ou se de uma, que tanto nos enche como nos esvazia e esventra com a dura verdade. A dura realidade. E é dessas realidades, surpreendentes e explícitas que este livro está cheio e nos acertam na cara quando menos esperamos. 

"- Devia ser perfeito.
- Perfeitamente solitário. Um advogado de sucesso que nunca está por perto. Ela gosta dos filhos, mas as tarefas relacionadas com as crianças aborrecem-na. E sente-se irritada com a ama e com a empregada doméstica, e o marido não quer saber disso (...) e pensa, «Deus, o que é isto?» Os filhos irão crescer e depois é o que vai ficar mesmo na Tédiolândia, e irá comprar uma nova pulseira, a seguir um novo par de sapatos (...) não tarda receitam-lhe Valium ou antidepressivos, porque há muitos anos que a sociedade droga as mulheres..."

E assim, desta forma despudorada e ruidosa, Strout atinge-nos como um raio e diz sem medos, afirma e compara-nos, reduz-nos e diminui-nos como se não importássemos, mas ao mesmo tempo tudo dependesse de nós mesmos para avançar. E as metáforas, de tão simples que são, abalam-nos. 

"Tudo aquilo fazia Annie imaginar uma salsicha em cuja pele ela tinha feito um buraco e estava a contorcer-se para sair."

E são nessas constantes vontade de sair, de fugir, que este livro nos revela. Temos um leque variado de personagens que fugiu, cada um à sua maneira, cada um como podia, mesmo aquele que parecem não conseguir fugir, fogem... fogem nem que seja deles mesmos e da sua realidade imobilizada, condicionada. E mesmo nessa aparente indiferença, a autora consegue imprimir acção. Movimentos quase insignificantes que nos deixam a pensar. 

"Olhou à sua volta. O quadro de Hopper estava pendurado na parede com uma tal indiferença que começou a parecer-lhe pessoal, como se tivesse sido pintado para aquele momento: os teus problemas são enormes e insignificantes, parecia dizer, a única coisa que resta é o sol a incidir no lado de uma casa."


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Novidade Alfaguara :: Novo livro de Leila Slimani

Prémio Literário de La Mamounia 2015
O primeiro romance da autora-sensação da literatura francesa, vencedora do Prémio Goncourt com Canção Doce

Data de lançamento - 2 de Maio


A MADAME BOVARY DO SÉCULO XXI
O primeiro romance escrito pela autora franco-marroquina, que se aventura pelos caminhos obscuros, violentos e complexos de uma viciada do sexo.

Adèle tem tudo para ser feliz. Mas falta-lhe tudo.
É jovem, atraente, trabalha como jornalista, é casada com um médico de sucesso que a adora, tem um filho pequeno, vive num bonito bairro de Paris.
Mas nada a satisfaz.
Vive sem prazer, numa solidão extrema. Dentro dela, um fogo consome-a vorazmente, sem piedade: um desejo insaciável, uma necessidade imparável de somar conquistas e amantes. Adèle só existe no desejo dos outros, vive para ser observada, cobiçada, possuída. Nunca quis ser outra coisa senão “uma boneca no jardim de um ogre”.
Vive uma vida dupla, no mais íntimo sentido da palavra. O risco é o seu impulso, o silêncio o seu cúmplice. Mas o segredo tem os dias contados. E as consequências serão implacáveis.
No jardim do ogre é a história de um corpo escravo das suas pulsões. Um romance de traições, mentiras e desilusões. Mas é, ainda assim e sobretudo, um romance de amor.

 O que diz a imprensa:
«Leila Slimani é extraordinária a escrever sobre o corpo das mulheres.» 
The New Yorker

«Obscuro, fulgurante, vital. (…) Um romance que abala, agarra, desequilibra e fascina.» 
Marie Claire

«Uma entrada ousada e notável na literatura.» 
Élisabeth Philippe, Vanity Fair

«Impossível de largar: tem sexo, é cru, é frio, é violento.»
 Libération

«Um retrato simultaneamente cru e poético de uma mulher em busca do absoluto. Mergulha-nos, de forma intrigante, numa relação e leva-nos a descobrir os limites do amor.» 
Delphine Bouillo, Page

«É impossível não ser conquistado pela frontalidade com que Leila Slimani descreve a vida sexual da sua heroína. Algumas páginas, muito cruas, revelam uma inegável força literária, com palavras que magoam como um chicote.» 
Baptiste Liger, Lire

«Um romance de uma perfeita justiça, de uma sensibilidade rara.»  
Said Mahrane, Le Point


«Somos abalados e saímos comovidos, tocados pela história desta mulher.» 
Nicolas Blondeau, Le Progrès

«Os prazeres da carne nunca pareceram tão sórdidos como neste romance, exame clínico da ninfomania.»
 Lemenager Gregoire, Le Nouvel Observateur


Relembramos a opinião a Canção Doce 

Uma novidade

segunda-feira, 16 de abril de 2018

«DESPERTAR» de Stephen King - Opinião


"As lembranças que guardo dos três anos entre o dia em que vi o Peaceable Lake pela primeira vez e o dia do Sermão Terrível são surpreendentemente claras, embora, antes de começar este relato, eu teria afirmado que me lembrava de pouca coisa. (...) Mas a escrita é algo maravilhoso e terrível. Abre poços profundos da memória que antes estavam tapados."

«Despertar» foi o livro escolhido para regressar às leituras do mestre do terror, o que me deixou como uma questão: existirão épocas para determinados livros ou autor? Ou seja, rapidamente concluí, e chegar ao fim do livro não mudou essa conclusão precoce, que o prazo de leitura de King expirou. Pelo menos no que diz respeito à busca de terror e ambientes negros, macabros e marcantes. 

Se Poe já não me dá claustrofobia, King também já não me tira o sono. No entanto, é preciso dizer, em abono da verdade, que King é mestre em conseguir captar a atenção do leitor, se bem que este livro chega a ser descritivo e de capítulos longos e o próprio enredo tem décadas de duração. Ainda assim, é o crivo da crítica social que mais me despertou para avançar no livro. 
A religião e a cura, a demência e a doença, a agressão e o "dar a outra face", pautam o enredo como se todo ele fosse um Sermão

"Se a nossa fé for forte, iremos para o Céu, onde entenderemos tudo. Como se a vida fosse uma piada e o Céu fosse o lugar onde a moral cósmica da história é finalmente explicada."

"- Cristo ensinou-nos a dar a outra face e a amar os nossos inimigos. (...) Isaías profetizou que chegaria o dia em que as nossas espadas forjariam arados, mas tudo o que forjámos nesta era sombria foram bombas atómicas e mísseis balísticos intercontinentais."

É entre a igreja e a falsa servidão (o vício), que Jamie, o miúdo e Jacobs, o pastor metodista, irão pautar a sua vida e a estranha amizade, ambos ligados, não pelos grilhões da fé, mas pela crença no poder da electricidade. E devia ser isso, a electricidade que, em homenagem a H. P. Lovecraft e uma certa invisibilidade mística que a caracteriza, tornaria o livro assustador, negro e típico de King. 

Sobra-nos um enredo rico em crítica social, que usa bem os medos, os preconceitos, os vícios e a religião para ir alimentando personagens que questionam o sentido da existência.

"- Foi de pregador a charlatão.
Assim que dei por terminada a frase, dei-me conta de que fora um comentário cruel (...) Ele não se ofendeu, no entanto. Apenas admirou o nó da gravata perfeito uma última vez e dirigiu-se uma piscadela ade olho.
- Não faz diferença. Em ambos os casos, é só uma questão de convencer os campónios."


«Não está morto o que eternamente jaz inanimado
E em realidades estranhas até a morte pode morrer.»
H. P. Lovecraft

sexta-feira, 13 de abril de 2018

«Bibliotecas Cheias de Fantasmas» de Jacques Bonnet - Opinião



Este pequeno livro está cheio de ideias, preocupações e ambições bibliófagas e tem tudo menos o condor de ser pequeno. As suas páginas abrem portas para histórias infinitas e um rol de autores e livros que nos dão vontade de habitar uma casa cheia de estantes ou mudarmo-nos para a biblioteca mais próxima.
E logo quando ao início lemos: «Depois do prazer de possuir livros, não há outro que seja mais doce do que falar deles.» Quando Bonnet cita Charles Nodier, sabemos que estamos certos quando insistimos em pertencer a uma confraria (quase) secreta de bibliófagos, que para parecermos menos estranhos, lhe chamamos clube de leitores ;) 

A leitura deste livro é compulsiva, obsessiva e freneticamente anotada. A cada página que se vira, damos risinhos soltos e tontos quando percebemos que temos companhia neste acto solitário de ler e de se preocupar com os livros.

"(...) o tédio da infância só podia ser combatido se enveredássemos pelo desporto ou pela leitura. Esta última tinha qualquer coisa de rio edénico (...)
bastava abrir um livro para deambular pela Paris do século XVII correndo o risco de levar na cabeça com o conteúdo de um penico (...) A dada altura, apercebo-me de que os livros não eram apenas um meio de evasão salutar, mas que eles continham igualmente os instrumentos que permitiam decifrar a realidade circundante."

As considerações são muitas e as sugestões também, mas a que mais se repete é a paixão e constante recomendação de «A casa de papel» de Carlos María Domínguez, um livro igualmente pequeno, aliás, mínimo, magríssimo, mas de um poder esmagador. 

"O leitor furioso não é apenas inquieto, é também curioso." Nabokov

É essa curiosidade sem limites que permite ao leitor ter traços de coleccionador acumulador e  de leitor inveterado, sempre cheio de desejos de fuga; um leitor que desmultiplica a realidade limitada, pois ler é desejar essa fuga à realidade, mas encontrar, linha atrás de linha, explicações para ela.

O leitor frenético, compulsivo e curioso, conquista o livro, empenhado, de lápis na mão, conquista, sublinha, anota, desbrava, corrige, rabisca e usa o livro objecto, vincando melhor, na sua cabeça, as emoções vividas. 

"Quando não foi lido, um livro é na pior das hipóteses um conjunto de letras. Na melhor das hipóteses, é uma vaga - e muitas vezes falsa - imagem nascida do que sobre ele ouvimos dizer."

Os livros adquiridos vão compondo uma biografia do seu leitor bibliómano. A soma de todos constrói uma vida, onde a biblioteca é um refúgio contra o envelhecimento, a doença e a morte. Os livros mobilam a solidão.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Mais novidades Topseller :: Abril

Data de lançamento :: 16 de Abril

Depois de "A Duquesa Inesperada" e "A Condessa Acidental" chega o terceiro livro da série de Valeria Bowman.

Um romance intenso e cativante com personagens absolutamente irresistíveis.
Jane Lowndes é uma jovem solteira de 26 anos que adora ler e que sonha em passar o resto dos seus dias a estudar, a lutar pelos direitos das mulheres e a frequentar salões intelectuais. Contudo, a sua mãe tenta insistentemente convencê-la a casar e a participar em eventos sociais.

Lorde Garrett Upton é um solteirão despreocupado que sobreviveu à guerra e regressou a Londres com o intuito de aproveitar ao máximo a vida. Tal como Jane, não tem qualquer intenção de se casar.

Ambos se conhecem há vários anos, mas não se toleram, estando constantemente a discutir e a provocarem-se. Só que um dia, num baile de máscaras, beijam-se, sem saberem a identidade um do outro. Quando o descobrem, tudo começa a mudar entre eles.
Conseguirá o desejo que sentem um pelo outro superar o sonho de permanecerem independentes e descomprometidos?

Uma cidade a recuperar de uma tragédia.
Um pirómano anda à solta em Colmstock, na Austrália. Incendiou o tribunal da cidade, e um rapaz que ficara encurralado no  interior do edifício morreu.

Uma jovem aspirante a jornalista à procura de um furo.
Rose Blakey sempre sonhou em ser jornalista, mas todas as candidaturas que envia para os meios de comunicação social são rejeitadas. Tudo o que precisa é de uma história que a faça dar o grande passo da sua vida, e essa história finalmente aparece.

Pequenas bonecas de porcelana cheias de segredos.
Algumas semanas após o incêndio no tribunal, começam a aparecer à porta de certas casas bonecas com rostos idênticos aos das crianças que aí vivem. A população fica aterrorizada, pois suspeita-se de que um pedófilo possa estar envolvido, e a polícia desvia a sua atenção do incendiário para este caso. Rose começa a escrever artigos sobre o tema, que são publicados num jornal, ganhando uma dimensão cada vez maior à medida que vão sendo divulgadas mensagens do pedófilo. Mas numa cidade em que toda a gente guarda pequenos segredos, a verdade torna-se difícil de encontrar.

E se a terra fosse o planeta mais absurdo do universo?
O professor Andrew Martin, génio matemático, acaba de descobrir a chave para os maiores mistérios do Universo. Ninguém sabe do salto que isto representará para a Humanidade? exceto seres evoluídos de outro planeta.

Determinados a impedir que esta revelação caia nas mãos de uma espécie tão primitiva quanto os humanos, estes seres enviam um emissário para destruir as provas. E é assim que um alien intruso, completamente alheio aos costumes, chega à Terra. Rapidamente, ele descobre que os humanos são horrendos e têm hábitos ridículos ? comida dentro de embalagens, corpos dentro de roupas e indiferença por trás de sorrisos? Esta espécie não faz sentido!

Durante a sua missão, sob a pele e identidade de Andrew Martin, este alien sente-se perdido e odeia todos os terráqueos. Exceto, talvez, Newton, um cão. Contudo, quanto mais se envolve com os que o rodeiam mais fica a perceber de amor, perda, família; e de repente está contagiado: será que afinal há qualquer coisa de extraordinário na imperfeição humana?

A amizade consegue superar todas as diferenças...
Kit é a rapariga mais gira da escola. David é um rapaz solitário, incapaz de interagir com os colegas. Ele sabe que é pouco provável que Kit alguma vez repare nele.

Até ao dia em que Kit, cansada das conversas fúteis das amigas, decide almoçar na mesa de David. A química é imediata e os dois passam a partilhar o tempo das refeições. Fruto desta nova e inesperada amizade, David começa a aprender a relacionar-se com os outros, e Kit, ainda a recuperar da trágica e recente morte do pai, encontra o ombro de que precisava.

Kit só conseguirá reaprender a viver se descobrir a causa do acidente do pai e, sabendo disso, David decide ajudá-la. Mas nenhum dos dois está preparado para o mistério que estão prestes a desvendar, e é aí que a sua amizade é posta à prova.

Será ela capaz de sobreviver à verdade?

Uma mulher entre duas culturas, um amor contra todas as probabilidades.

Indochina Francesa, 1952. Nicole Duval tem 18 anos, sangue vietnamita e francês e vive na sombra da sua irmã Sylvie desde a morte da mãe. Daí que a irmã tenha ficado responsável pela gestão do negócio de sedas do pai, e Nicole com a pequena loja de tecidos da família, situada no quarteirão vietnamita de Hanói ? uma área a fervilhar com militantes rebeldes que se opõem ao domínio francês.

Convivendo cada vez mais com o povo vietnamita, Nicole desperta para a corrupção e violência do colonialismo. E o seu mundo acaba por desabar ao saber do chocante envolvimento da sua família nas maquinações coloniais.

Num país rasgado pelos contrastes, Nicole conhece Tran, um rebelde vietnamita que a ajuda a escapar aos seus problemas; mas é por Mark, um charmoso empresário americano, que ela se apaixona. Os dois homens são de mundos opostos e Nicole sente-se dividida. Chegará o momento em que ela terá de fazer uma escolha, mas em quem poderá ela confiar quando ninguém é o que parece?

Um romance sobre autodescoberta, rivalidade entre irmãs e um amor que desafia as convenções.


Novidades

Novidades Editorial Planeta Portugal :: Abril

Data de lançamento : 17 de Abril


Sinopse
Uma história sobre o amor e a vida que vai chegar ao seu coração. 
Comovente e amorosa, que nos faz pensar se o primeiro amor será de facto o amor pelo qual devemos lutar sem olhar a consequências.
Lizzie Sparkes devia ser a rapariga mais feliz do mundo: está a três meses de se casar com o que acha que é o Tal, no casamento dos seus sonhos! 
Mas, um fim-de-semana quando está a experimentar o vestido de noiva recebe notícias perturbadoras: o amor do passado regressa à sua vida como uma bomba!


Sinopse
Uma história surpreendente, baseada num caso real. 
Um homem foi condenado há vinte anos pelo brutal assassínio de uma jovem. 
Uma jornalista decide fazer um documentário porque acredita que o homem é inocente e arrasta consigo uma multidão que clamará pela sua libertação.
Uma história arrepiante, que foi o suporte de dois documentários para a TV: Paradise Lost e West of Memphis.


Sinopse
Um livro lindíssimo, que associa a um texto de divulgação, um estilo de escrita que transborda ternura e simplicidade. 
O autor é cego, por isso tem muita experiência de viver com o seu cão-guia.
O leitor vai render-se ao magnetismo canino desde a primeira página. 
Os capítulos, com títulos originais e atractivos estão cheios de humor e sensibilidade. 
As pessoas com cães vão desfrutar do livro de forma muito intensa, pois está repleto de emoções e experiências com cães reais. 
Os que não tenham cão poderão, depois de ler o livro, acabar a adoptar um...

Uma oferta óptima para qualquer amante dos animais em geral e dos cães em particular.

Novidades

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Mais novidades Editorial Presença :: Abril

Data de lançamento :: 18 de Abril


Sinopse
30 de março de 1924, Domingo da Mãe em Inglaterra, um dia em que as criadas regressam a casa para visitar as suas famílias. Mas Jane Fairchild, de 22 anos, é orfã e passa esse dia de modo diferente. Encontra-se com Paul, o jovem herdeiro de uma propriedade vizinha.

Jane e Paul mantêm uma relação secreta há já alguns anos, contudo, ele irá desposar em breve uma rapariga da sua condição social. Os dois jovens fazem amor pela última vez e, ao despedirem-se, sucede algo inesperado que muda para sempre a vida de Jane... nos anos que se seguem, ela desenvolve o seu interesse pela leitura e vai trabalhar numa livraria em Oxford, acabando por se tornar uma romancista de sucesso. 

Um livro deslumbrante, impregnado de sensualidade, paixão, emoção. 
Graham Swift, Prémio Booker, na plenitude da sua maturidade literária.


Sinopse
Um romance poderoso sobre a amizade, tendo como pano de fundo um circo durante a Segunda Guerra Mundial. Duas mulheres extraordinárias e as suas histórias angustiantes, de sacrifício e sobrevivência. Noa, de 16 anos, fica grávida de um soldado do exército nazi e é forçada a desistir do seu bebé recém-nascido. Vive no piso superior de uma pequena estação ferroviária, a troco de limpezas... Quando descobre dezenas de crianças judias amontoadas num vagão cujo destino é um campo de concentração, ela não consegue deixar de pensar no filho que lhe foi retirado. 

E, num momento que mudará a sua vida para sempre, agarra numa das crianças e foge com ela pela noite fora sob um forte nevão. Acaba por encontrar refúgio num circo alemão, mas vai ter de aprender números de trapézio para poder passar despercebida, não obstante o azedume de Astrid, a trapezista principal. a princípio rivais, Noa e Astrid em breve criam poderosos laços de afecto entre si. 

Mas como a fachada que as protege se torna cada vez mais ténue, elas têm de decidir se a amizade entre ambas é suficiente para se salvarem uma à outra - ou se os segredos que guardam deitarão tudo por terra.

Novidade

sexta-feira, 6 de abril de 2018

EVENTO CANCELADO * Tertúlia Literária

É com imensa pena que cancelamos o evento de amanhã, 
mas não reunimos inscritos suficientes. 
No entanto, estamos a engendrar um plano para que a tertúlia se 
torne mais apelativa e venha mesmo a acontecer em breve. 
*

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AGUARDEM POR NOVIDADES PARA A FLL´2018

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Opinião "O Regresso da Primavera"



"O Regresso da Primavera" é um romance maduro, talvez o primeiro que leio em que me lembro de conhecer o casal já emparelhado.

Lorenzo e Fiamma estão na casa dos quarenta, cada um tem o seu passado, os seus sucessos e os seus fracassos a nível pessoal, amoroso, familiar e profissional.

Lorenzo vive bem, seguro com o património familiar mas trabalha por gosto à sua paixão pelo ensino, por moldar as mentes do amanhã. Farto de se sentir inútil numa escola semelhante à que frequentou, Lorenzo muda-se para um Instituto desfavorecido no Centro de Milão, cidade a que sempre chamou casa.
Já Fiamma vive os seus dias entre duas paixões, as filhas e a editora que criou com o seu melhor amigo e a mãe do mesmo. Editora dedicada aos seus autores e as obras que criam, Fiamma teve foi azar no amor. Do passado ainda vem a reboque um ex marido mulherengo.

Tanto para Lorenzo como Fiamma chega o momento em que necessitam de renascer para o amor e felicidade, tal como a Primavera.
Poderá o passado ficar onde está e não voltar para os incomodar?
Ou será que é a nossa bagagem nos dá bases para sermos o que somos hoje, fortes e cientes do que queremos?

É interessante ler sobre personagens que não estão agora a conhecer-se mas que ja estão efectivamente juntos e quando ficamos a conhecer em retrospectiva pedaços importantes dos seus passados, temos muito mais gosto quando chega o breve momento que nos transporta ao momento em que efectivamente entraram na vida um do outro.

Sveva leva-nos a passear por Milão, que ainda não conheço e dá-nos uma forte e descontente opinião sobre o estado do seu país, dos seus governantes e do futuro incerto que se espera para tantos italianos, especialmente os jovens. 

Como só li dois livros da aurora nao posso fazer grandes comparações mas em questões de gosto posso dizer que "A Vinha do Anjo" foi muito mais interessante.
Quem sabe um dia destes leia outro :) 

"O Regresso da Primavera" é uma aposta


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Opinião "Conquistar um Duque"

Vossa Graça pela frente,
Sua Desgraça pelas costas.


James, Duque de Harland, segundo filho de um pai nada afectuoso e uma mãe que morreu durante a sua adolescência, lutou sempre contra as convenções da sociedade. Decidido a manter-se longe, fez das Índias Ocidentais a sua casa até ao dia em que perdeu o pai e o irmão num acidente. Como último homem da família Harland herdou o título, a fortuna e a responsabilidade de dar continuação ao legado. Para tal precisa encontrar uma candidata adequada, uma graciosa e irrepreensível rosa inglesa com um pai bem posicionado no Parlamento.
Parece coisa fácil mas não é, e o método de James é tão escandaloso como a sua reputação.
Depois de pesar pros e contras, convidou quatro senhoras, e as suas respectivas mães, para uma estadia na sua propriedade.
Cheira-me a receita para o desastre.
Quase que lhe podíamos chamar um The Bachelor Duke.

E onde entra a nossa personagem feminina? Ela é uma das convidadas...ou melhor, ela é a cara chapada de Lady Dorothea, sua meia irmã e filha legítima do Conde que se envolveu com a sua mãe, uma cortesã de Covent Garden, mas que nunca assumiu Charlene como sua filha.
Nascida e criada numa casa do pecado, Charlene tem lutado contra a má vida e alguns credores complicados, por isso, quando a oportunidade de saldar as contas da família se apresenta à sua frente, sob o pretexto de se fazer passar pela recatada meia irmã, não há nada que a demova.
E tudo poderia correr bem, tendo em conta as outras candidatas, não fosse o Duque um homem fora do vulgar, desabituado de algumas convenções sociais e que está decidido a manter ao longe tentações desnecessárias, já que vê o casamento como um contrato, um meio para um fim.
No entanto, o primeiro encontro entre James e Dorothea (a falsa) acaba com ele no chão, aos pés dela e em mais do que uma maneira.
Poderá James encontrar a mulher modelo que diz necessitar neste grupo?
Conseguirá Charlene manter a fachada ou acabará por deixar a sua verdadeira personalidade definir Lady Dorothea aos olhos do Duque?

Repleto de incidentes deliciosos, "Conquistar um Duque" traz-nos uma história pouco convencional, de um homem que tem medo de se dar e acabar magoado e uma mulher que dá tudo o que tem para proteger os que mais ama. Uma bonita história que nos faz sorrir, torcer pelas personagens e por um final feliz. Uma narrativa rica, capaz de nos fazer sonhar com o cheiro a chocolate, Duques de olhos verdes na proa de um navio a cortar o mar, sob um sol abrasador.
É sem dúvida uma leitura a devorar, de preferência, com uns quadradinhos de chocolate a acompanhar.

Espero que os amigos de James, Nick e Dalton, também tenham direito a livro. Cheira-me que depois deste Duque pouco convencional, os outros ainda vão ser melhores
E já confirmei....os outros duques da desgraça também têm livros. 
Que venham eles! :)

"Conquistar um Duque" é uma aposta

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Opinião "O Prof" de Vi Keeland

Quando este livro saiu, posso quase afirmar que bati palminhas, qual maluquinha que sou.
Adorei ler O Boss e calculei que O Prof me fosse cativar da mesma maneira.
Não me enganei. Comprado à tarde, mais de metade lido à noite e terminado no dia seguinte. Gosto mesmo de sentar no meu cantinho de leitura e ficar horas seguidas a ler, especialmente pela noite dentro e em boa companhia (das personagens, claro!).


Quando li a sinopse de "O Prof" sabia que podia ter ali a cliché relação proibida entre professor & aluna mas se "O Boss" que ensinou alguma coisa sobre a autora Vi Keeland é que ela não se limita escarrapachar o óbvio numa história pontuada por momentos sensuais e cómicos. Há atracção, tensão, tentação, construção de algo a dois, episódios que nos arrancam risos e sorrisos MAS há sempre uma história, algo que dá mais corpo aos personagens, que os torna mais humanos, que os torna em um de nós, alguém com quem nos podemos identificar.

Quando comecei a ler a primeira cena, lembrei-me de outro livro em que as duas personagens se conhecem devido a um engano, em que um confunde o outro com alguém (que por norma fez porcaria) e decide atacar antes de confirmar se está a falar com o pessoa certa.
A melhor amiga de Rachel está a sofrer porque tem fraca pontaria para os homens e o último levou-a à certa para mais tarde ela descobrir que ele era casado e pai de filhos. Por isso, na noite em que ele entra no bar onde trabalham, Rachel diz-lhe das boas, sem papas na língua.
Mas quando percebe que a amiga, cujo o nível de álcool já passou o recomendado, lhe indicou o tipo errado, não lhe resta muito mais do que fingir que aquela discussão nunca existiu e pedir aos santinhos que aquele homem arraçado de deus grego nunca mais lhe apareça à frente.
Mas um azar nunca vem só e quando no dia seguinte chega atrasada à aula do novo professor do qual vai ser assistente e fica frente a frente com Caine West, conhecido por ser inflexível e um ditador da pontualidade, o erro colossal da noite anterior ganha novas proporções.
Será que vai ser despedida ainda antes de começar a trabalhar?
Porque raio Prof. West não podia ser velho como o anterior?
Como é que se vai conseguir safar desta?!

Entre trocas de galhardetes e acertos de contas, Rachel e o Caine chegam a terreno neutro e decidem colocar o episódio para trás das costas, em prol do bom funcionamento do ano lectivo que começa com alguns solavancos, especialmente para o lado de Rachel mas consequentemente para Caine porque rapidamente se percebe que além de ser simpático e prestável, já não consegue esconder a atracção pela bombástica assistente.
Se há tentações a que não se consegue resistir, há histórias que cavam fundo em cada um de nós.
Há coisas no passado de ambos que não os deixam expor o que lhes vai na alma, nem baixar totalmente a guarda, nem como "amigos", se é que alguma vez se viram nesses termos.

Numa narrativa contada maioritariamente no ponto de vista de Rachel mas com visitas pontuais ao de Caine, especialmente ao passado, este livro é um romance repleto de bons momentos, capaz de vos arrancar sonoras gargalhadas e ainda apresentar uma boa dose de história, de drama e segredos que podem moldar e mudar uma vida para sempre.


É por histórias assim que continuo a bater palminhas de alegria quando livros como os de Vi Keeland são publicados por cá. Há toda uma dose certa de amor, sexo, comédia, drama e com jeitinho ainda dá para ficar com a lagriminha no canto do olho, tal é a maneira como ficamos embrenhadas na história que nos contam e que devoramos que nem loucas.

Também gosto bastante de.....epah não posso contar.
Vamos só colocar assim...
O Professor Caine tinha cá um...método de ensino!
JESUS!

Quero um próximo. Digo próximo, não que tenha encontrado ligação com O Boss mas porque QUERO O PRÓXIMO....assim para devorar em meia dúzia de horas.

:)
Only love could ever hit this hard

Novidade Elsinore - Abril


SINOPSE 
Cansado da sua creperia e de ver sempre as mesmas coisas nos mesmos sítios, Jules Joseph Chamsou, gato de catorze riscas, decide pôr à prova a sua curiosidade e descobrir se todos os outros lugares são iguais. À mercê das atribulações com que se depara pelas estradas da Bretanha onde nasceu, a sua malícia e audácia ser-lhe-ão ajudas preciosas para o tirar de alhadas — como desafiar o temível Ankou, o barqueiro da Morte — e, nesta odisseia felina, haverá até tempo para travar novas amizades, seja com os korrigans da charneca, com os quais cantará um branle, ou com Henry James Maru, o gigante maori. Para adultos ou crianças, uma irresistível, refinada e enganadoramente simples aventura sobre o sítio a que chamamos casa. 
 Obra profusa e elegantemente ilustrada pela conhecida artista francesa Marie Belorgey. 

 «E, numa bela manhã, saiu da creperia para andar sozinho rumo a outros lugares, como na história. Caminhou ao acaso. Pouco importava a direção ou o destino se todos os lugares eram iguais.»

Uma novidade